O aumento excessivo no número de medicamentos consumidos pela população e o considerável índice de intoxicação pelo uso incorreto desses remédios sempre foi tema de pauta entre os profissionais e órgãos do setor. Entretanto, o que pouco se fala é a diferença entre o conceito de automedicação e autoprescrição, que no Brasil freqüentemente é confundido.

Segundo Piero Rapazzini, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos e Prescrição ( ABIMIP), a autoprescrição é um ato ilegal e até perigoso para a saúde, mas infelizmente tornou-se comum presenciar cenas de consumidores que compram medicamentos tarjados em farmácia ou drogarias, sem prescrição médica, que é exigido por lei nestes casos.

Por outro lado, automedicação define-se como o uso de medicamentos não sujeitos à prescrição médica e indicados para tratamentos de sintomas e doenças sem gravidade, aonde o paciente assume plenamente a responsabilidade pelo seu tratamento. A prática é adotada em países como EUA, Canadá, Japão e países da União Européia, além de se reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A automedicação é usada em situações corriqueiras, onde sintomas leves podem incomodar, e, em geral, praticamente são destituídos de efeitos adversos importantes com é o caso, entre outros, da gripe, tosse, dores de cabeça e garganta, porém, é preciso ficar atento se os sintomas persistirem ou piorarem e procurar um médico.

O uso de medicamentos OTC’s é hoje aceito como parte integrante do sistema de saúde e quando praticada corretamente e de forma responsável, pode contribuir para aliviar financeiramente os sistemas de saúde pública.

De 1998 a 2002, o número de vendas de OTC’s no País aumentou significativamente passando de 11,87% para 14,48%, o que em números representa um acréscimo de mais de R$ 1,3 milhão.

Intoxicação

Apesar das vendas excessivas, o Conselho Regional de Farmácia alerta aos consumidores que mesmo que os medicamentos sejam de “venda livre” ou sem prescrição médica não garantem a plena segurança no uso dos mesmos, ou seja, não são isentas do surgimento de efeitos colaterais , reações adversas e tóxicas trazendo desta forma riscos para a saúde do usuário.

Segundo a assessoria de imprensa do órgão nenhum medicamento é totalmente inócuo ao organismo e o uso indevido de substâncias consideradas até mesmo banais podem acarretar diversas conseqüências, entre elas reações alérgicas, resistência bacteriana, dependência e sangramento intestinal. Prova disso, é o último boletim realizado pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas ( Sinitox) mostra que em 1999 dos 66.584 casos de intoxicação registrados no Brasil , 28,27% foram devido ao uso incorreto de medicamentos, em segundo lugar ficaram os agrotóxicos com 6,21% . No estado do Paraná, os números não foram diferentes, dados cumulativos entre os anos de 2000 e 2003, afirmam que o maior número de casos de intoxicação também foi por meio do uso irregular de medicamentos. Dos 7197 casos, 2469 foram atribuídos aos remédios e 1815 aos agrotóxicos. Entretanto o número de óbitos somou 391, 222 devido a agrotóxicos e 53 aos medicamentos.