Vovôs e vovós estão vivendo mais. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro ganhou cinco anos entre 1991 e 2007.

Em 1991, era de 67 anos e, em 2007, passou para 72. São muitos anos de vida. Atualmente, um em cada 10 brasileiros é idoso.

Com a facilidade de acesso a informações e avanços no campo da saúde essa expectativa deve aumentar nas próximas décadas.

Entretanto, para preservar não apenas a longevidade, mas a qualidade de vida são necessários cuidados com a saúde.

O Ministério da Saúde publicou, em 2007, uma pesquisa que revelou que as quedas – principalmente em casa – são responsáveis por dois terços das mortes em idosos.

O número de internações na rede pública, em razão de fraturas do fêmur – geralmente causadas por quedas -, cresceu 37% entre 2000 e 2007. Outra pesquisa que chama atenção é a publicada no início deste ano, realizada em conjunto pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, e a Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz.

Entre os idosos que sofreram quedas, 65,7% caíram em casa e, entre estes, 68,6% tiveram fratura de fêmur, sendo que 99% dos fraturados precisaram se submeter a procedimentos cirúrgicos.

Desequilíbrio

O ortopedista Renato Raad, explica que uma das principais causas dessa prevalência se deve ao fato que com o avanço da idade, o corpo ter menos massa muscular e, portanto, menos força.

“O equilíbrio e o desgaste das articulações – que faz com que a pessoa ande cambaleando e arrastando os pés, também contribuem para as quedas”, diz. Ao cair as consequências mais comuns são fraturas de coluna vertebral, de punho e fêmur.

O especialista alerta que fraturas de coluna e punho, além de dor, causam deformidades e prejudicam funcionalidades do corpo. “Após uma fratura do terço proximal do fêmur, não importa o tratamento utilizado, 30% dos idosos acima dos 80 anos morrem em um ano e, 80%, em cinco anos. Além disso, apenas 60% voltam a andar normalmente”, alerta.

Frequentes em idosos também são as doenças de coluna e articulações, como artrose, artrite e osteoporose, resultado da descalcificação progressiva dos ossos, diminuição da mobilidade e desgaste das articulações.

Ambientes adaptados

* Em casa, a maioria das quedas acontece ao levantar da cama. Por isso, elas devem ter de 45 a 50 cm de altura, incluindo o colchão
* Luzes de emergência noturna devem ser instaladas no banheiro, cozinha e corredores
* Dentro do quarto é importante que haja uma poltrona para apoio na hora do idoso vestir-se
* Os ambientes precisam ser o mais livre possível de obstáculos
*Caso necessário, os tapetes devem ser fixos, e os pisos, antiderrapantes
* Nos banheiros, não colocar prateleiras de vidro e superfícies cortantes
* Instalar barras de segurança dentro do box e ao redor do vaso sanitário
* Escadas devem ter corrimão
* Fora da casa o piso deve ser áspero e sem barreiras
* A iluminação deve ser clara, contínua e uniforme