A aspirina dada a um paciente horas depois de um by-pass na coronária pode diminuir em dois terços as possibilidades de morte e reduzir bastante outras potenciais complicações. Essa é a conclusão de um estudo financiado pela Ischnemia Research and Education Foundation de São Francisco, que Eric Topol, da Cleveland Clinic Foundation publicou no “New England Journal of Medicine”.

Com mais de um milhão de cirurgias no coração feitas a cada ano, o uso de aspirinas poderia salvar 27 mil vidas por ano, incluindo 9 mil nos Estados Unidos e reduziria em bilhões de dólares os custos nos hospitais.

“Os benefícios parecem ser importantes e decisivos e o uso de aspirinas imediatamente após uma intervenção cirúrgica pode transformar-se em uma prática corrente”, disse o doutor Topol.

O estudo foi feito durante cinco anos em mais de 70 hospitais de 17 países. O trabalho revelou que uma pequena dose de aspirina não só diminui à metade os riscos de um ataque no coração e derrame cerebral, mas também reduz as falhas renais pós-operatórias em 70%.

De 5.065 pacientes que participaram do estudo, a 3 mil foi dada aspirina dentro das 48 horas que se seguiram à operação; aos demais, não. Em um período de dois dias, morreram 41 pacientes que não receberam aspirina contra apenas 2 que a haviam recebido. “No entanto, devemos ser conservadores”, disse o doutor Dennis Mangano, diretor da instituição que financiou o estudo. Ele acrescentou: “Confiamos nos resultados e sinceramente creio que a descoberta mudará a prática da medicina”.