Estamos em plena Semana Mundial do Aleitamento Materno, celebrada todos os anos, de 1.º a 7 de agosto, em mais de 120 países. A data foi criada para incentivar a amamentação e, assim, melhorar a saúde dos bebês em todo o mundo.

O aleitamento, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a melhor maneira de fornecer aos recém-nascidos os nutrientes que eles precisam, garantindo sua saúde e sua sobrevivência.

Segundo a entidade, a falta de aleitamento materno exclusivo durante os seis primeiros meses de vida contribui para mais de um milhão de mortes infantis evitáveis anualmente.

Nos seis primeiros meses de vida, é o único alimento que o bebê precisa para crescer sadio. Todos os nutrientes estão ali. O leite materno também pode evitar que, no futuro, a criança venha a sofrer com alguns problemas de saúde.

A nutricionista Vanessa Fernandes Davies salienta que durante o período de aleitamento, as mães não precisam se preocupar em dar água ou chá aos filhos, por achar que eles sentirão sede.

Oitenta por cento do leite materno é composto de água. Frutas, verduras, carnes e legumes passam a fazer parte da alimentação do bebê após esse período. “Até os dois anos ou mais, as mães devem continuar amamentando, ao mesmo tempo em que oferecem os alimentos consumidos habitualmente”, afirma a especialista.

O benefício da amamentação vale por toda a vida. Crianças que mamam têm menos risco de sofrer de doenças respiratórias, infecções urinárias ou diarréias, problemas que podem levar ao desenvolvimento de doenças graves e até à morte.

O bebê amamentado corretamente terá menos chance de desenvolver diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Para as mulheres, o ato também traz benefícios, como reduzir o sangramento após o parto e diminuir a incidência de anemia, de câncer de mama e ovário e, também, de osteoporose.

Anticoncepcionais

Para manter uma boa quantidade de leite, é importante que a mãe amamente com frequência. A sucção é o maior estímulo à produção do leite: quanto mais o bebê suga, mais leite a mãe produz.

Uma das preocupações das mamães que acabaram de dar à luz, estão amamentando é, novamente, em um período próximo ao parto, voltarem a engravidar.

O aleitamento materno, por si só, pode ser considerado como um método anticoncepcional “natural”, mas para se tornar eficaz, a mulher precisa cumprir três requisitos básicos: realizar a amamentação exclusiva – ou seja, não dar nenhum outro alimento para o bebê – várias vezes ao dia e estar no período da amenorréia, isto é, sem menstruar, além de contar com esse tipo de anticoncepcional exclusivo somente nos primeiros seis meses depois do nascimento do bebê. Isso acontece porque a prolactina, um hormônio que estimula a produção de leite, interfere no funcionamento dos ovários, impedindo a ovulação.

Embora o aleitamento exclusivo seja um método eficaz, se realizado da maneira correta, é muito difícil que a mulher consiga cumprir todos esses requisitos, por conta da correria do dia a dia e das atividades da vida moderna, tanto profissionais como sociais.

Por isso, os especialistas indicam a associação a outros métodos anticoncepcionais para garantir o planejamento familiar, caso a mulher não deseje engravidar.

“No entanto, isso não quer dizer que ela precise parar de amamentar, pois é importante ressaltar que o aleitamento é fundamental e a melhor maneira de alimentar o bebê”, explica o ginecologist,a Marco Aurélio Albernaz.

Suplementação

Além dos métodos comportamentais e não hormonais, como os preservativos, diafragma e DIU de cobre, entre outros, a mulher que amamenta pode usar métodos hormonais, sempre com a orientação de seu médico.

“Os métodos com estrogênio são contraindicados, pois o hormônio diminui a quantidade do leite materno, comprometendo a nutrição do bebê e a qualidade do leite, que pode apresentar menos proteína, gordura, carboidratos e anticorpos, essenciais para o desenvolvimento do recém-nascido”, alerta o especialista, completando que, nesse caso são recomendados os métodos hormonais somente com progestagênio, que não alteram nem a quantidade, nem a constituição do leite.

Além de ser indicada nos períodos de pré-concepção e gestação, a suplementação vitamínico-mineral é também recomendada na fase da amamentação. Estudos mostram que mulheres lactantes que apresentam reservas adequadas de vitaminas e nutrientes mantêm a qualidade e a quantidade do leite e podem proteger mais seus bebês de carências nutricionais.

Segundo o ginecologista e obstetra Marco Túlio Vaintraub, a boa qualidade do leite é fundamental para a saúde do bebê. “Além disso, após o parto, é o momento em que o bebê mais demanda nutrientes e vitaminas da mãe, por isso ela precisa estar bem nutrida”, observa.

O médico explica ainda que a carência de substâncias específicas pode causar danos à saúde. “O zinco, por exemplo, é um importante mineral que atua no metabolismo, sendo responsável pela absorção das vitaminas”, complementa.

Problemas na amamentação

Certos cuidados na amamentação podem prevenir problemas como rachaduras no bico do peito, seios empedrados e outros. Por isso é importante:

* O bebê “pegar” corretamente a mama

* Lavar os mamilos apenas com água, não usar sabonetes, cremes ou pomadas

* Não é necessário lavar os mamilos sempre que o bebe for mamar

* Retirar um pouco do leite para amaciar a aréola (parte escura do peito) antes da mamada se a mama estiver muito cheia e endurecida

* Conversar com outras mulheres (amigas, vizinhas, parentes, etc.) que amamentaram bem e durante bastante tempo seus bebês.

Não existe leite fraco

* Não existe leite fraco. Todo leite materno é forte e bom. A cor do leite pode variar, mas ele nunca é fraco

* Se o bebê dorme bem e está ganhando peso, o leite não está sendo pouco

* Se a mãe achar que está com pouco leite, deve procurar orientação no serviço de saúde

* Nem todo choro do bebê é de fome. A criança chora quando quer aconchego ou sente algum desconforto. Sabendo disso, não deixe que idéias falsas atrapalhem a amamentação

* Acredite! Toda mãe é capaz de alimentar o filho nos primeiros seis meses só com o seu leite.