As doenças respiratórias são a causa de grande parte das internações nos hospitais brasileiros e, nesta época do ano, é maior ainda a incidência de complicações nos pacientes asmáticos e alérgicos. Essa é uma das principais preocupações dos especialistas da ABRA (Associação Brasileira dos Asmáticos).

A asma é uma doença inflamatória crônica que atinge o sistema respiratório, e, apesar de todos os avanços da medicina moderna, ainda é responsável por um índice de mortalidade muito grande e que só vem crescendo ao longo dos anos entre a população brasileira. De acordo com o SUS (Sistema Único de Saúde), cerca de 350 mil brasileiros asmáticos são internados anualmente.

Para se ter uma idéia, no Brasil são notificadas cerca de seis mortes por dia causadas pela asma, sendo esta a terceira causa de internação no país.?O principal motivo para este crescimento é a falta de informação e de tratamento adequado?, afirma o Dr. Bernardo Kiertsman, Presidente da Associação Brasileira dos Asmáticos (ABRA).

A asma (ou bronquite) é uma doença causada por uma reação exagerada do sistema imunológico na presença de partículas como ácaros, fungos, polens, pêlo animal e fumaça e se manifesta geralmente na infância.Os principais sintomas da asma são: aperto no peito, chiado, tosse e falta de ar. Ao contrário do que se pensa, um paciente que tem bronquite é também asmático e precisa estar consciente sobre os riscos dessa doença, bem como sobre a importância de um tratamento preventivo em longo prazo.

Um importante fator de risco para a asma é a rinite alérgica, pois onde há alta incidência de asma também é alta a de rinite – fato a ser explicado pela grande correlação entre as duas patologias.Cerca de 80% dos pacientes asmáticos sofrem também de rinite e as pessoas que têm rinite apresentam três vezes mais chances de desenvolver asma.

A rinite é uma doença inflamatória da mucosa de revestimento da cavidade nasal e atinge cerca de 25% a 30% da população.Pode ser infecciosa, causada por vírus, ou não infecciosa (alérgica).Os principais sintomas da rinite são: coriza, obstrução das fossas nasais (nariz entupido) e prurido nasal.

Tratamento

Para evitar o agravamento destas doenças é preciso conscientizar o paciente e sua família de que a asma e a rinite são doenças crônicas, mas que podem ser controladas com um tratamento adequado e com o controle dos fatores externos que podem desencadear uma crise, como exposição à poeira, fumaça, perfumes e fatores alergênicos em geral.

O tratamento para asma deve ser analisado individualmente, com medicamento adequado a cada paciente. Existe um consenso médico que prevê o tratamento preventivo e contínuo, com foco no controle da inflamação dos brônquios e, no caso da rinite, no controle da inflamação das vias aéreas. ?Tratar asma e rinite simultaneamente torna mais fácil o tratamento para os asmáticos, reduz os gastos por assistência médica e melhora a qualidade de vida do paciente. Além disso, o tratamento da rinite alérgica previne o aparecimento das crises de asma?, comenta Dr. Dirceu Solé, Professor Titular de Alergia, imunologia clínica e reumatologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo/ Escola Paulista de Medicina.

Os pesquisadores especializados definem asma e rinite como uma doença da via aérea única. O tratamento simultâneo da asma e rinite tem sido defendido como a estratégia ideal para prevenir as inflamações que seguem do nariz, passando pela faringe, laringe, traquéia seguindo até os brônquios.

Combate à inflamação

Já é possível tratar asma e rinite com medicamentos que agem em toda a extensão da via respiratória. Uma nova classe de fármacos, denominados anti-leucotrienos, inibem a produção dos leucotrienos, substâncias naturais do organismo que contribuem tanto para a inflamação das vias aéreas superiores, quanto inferiores, agindo desde o nariz até os alvéolos pulmonares.

?Enquanto os broncodilatadores usados nas bombinhas ou inaladores são utilizados para aliviar os sintomas durante uma crise de asma, os anti-leucotrienos servem como medicação antiinflamatória para controle da doença no longo prazo?, explica o médico. Segundo ele, o problema de não utilizar um medicamento que controle a inflamação da via aérea é que o paciente pode ter mais crises e elas podem ser mais graves.