De acordo com os dados do Censo 2010, divulgados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil tem 23,7 mil habitantes com mais de 100 anos.

Os dados confirmam a tendência de envelhecimento da população brasileira, fruto da redução da taxa de fecundidade e do aumento da expectativa de vida. Este fenômeno é observado em várias partes do mundo e tem consequências para a saúde da população.

O fato é que o aumento da longevidade favorece a maior incidência e prevalência das doenças crônico-degenerativas, dentre elas, o câncer. Como é Verão, época de maior incidência de radiação solar, inclusive em função da destruição da camada de ozônio, é maior a preocupação com os tumores malignos de pele.

De acordo com a dermatologista Patrícia Fagundes, a despeito de toda orientação divulgada nos últimos anos para o uso de filtros solares e da realização das campanhas de prevenção ao câncer de pele, espera-se um aumento na incidência deste tipo de câncer nas próximas décadas.

“A principal razão para isso é que a ocorrência da patologia é maior nas faixas etárias mais avançadas, justamente a fatia da população brasileira que aumentará nas próximas décadas”, alerta a especialista. Outro fator é o aumento na detecção desse tipo de tumor estimulado pelo aumento da informação da população e melhor acesso aos cuidados com a saúde.

Alterações cutâneas

Já que informação é condição básica para a prevenção e a detecção precoce é a chave para a cura do câncer de pele, é bom saber que a investigação não deve ser utilizada apenas quando se fala de câncer de mama, por exemplo.

De acordo com Renato Santos de Oliveira Filho, cirurgião oncológico, o autoexame da pele é muito simples de ser realizado. Com a ajuda de espelhos, toda pele do corpo pode ser inspecionada pela própria pessoa.

Assim, o aparecimento de lesões novas ou modificações em lesões pré-existentes precisam ser valorizados. “Manchas ou lesões que apresentem alteração na cor, forma ou tamanho, sangramento, dificuldade na cicatrização, dor local, assim como feridas que não cicatrizam, tudo deve ser relatado ao médico”, observa.

Nem toda pinta é câncer, mas preste atenção nela. Os tipos de câncer de pele podem apresentar-se de várias formas. De uma maneira geral, o carcinoma basocelular, que representa 70% dos casos da doença no Brasil, tende a aparecer na pele inicialmente como uma lesão elevada, pequena, arredondada, da cor da pele ou róseo-avermelhada, contendo alguns vasinhos na sua superfície.

Pode aparecer em qualquer parte do corpo, mas tende a surgir em áreas de exposição ao sol. Com o passar do tempo, pode aumentar de tamanho e ulcerar. Já o carcinoma espinocelular, responsável por 20% dos tumores de pele do país, em geral, já se apresenta como uma lesão mais espessa e com verrugas.

Pode ulcerar também e, eventualmente, invadir tecidos vizinhos ou originar metástases. Conforme Patrícia Fagundes, geralmente, esses dois tipos de lesões são relatadas na consulta médica como “uma feridinha que nunca cicatriza.”

Efeitos cumulativos

A associação de dois fatores: pele clara e altas doses de radiação solar são determinantes na incidência de câncer de pele. A pele mais vulnerável é aquela que nunca se pigmenta, isso é, que apenas se torna de coloração avermelhada, após a exposição solar.

Lesões pré-cancerosas e os próprios tumores de pele localizam-se preferencialmente nas áreas expostas ao sol: face, pescoço, mãos e braços. Cerca de 90% dos cânceres cutâneos têm localização nessas áreas do corpo.

Como recebemos 80% da exposição solar até os 18 anos, é muito importante que pais e responsáveis se conscientizem sobre a forma mais adequada de proteger seus filhos para evitar problemas no futuro.

Para a dermatologista, a proteção ideal é aquela que garante uma pele livre dos efeitos nocivos da radiação solar ionizante, sejam eles visíveis a olho nu (queimadura solar) ou em nível celular, cujos danos só serão perceptíveis muitos anos depois.

Nesse sentido, a proteção ideal começa com evitar a exposição solar nos horários inadequados (entre 10h e 16 horas), passa pela escolha de um bom filtro solar e sua aplicação correta, e vai até, dependendo do caso, o uso de roupas especiais cujo tecido recebeu tratamento fotoprotetor.

Os pais devem se lembrar que as crianças menores de seis meses só devem ser expostas ao sol por poucos minutos e bem cedo na parte da manhã, com a finalidade de estimular a síntese de vitamina D.

“O uso de filtros solares para crianças nesta faixa etária, em função da imaturidade do sistema imunológico e da própria pele, deve ser evitado, salvo casos específicos e sob orientação médica”, recomenda a especialista.