musculacao02120907.jpgCaracterizada pela destruição progressiva dos tecidos que compõem as articulações, aquelas partes do corpo que permitem a mobilidade dos ossos, levando à instalação progressiva de dor, deformação e limitação dos movimentos, a artrose atinge 20% da população com até 40 anos de idade. Este número chega a quase 100% quando tomamos como referência a população com 80 anos.

A doença é conhecida pelos médicos como osteoartrite e atinge somente as articulações, caracterizando uma degeneração progressiva da cartilagem, que, com o tempo, pode desaparecer completamente. Na ausência completa ou parcial da cartilagem, os ossos roçam diretamente entre si, causando sensação de atrito, dor e limitação de movimentos. Todas as articulações poderão ser atingidas pela artrose, porém, o quadril, os joelhos, os pés e a coluna (articulações de carga) são as mais atingidas, devido ao esforço a que são submetidas. Mulheres (em especial, no período pós-menopausa) e homens na meia-idade estão entre as mais suscetíveis, embora a doença possa surgir em qualquer fase da vida. Quase 70% dos idosos acima de 70 anos têm evidência em radiografias do mal, mas apenas a metade desenvolve os sintomas.

Novos estudos encontraram importantes evidências de que submeter o paciente a um programa específico de exercícios supervisionados com pesos é mais eficaz do que simplesmente indicar a prática da atividade física, principalmente quando associada de redução do peso corporal entre 5% e 10%. Conforme os pesquisadores, os exercícios de musculação possuem ações diretas no processo de reabilitação da artrose, pois é comum observar atrofia e fraqueza dos músculos ao redor da articulação lesionada e somente a musculação pode recuperar essa região.

?Grosso modo, podem existir dois tipos de artrose: a primária, sem causa aparente, geralmente relacionada a fatores genéticos. E a secundária, que pode acontecer em conseqüência de um trauma ou processo inflamatório crônico?, explica o reumatologista Ari Stiel Radu.

Musculação

O especialista em clínica médica e médico responsável pelo Instituto Lyon de Curitiba, Antônio Augusto de Arruda Silveira Júnior, explica que a artrose é uma doença osteomuscular que acarreta sérias dificuldades na vida diária dos pacientes, pois gera numerosas incapacidades que não só afetam o seu estado de saúde, como também apresentam uma série de implicações psicossociais, ocupacionais e familiares. ?Essa doença carrega sobre si o mito de não ter tratamento, fazendo com que os portadores dessa patologia padeçam sem a atenção médica devida mesmo nos dias de hoje?, assinala.

Uma preocupação do especialista é que, devido às dores crônicas na articulação, os portadores do distúrbio costumam se automedicar com remédios que podem provocar desde constipação intestinal até problemas renais graves, além de mascarar o quadro clínico da doença. Como agravante, alguns pacientes ingerem substâncias antiinflamatórias associadas de corticóides, expondo-se a riscos como hemorragias digestivas, hipertensão arterial, osteoporose e diabetes, entre outras.

No entender de Silveira Jr., torna-se prioritário o diagnóstico entre as diferentes formas de reumatismo como passo inicial para abordagem e tratamento adequado. ?Também devemos considerar que dores articulares podem não ser de origem reumática?, avisa o médico. Após o correto diagnóstico e a certeza de quais e em que grau as articulações estão afetadas, inicia-se o uso, preferencialmente, de medicações individualizadas. Uma grande mudança de paradigmas na reabilitação de pacientes com osteoartrite – seja para diminuir a dor ou para melhorar a amplitude do movimento articular – foi a comprovação de que exercícios de musculação são muito superiores à hidroterapia, por exemplo, no tratamento da doença.