Caminhar pelo menos dez quilômetros por semana pode ser uma das coisas que as pessoas podem fazer para combater a demência na velhice. A conclusão é de um estudo realizado durante dez anos com cerca de 300 pessoas em Pittsburgh, Estados Unidos, em que voluntários registraram seus hábitos de caminhada. Descobriu-se que as pessoas que caminhavam essa distância tinham metade do risco de sofrer de problemas de memória que os demais.

Cientistas fizeram varreduras do cérebro para medir o volume do órgão. Depois de outros quatro anos, foram feitos testes para ver se algum participante sofria de limitações cognitivas ou demência.

“Nossos resultados encorajam a realização de testes para verificar se exercício físico em pessoas mais velhas são uma abordagem promissora contra demência e Alzheimer”, disse o coordenador do estudo Kirk Erickson. A equipe de Erickson fez o estudo para ver se pessoas que andam muito poderiam combater melhor as doenças da idade.

Invariavelmente, a promessa se repete: “segunda-feira começo a caminhar.” Só que dificilmente se concretiza. A desculpa vem a seguir: “gostaria de ter começado, mas não tive tempo.”

De acordo com os especialistas, a caminhada está incluída no grupo de exercícios denominados de aeróbicos ou de resistência, que correspondem a exercícios rítmicos de grandes músculos, da mesma intensidade.

Neste grupo de exercícios, além da caminhada, estão incluídos ainda a corrida, a natação, andar de bicicleta e a própria dança aeróbica. Estes exercícios são os que proporcionam maiores benefícios ao sistema cardiovascular.

Mais disposição

Todas as pessoas podem e devem praticá-la, desde que não tenham restrições. “Caminhar ajuda a se adquirir saúde, pois, movimentando-se, os músculos precisam ser nutridos, por meio do sangue, que será bombeado pelo coração para todo o seu corpo”, explica o professor de educação física Claudiney Rauth.

A caminhada faz bem em qualquer idade, mesmo para aquelas pessoas que se acham velhas para o exercício.

O professor frisa que caminhar movimenta músculos do corpo inteiro, principalmente os das pernas, que fazem a locomoção, mas também os músculos das costas, do abdome e dos braços, todos ajudando na estabilização do corpo e na execução da marcha.

Mônica Peralta, também professora de educação física, lembra que o envelhecimento é natural da condição humana.

Todos envelhecerão. Só que a atividade física faz com que as pessoas se sintam mais dispostas e saudáveis.

A especialista recomenda a caminhada para as pessoas que querem perder peso. “Só que isso só se consegue caminhando em certo ritmo e velocidade, não apenas andar por andar”, salienta.

Conforme Mônica, a queima de gordura ocorre pelo aumento da freqüência cardíaca e pela utilização de toda a musculatura envolvida. Ela lembra que caminhar devagar promove a saúde, mas não queima gordura.

Cuidados básicos

Além de proporcionar mais saúde em qualquer fase da vida, a caminhada pode ser uma aliada importante para reduzir o crescente grupo de adolescentes que engrossa a classe dos sedentários, situação extremamente preocupante na área da saúde pública.

“É nessa fase que os fatores de risco, que vão se refletir com o passar dos anos, começam a se instalar”, adverte o cardiologista Paulo Henrique Reis, salientando que a doença cardiovascular, a principal causa de morte no mundo, antes considerada problema de idosos, está atingindo um número cada vez maior de pessoas de pouca idade.

Além dos, exames que garantem uma avaliação mais segura, as pessoas devem observar alguns princípios considerados fundamentais na prática da caminhada, como a escolha de um tênis confortável, flexível e macio, a escolha de local adequado e de preferência em terrenos planos.

Outro aspecto destacado por Rauth, diz respeito ao uso adequado de roupas, que devem ser leves e confortáveis, evitando o suor excessivo, que deve surgir espontaneamente.

Com o término do exercício, as pessoas devem fazer o relaxamento, sob a forma de ginástica de alongamento e respiração leve. “Isso permite a readaptação do organismo ao estado de repouso”, completa o professor.