Curitiba vai ganhar, no dia 4 de dezembro, um novo espaço para atenção, tratamento e cuidados de crianças portadoras de doença cardiovasculares.

É o centro de excelência em cardiopediatria do Hospital Cardiológico Costantini.

O serviço vai ocupar um andar inteiro do hospital. Até então, o atendimento pediátrico era realizado em pequena escala, mas em função da crescente demanda por tratamento especializado, a direção do hospital decidiu ampliar seu atendimento na área.

O serviço terá como importante inovação o atendimento integrado da gestante e do feto, ainda no útero materno.

Assim, a mãe e o bebê recebem o tratamento antes, durante e depois do parto. A estrutura possibilitará também a continuidade do atendimento de pacientes portadores de cardiopatias congênitas até a idade adulta.

Segundo o cardiologista Costantino Costantini, a iniciativa atende três das oito metas do milênio, aprovadas por dirigentes de 191 países membros da ONU na Cúpula do Milênio, realizada em 2000: a redução da mortalidade infantil, a melhoria da saúde da gestante e todos trabalhando pelo desenvolvimento.

Fazem parte da equipe clínica, renomados especialistas, comandados pelo especialista em cardiologia fetal e perinatologia Nelson Itiro Miyague, responsável por uma equipe de cardiologia pediátrica que realiza, em médica, mais de 10 mil atendimentos por ano.

Hoje, no Brasil, não há estatísticas oficiais sobre nascidos vivos com problemas cardiovasculares, mas estima-se que o País siga a mesma proporção dos índices mundiais. A cada mil nascidos, de oito a dez têm algum tipo de cardiopatia congênita.

Destes, 35% precisam de cirurgia no primeiro mês de vida. Se não forem tratados, 50% morrem em até 30 dias. Os demais não conseguem sobreviver ao primeiro ano de vida.

“A Secretaria Municipal de Saúde, de Curitiba, estima que a doença congênita, principalmente problemas cardiovasculares, é, hoje, a segunda causa de óbito na capital paranaense”, explica Miyague. Segundo o médico, a maioria dos bebês com doenças graves no coração perde a vida até o sétimo dia após o nascimento.

Por isso, o serviço se torna um alento para a população curitibana, que poderá contar com a inovação da cardiologia fetal – em que a criança pode ser submetida a exames cardiológicos para diagnóstico precoce das condições do coração ainda dentro do útero materno. A especialidade é capaz de diagnosticar e até iniciar o tratamento quando o bebê ainda está no ventre materno.

A inauguração desse centro de excelência pode colocar o Paraná entre os estados com melhor tratamento fetal. Atualmente, segundo o cardiologista, o Rio Grande do Sul é o estado mais avançado nessa questão, onde a cultura da realização de exames para esse fim é mais disseminada.