Nos últimos cinco anos, 3.368 pessoas morreram no Paraná vítimas de intoxicação por agrotóxicos. Desse total, 37% foram suicídios, 42% por uso profissional e 15% por acidentes. Os dados preliminares de 2004 apontam 420 vítimas de intoxicação, sendo 44% por suicídio. O levantamento é da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa). A inversão nos casos vem preocupando as autoridades.

A bióloga chefe da Divisão de Zoonoses e Intoxicação da Sesa, Giselia Rúbio, diz que esses números podem estar aquém da realidade, pois existem muitas subnotificações de casos. Ela comenta ainda que em muitas situações de intoxicação a culpa não é apenas do agricultor. “Muitas vezes ele é apenas um empregado, e o patrão não disponibiliza EPI (equipamento de proteção individual) ou orientação técnica para o manuseio dos produtos”, aponta.

Para ter acesso aos agrotóxicos, o agricultor precisa de uma receita, que só pode ser indicada por um técnico ou engenheiro agrônomo. Mas o que acontece em alguns casos, cita a bióloga, é que algumas revendas acabam disponibilizando os produtos sem a receita. “O profissional também tem sua parcela de culpa quando não verifica isso ou não orienta da forma adequada”, argumenta.

O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Luiz Antônio Rossafa, diz que outro problema preocupante é o volume de produtos contrabandeados que circulam no Brasil. Rossafa diz que isso prova a fragilidade da fiscalização federal. Segundo o presidente do Crea, o órgão vem fiscalizando as terapias de risco na produção rural, mas é preciso que todos façam a sua parte. “Sem participação dos profissionais, cooperativas e produtores, fica difícil uma produção sem risco”, diz.

Consciência

Na opinião dos profissionais, para tentar reverter esse quadro é preciso uma conscientização da população. “Temos que buscar uma outra opção de agricultura, seja orgânica ou hidropônica, para a incidência de produtos no campo ser menor”, pondera Giselia Rúbio. Com o aumento da procura, acrescenta, também haverá uma queda nos preços, liquidando com os argumentos de que esse tipo alimento é mais caro. Luiz Antônio Rossafa vai mais longe e diz que, antes de consumir um produto sem agrotóxico, as pessoas devem ter em mente que estão valorizando uma agricultura familiar, e que atrás dela vem uma série de outros valores agregados.