?Ninguém merece conviver com um cálculo renal. A dor é insuportável. Parece a dor de um parto que nunca termina.? O depoimento é do motorista curitibano R. Franco, de 35 anos. É muito comum ouvirmos casos de pessoas que sofrem com pedras nos rins, também conhecidas por cálculos renais. O distúrbio incomoda frequentemente e pode ser traduzido pela obstrução do trato urinário, com infecções e dores. A estimativa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) é de que aproximadamente 12% dos homens e 5% das mulheres podem ter, pelos menos, um cálculo durante a vida.

Algumas pessoas têm pedras nos rins e, por não sentirem nada, só descobrem o problema em exames de rotina ou quando apresentam quadros de repetição urinária de repetição. Outras, no entanto, passam a ter cólicas renais, um quadro extremamente doloroso e súbito. A dor começa nas costas, irradia para abdômen e genitais. Associada a náuseas, vômitos e sangue na urina, a dor ocorre pela obstrução à passagem da urina e se não tratado ocasiona dilatação das vias excretoras renais podendo causar danos irreversíveis deste rim. Em muitos casos devido a intensidade da dor a pessoa deve procurar um pronto-socorro para ser medicado.

Tratamento e profilaxia

Conforme o urologista do Urocentro, José Maurício Frehse, a doença é mais comum em adultos, mas também pode acometer crianças. Os microcálculos (menores que 4 mm), podem ser eliminados espontaneamente. Como explica o médico, os demais – de rim, ureter ou bexiga, poderão ser tratados com litotripsia extracorpórea por ondas de choque em cerca de 80% dos casos. ?Em cálculos de maior volume ou cálculo coraliformes de rim o método indicado é o da nefrolitotripsia percutânea?, observa. Os cálculos de ureter também podem ser tratados por ureteroscopia, principalmente os de terço inferior. Frehse explica que os cálculos de bexiga são mais raros e na sua maioria são secundários a algum processo obstrutivo infra vesical. A decisão do melhor tratamento após a realização de exames de imagem será tomada pelo especialista. As cirurgias abertas atualmente nos grandes centros são realizadas em apenas 3 a 5% dos cálculos do aparelho urinário, onde, em casos especiais, podem lançar mão da cirurgia vídeo laparoscópica.

De acordo com o especialista, o índice de recidiva é de 10% em um ano, 35% em 5 anos e 50% e 10 anos. Os cálculos do aparelho urinário podem ser diminuídos em suas recidivas, se houver uma boa profilaxia. ?O tratamento consiste em remover totalmente os cálculos, ingerir em torno de 3 litros de líquidos por dia, além de outros cuidados?, completa o médico.

CONHEÇA AS CAUSAS

– Herança genética.

– Volume insuficiente ou urina supersaturada de sais.

– Falta de inibidores naturais da formação de cálculos.

– Distúrbios metabólicos.

– Infecções urinárias.

– Alterações anatômicas.

– Obstrução das vias urinárias.