Uma das características mais importantes para se diagnosticar a artrite reumatóide (AR) é a presença e o tempo de duração da rigidez matinal. No exame físico, o médico vai procurar por sinais, como inchaço, dor, calor e limitações dos movimentos das articulações. É esta condição que, por exemplo, faz com que as pessoas acometidas pela doença tenham limitados seus movimentos.

Com efeito, ações corriqueiras, como pentear o cabelo, abrir uma porta ou amarrar os sapatos podem se tornar um pesadelo. A AR é uma doença inflamatória autoimune, crônica e progressiva, que danifica as juntas do corpo, principalmente as das mãos, comprometendo a vida produtiva dos pacientes, incapacitando-os para o trabalho e atividades de rotina.

De acordo com o reumatologista Roger Levy, presidente da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro, a doença não pode ser prevenida, mas descobrir o problema precocemente e trata-la de forma adequada, contribui para evitar as deformidades, por isso pessoas com dor persistente nas juntas e rigidez articular devem procurar um especialista.

“Apesar de não ter cura, a eficiência das novas terapias (ver quadro) tem cooperado para um melhor controle da doença”, se anima. Na última década, medicamentos desenvolvidos por biotecnologia trouxeram uma nova abordagem terapêutica para aqueles pacientes que não respondem ao tratamento padrão, que é realizado com antiinflamatórios não hormonais e corticóides.

Como são as mais afetadas pela doença, é importante que as mulheres tenham conhecimento dos sinais e sintomas da AR e procurem tratamento médico adequado ao primeiro sinal da doença.

Componentes hereditários

Segundo o reumatologista David Cezar Titton, do Laboratório de Artrite Reumatóide do Hospital de Clínicas da UFPR, um tratamento eficaz pode atenuar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida da paciente.

O alerta é para que aquelas que sofram do problema, desempenhem papel ativo no seu tratamento, obtendo maiores informações sobre a doença e, auxiliando nas várias etapas do tratamento.

Levy esclarece que a artrite reumatóide não é uma doença hereditária, apesar de estudos recentes mostrarem que alguns genes que regulam o sistema imunológico podem estar relacionados a maior suscetibilidade ao desenvolvimento da doença.

“Isto se comprova pelo surgimento da doença em componentes de uma mesma família”, reconhece. De acordo com ele, acredita-se que fatores como infecções, variação dos níveis de alguns hormônios, alterações ambientais e até o hábito de fumar, possam provocar à ativação desses genes. Apesar de afetar principalmente as mulheres, a doença pode, também, ter início na infância e em idade mais avançada.

Enfermidade destrutiva

Estima-se que 1% da população mundial seja afetada pela AR, número que no Brasil pode chegar a dois milhões. A progressão da doença dificulta os movimentos e afeta diretamente a qualidade. Como diz a psicóloga e terapeuta Lenice Pimentel, as vítimas da artrite reumatóide se comportam como pássaros domésticos: são tímidos e quietos.

“Assim como o retorcido das juntas, na infinidade de medicamentos, na dor que se alonga e causa sofrimento, e no sentimento de inutilidade”, constata. “No começo, sentia muitas dores nas juntas. Passei por momentos terríveis, ficando revoltada e não aceitando a situação”, desabafa S.R.C. 36 anos, que há três anos “descobriu” a doença.

Para a médica e pesquisadora André Rubbert-Rothg, da Universidade de Colônia, na Alemanha, o desafio dos novos medicamentos é interromper a progressão da doença, pois, além de ser reconhecida como uma enfermidade destrutiva, a artrite reumatóide não tem prevenção nem cura, requerendo tratamento para toda a vida, podendo diminuir consideravelmente a expectativa de vida do seu portador.

A pesquisadora explica que o maior dano estrutural causado pela doença ocorre nos primeiros dois anos do seu surgimento. “Neste período, se não tratados, os pacientes com AR podem passar de incapacidade moderada para total, rapidamente”, adverte.

Sinais e sintomas mais comuns

>    Inchaço, vermelhidão e calor nas juntas
>    Dor prolongada e rigidez que duram mais de 30 minutos
>    Cansaço ou uma sensação geral de mal-estar
>    Febre baixa, perda de peso e anemia
>    Nódulos sob a pele

Dores simétricas

A artrite reumatóide costuma atingir muitas juntas e por muito tempo, geralmente dos dois lados do corpo (simetria) predominando as articulações dos braços e pernas.

>    Punho – Região que inclui muitas juntas, entre os oito ossos do punho e os ossos do antebraço e das mãos, é sede freqüente de alterações da doença
>    Mãos – Tanto nas articulações entre a mão e os dedos como as articulações entre os primeiros ossos dos dedos, falange e falanginha
>    Tornozelo e pés – Também são atingidos com freqüência
>    Joelhos, cotovelos, quadris e ombros – Articulações maiores que podem ser comprometidas, com grande risco de evoluir com artrose secundária à artrite.

A aposta nas terapias biológicas

Com os crescentes tipos de terapias disponíveis, algumas pesquisas e práticas clínicas têm levantado questões de como tratar melhor a doença. Durante o Encontro Anual da Liga Européia contra o Reumatismo (Eular), em Paris, alguns estudos inéditos apontaram novas esperanças aos portadores da enfermidade, principalmente aqueles que não apresentam resposta efetiva ao tratamento padrão.

Uma das análises apresentadas no encontro mostrou que pacientes tratados com medicamentos chamados de anti-TNFs (medicamentos contra o fator de necrose tumoral), têm melhores chances de melhora clínica com o Mabthera® (rituximabe).

“Um estudo realizado com 300 pacientes confirmou o benefício da troca para o rituximabe em um subgrupo de pacientes com AR sem resposta a outros medicamentos”, afirma Andrea Rubbert-Roth, que coordena pesquisas clínicas com foco nos agentes biológicos, salientando que, de cada três pacientes, um apresentou remissão da doença, diminuindo dores e sintomas. De acordo com a pesquisadora, os efeitos colaterais do medicamento podem ser considerados desprezíveis, notadamente distúrbios hepáticos e infecções.

Há alguns anos, a terapia se resumia ao combate à dor e à inflamação. Utilizavam-se, principalmente, analgésicos, antiinflamatórios não hormonais e corticosteróides.

Depois surgiram as drogas anti-reumáticas chamadas de “modificadores do curso da doença” (DMARD, sigla em inglês). Hoje, a aposta fica por conta dos medicamentos biológicos, que são capazes de evitar novos surtos de inflamação e retardar a progressão da doença.