O sentimento que mais aflora quando se é vítima do ciúme patológico é um grande desejo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do companheiro(a).

Há ainda preocupações excessivas sobre relacionamentos anteriores, as quais podem ocorrer como pensamentos repetitivos, imagens intrusivas e ruminações sem fim sobre fatos passados e seus detalhes.

Quem não passou por uma crise de ciúmes, um sentimento muitas vezes incontrolável, mas considerado fundamental em qualquer relacionamento.

Para uns, o ciúme é o tempero do amor, um sentimento administrável desde que venha na medida certa. Para outros, é simplesmente falta de confiança no parceiro. “Se não existir ciúme é porque um não gosta tanto do outro assim”, garantem os casais.

Psicólogos discutem a origem do ciúme. Para uns a explicação é de que o ciúme existe porque, historicamente, os homens nunca podiam ter certeza da paternidade das crianças geradas pelas mulheres.

Por isso, eles queriam que suas parceiras não tivessem sexo com nenhum outro homem. Essa teoria também afirma que a origem do ciúme nas mulheres é ligada ao substancial investimento que elas fazem em tempo e energia para ter uma criança, não querendo que isto seja desperdiçado com seus parceiros se apaixonando por outras mulheres.

Para os psiquiatras, ciúme seria um conjunto de emoções desencadeadas por sentimentos de alguma ameaça à estabilidade ou qualidade de um relacionamento íntimo valorizado. As definições de ciúme são muitas, tendo em comum três elementos: ser uma reação frente a uma ameaça percebida, haver um rival real ou imaginário e a reação visa eliminar os riscos da perda do objeto amado.

Tempero do relacionamento

De acordo com a psiquiatra Carmen Schetinni, que trabalha com terapias de casais, o ciúme é um sentimento necessário em todo o relacionamento e, portanto, pode ser encarado como um fator positivo.

“É uma emoção normal, pois alerta para a ameaça da perda do parceiro para um rival”, afirma, salientando que ele se torna um mal quando, ao invés de contribuir para a manutenção do relacionamento, começa a prejudicá-lo, trazendo sofrimento para um ou ambos.

Para ela, realmente, o ciúme é mesmo o tempero do relacionamento, mas se a pitada não for dada na medida certa, pode resultar em grandes problemas. Entre absurdos e ridículos, há o caso de uma paciente portadora de ciúme patológico que marcava o pênis do marido assinando-o no início do dia com uma caneta e verificava a marca desse sinal no final do dia.

Mais absurda ainda é a história de outro paciente, com ciúme obsessivo, que chegava a examinar as fezes da namorada, procurando possíveis restos de bilhetes engolidos.

Para a especialista, casos como esses têm, sim, uma explicação. Eles sofrem de ciúme excessivo, aquele que, segundo a médica, traz prejuízo e sofrimento. “O ciúme excessivo possui desvios de conduta ou de personalidade”, enfatiza.

“Uma pessoa neurótica ou psicótica, por exemplo, poderá apresentar comportamentos de agressividade quando sentir ciúmes de alguém”, explica o psicólogo Jorge Antônio Nogueira, autor do livro Ciúmes – uma nova concepção.

Diálogo

Segundo o autor, a melhor coisa que os casais têm a fazer para não sofrer com o ciúme é conhecer a origem, como e quando começou. Assim poderão, em primeiro lugar, não reprimi-lo. Em segundo, entender o sentimento do outro, e, por fim, “conseguir dialogar em bom nível”, completa.

No entanto, enquanto há pessoas que se mordem de ciúme do outro, existem outras que encaram o sentimento numa boa. São aqueles que acreditam que sentir um ciúme extremo pela outra pessoa é uma coisa desnecessária e que não leva a lugar algum.

Com uma coisa os psicólogos concordam: uma pequena dose de ciúme não faz mal a ninguém. Se bem dosado, consegue manter acesa a chama da paixão. Mas se for um sentimento doentio pode acabar fazendo exatamente o contrário, destruindo o relacionamento e magoando a outra pessoa.

Portanto, a melhor coisa é deixar a insegurança de lado e, acima de tudo, conversar muito. Só assim o ciúme não deixará o casal afastado, recomendam os especialistas.