Os sintomas da doença de Alzheimer (DA) começam com esquecimentos. Norma-lmente quando a pessoa não consegue achar o caminho de volta para casa mesmo estando na vizinhança. Na progressão da doença, ele perde a memória de curto prazo, sem esquecer histórias do seu passado distante. Em seguida, a doença chega até o ponto em que a pessoa esquece eventos recentes importantes ou coisas sobre si mesmo que aconteceram há pouco tempo. O próximo passo é ficar desorientado e confuso, sem poder mais tomar conta da sua vida.

É nessa hora que surge na vida de um portador de Alzheimer a figura do cuidador. Os idosos, em maior ou menor grau, demandam algum tipo de atenção e auxílio cotidiano, mas quando são acometidos pela doença se faz necessária a presença integral de um cuidador. Esta pessoa, seja familiar ou não, tem a responsabilidade de zelar pela saúde e bem-estar do paciente. Isso porque a DA é a causa mais comum de demência, caracterizada pela disfunção na parte do cérebro que controla a memória, o racio-cínio e a linguagem. A doença incapacita seu portador de realizar as tarefas mais básicas, como as de alimentação ou higiene. Nesses casos, a sobrecarga aumenta para o cuidador.

Integridade emocional

O neurologista Ivan Oka-moto, coordenador do Núcleo de Envelhecimento Cerebral (Nudec) da Escola Paulista de Medicina alerta que o cuidador precisa dar mais atenção à própria saúde. Na medida do possível, ele deve minimizar o desgaste físico e mental que a atividade impõe praticando alguma atividade que lhe dê prazer. Vale ler um livro, assistir a um filme, passear em um parque ou qualquer coisa de que goste. “Tudo isso ajuda a manter sua integridade psicológica e física”, observa o médico.

De acordo com o especialista, a união de três fatores: ter uma atividade de lazer próprio com a frequência possível, a busca constante de informações e atualizações sobre a doença e o acompanhamento médico do paciente, permitirão um bom convívio e qualidade de vida tanto para quem cuida quanto para o portador de Alzheimer. A reserva de qualquer tempo disponível para o lazer individu-al é algo muito importante na preservação da saúde do cuida-dor. “Isso servirá como uma válvula de escape para as tensões do cotidiano que afetam a todos, mas principalmente de quem cuida”, explica Okamoto. Assim, uma hora que seja na realização de uma atividade que lhe dê prazer, já será de grande alívio para o cuidador.

Vigília 24 horas

Muitas vezes não há mais de um cuidador ao lado de quem tem DA, mas quando existir, as atividades podem ser divididas, a fim de amenizar a sobrecarga. Elas são muitas: higiene pessoal, vigília diurna e noturna, consultas médicas, horários da medicação, pagamento das contas do paciente e controle da conta bancária, entre outras. O ideal é o estabelecimento de escalas com as divisões de obrigações entre os cuidadores. Dessa forma a responsabilidade é compartilhada e não acarretará em desgaste excessivo para a pessoa incumbida dessas atividades.

Já a busca por informações é a melhor forma de amenizar o sofrimento inerente à doença, principalmente quando do cuidador é um parente. Ao se informar, deve-se solicitar ao médico explicações sobre o assunto e esclarecer as dúvidas a fim de tornar o convívio mais tranquilo. Para o neurologista, este entendimento sobre o Alzheimer permite compreender, entre outras coisas, as mudanças comportamentais do paciente em cada fase da doença.

Qualidade de vida

Na fase inicial, por exemplo, o paciente ainda consegue reali-zar a maioria das atividades que fazia antes de receber o diagnóstico. O papel do cuida-dor neste caso é o de supervisão. Já na etapa moderada há a necessidade de auxílio para algumas ações, mas o portador ainda consegue realizar as mais simples, como se alimentar. O cuidador assume então um pa-pel de auxiliar. A partir da fase grave da doença a dependência de cuidados &,eacute; total, pois em alguns casos não é possível nem a locomoção.

Mesmo com toda a dedicação familiar é indispensável o acompanhamento médico, porque a fim de avaliar e indicar o tratamento mais adequado para cada paciente, de acordo com cada estágio. A primeira inquietação experimentada pe-la pessoa que passa à condição de cuidador é sentir-se incapaz de cumprir o seu papel. Para isso, ela deve procurar conhecer bem a doença, seus sintomas, como é a evolução e o que fazer em determinadas situações. Nesse sentido os médicos sugerem que os cuidadores procurem o suporte de grupos de apoio. Além disso, no entender do geriatra João Carlos Gon-çalves Baracho, todos na família devem compreender que quem está cuidando também tem o direito de viver a sua vida o mais normalmente possível. “A qualidade de vida do cuidador é primordial para o bem-estar do doente”, alerta.

Cuidados com o cuidador

* A tarefa de cuidar não pode ser entregue a uma só pessoa. Uma pessoa não tem condições físicas nem mentais de cuidar de alguém dia e noite.

* Informação nunca é demais, por isso, toda a família deve tomar conhecimento sobre a doença com que está lidando.

* A família deve planejar os cuidados com o doente, como tarefas e tabelas de horários para os medicamentos.

* Geralmente essas doenças são crônicas e degenerativas e os gastos são elevados, por isso, os familiares devem planejar as contribuições financeiras.

ENTIDADES DE APOIO

Grupo de Ajuda aos Familiares de Portadores de Alzheimer

Encontros aos sábados. Local: Unidade de Atenção ao Idoso – Praça Ouvidor Pardinho – Informações pelo telefone (41) 3321-2745.

* Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz)

Realiza encontros virtuais e disponibiliza informações e orientações pelo portal www.cuidadoresnaweb.com.br.