As reações não são tão inesperadas: o sangue ferve, as pernas tremem, se instala o ódio e a raiva e a pessoa tem vontade bater em todos que aparecem a sua frente.

Quem não passou por uma crise de ciúmes, um sentimento muitas vezes incontrolável, mas considerado fundamental em qualquer relacionamento.

Para uns, o ciúme é o tempero do amor, um sentimento administrável desde que seja venha na medida certa. Para outros, é simplesmente falta de confiança no parceiro. “Se não existir ciúmes é porque um não gosta tanto do outro assim”, garantem muitos casais.

Psicólogos discutem a origem do ciúme. Para uns a explicação é de que o ciúme existe porque, historicamente, os homens nunca podiam ter certeza da paternidade das crianças geradas pelas mulheres.

Por isso, eles queriam que suas parceiras não tivessem sexo com nenhum outro homem. Essa teoria também afirma que a origem do ciúme nas mulheres é ligada ao substancial investimento que elas fazem em tempo e energia para ter uma criança, não querendo que isto seja desperdiçado com seus parceiros se apaixonando por outras mulheres.

Outra corrente acredita que os homens ficam chateados quando são traídos sexualmente porque pensam que isso significa envolvimento emocional. São conclusões diametralmente opostas: enquanto eles acreditam que as mulheres possam se envolver emocionalmente sem fazer sexo, elas, de acordo com a teoria, não gostam da traição emocional porque acreditam que, para os homens, ela significa automaticamente sexo – apesar de acreditarem que os homens podem ter sexo sem envolvimento.

Sentimento necessário

De acordo com a psicóloga Carmen Schetinni, que trabalha com terapias de casais, o ciúme é um sentimento necessário em todo o relacionamento e, portanto, pode ser encarado como um fator positivo.

“É uma emoção normal, pois alerta para a ameaça da perda do parceiro para um rival”, afirma, salientando que ele se torna um mal quando, ao invés de contribuir para a manutenção do relacionamento, começa a prejudicá-lo, trazendo sofrimento para um ou ambos.

Para ela, realmente, o ciúme é mesmo o tempero do relacionamento, mas se a pitada não for dada na medida certa, pode resultar em grandes problemas, como o que aconteceu com um estudante de direito que invadiu uma loja num shopping center de São Paulo, e matou a ex-namorada, suicidando-se logo depois.

Para a especialista, casos como este têm, sim, uma explicação. Eles sofrem de ciúme excessivo, aquele que, segundo Carmen, traz prejuízo e sofrimento. “O ciúmes excessivo possui desvios de conduta ou de personalidade”, enfatiza.

“Uma pessoa neurótica ou psicótica, por exemplo, poderá apresentar comportamentos de agressividade quando sentir ciúmes de alguém”, explica o psicólogo Jorge Antônio Nogueira, autor do livro Ciúmes – uma nova concepção.

Entender o sentimento

Segundo o autor, a melhor coisa que os casais têm a fazer para não sofrer com o ciúmes é conhecer a origem, como e quando começou. Assim poderão, em primeiro lugar, não reprimi-lo.

Em segundo, entender o sentimento do outro, e, por fim, “conseguir dialogar em bom nível”, completa. E é exatamente isso que o casal de estudantes Leandro e Eliane, fazem: dialogam bastante.

“Procuramos conversar quando o sentimento passa para que não existam ofensas”, afirma Leandro. Eles namoram há dois anos, e dizem que chegam a brigar muito por causa disso.

No entanto, enquanto há pessoas que se mordem de ciúmes um do outro, existem outras que encaram o sentimento numa boa. São aqueles que acreditam que sentir um ciúme extremo pela outra pessoa é uma coisa desnecessária e que não leva a lugar algum.

“O ciúme faz parte do namoro, mas é ridículo sentir quando ele é excessivo. Se um confia no outro, não há porque ter um ciúmes assim”, reconhecem Maurício, 23 anos e sua namorada Karin, 21.

É com isso que os psicólogos concordam: uma pequena dose de ciúmes não faz mal a ningu&eacu,te;m. Se bem dosado, consegue manter acesa a chama da paixão. Mas se for um sentimento doentio pode acabar fazendo exatamente o contrário, destruindo o relacionamento e magoando a outra pessoa. Portanto, a melhor coisa é deixar a insegurança de lado e, acima de tudo, conversar muito. Só assim o ciúmes não deixará o casal afastado.