Ao primeiro sinal de uma coceira que incomoda, as pessoas, mesmo sem qualquer tipo de conhecimento fazem logo o “diagnóstico” de alergia.

No entanto, muitas vezes, essas irritações são sinais de uma doença crônica: a dermatite atópica, também conhecida por eczema, que causa inflamação e lesões de diferente gravidade na pele.

Não existem dados oficiais, mas estimativas dos dermatologistas apontam que cerca de 10% da população no Brasil sofrem com o distúrbio. Outra constatação é de que mais de 70% dos casos da doença têm caráter hereditário.

A doença não é contagiosa. Nas crianças, o principal incômodo se reflete na incessante coceira, na pele avermelhada, irritada ou ferida. A dermatologista Ewalda Stahlke, da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Seção Paraná, diz que apesar de ainda não ter cura, a doença pode ser controlada adequadamente.

Pesquisas indicam que, no mundo, 15% das crianças de até dois anos de idade tenham crises da doença. Fato que, no entender da dermatologista, comprova o fator genético como uma de suas prováveis causas.

Não é contagioso

A dermatologista paulista Cristina Marta Oliveira explica que a doença pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum na infância, afetando principalmente o rosto, braços e pernas, mas as suas manchas avermelhadas também podem surgir no tronco.

Nos adolescentes e adultos, as lesões são mais escuras e se localizam nas dobras do corpo, como pescoço, cotovelo, ou atrás do joelho. “A doença pode surgir na infância e se prolongar até a adolescência”, esclarece a dermatologista, salientando que pode estar associada à rinite alérgica e à bronquite.

A pessoa nasce com essa predisposição e vários fatores como poeira, pêlos de animais, bichinhos de pelúcia, entre outros, podem desencadear as coceiras e alergias na pele.

As vítimas da dermatite também reagem de forma adversa a componentes externos como picadas de inseto, inalantes ou certos tipos de alimentos. O eczema não é contagioso e costuma melhorar com a idade. “Em cerca de 80% dos casos, ela desaparece até a adolescência”, ressalta Cristina Oliveira.

A especialista explica que a doença altera o metabolismo epidérmico, fazendo diminuir algumas substâncias importantes para a pele, como ceramidas, colesterol e ácidos graxos.

Essa alteração na barreira cutânea leva à maior perda de água e o conseqüente ressecamento da pele, além de facilitar a penetração de agentes alérgicos. “Com efeito, o paciente coça muito a região e acaba ferindo a pele”, ressalta a dermatologista.

Medicamentos antialérgicos

O tratamento do eczema tem por objetivo amenizar e espaçar as crises provocadas pela perda de água e pela penetração de alérgenos e microorganismos, além de ser indicado de acordo com a fase da doença. Nas fases mais agudas é indicado o uso de creme emoliente e hidratante que diminuem a inflamação.

Os dermatologistas recomendam o uso de anti-histamínicos para diminuir a coceira. Ewalda Stahlke enfatiza que a hidratação é fundamental. Por isso, ela indica o uso de cremes emolientes que tratam o ressecamento da pele, banhos com água morna, além de ser necessário evitar o contato com agentes alérgicos como detergentes, ácaros, fumaça de cigarro, produtos químicos e roupas que causem irritação, como lã ou fibra sintética.

Com base nesse quadro e em trabalhos recentes sobre a doença, a indústria farmacêutica vem desenvolvendo cremes cada vez mais eficazes. Também existem medicamentos antialérgicos por via oral, menos sedativos e com ótimos resultados. O tratamento da dermatite atópica é dirigido fundamentalmente para o alívio do prurido, hidratação da pele e redução do quadro inflamatório cutâneo.

Porém, orientação adequada ao paciente e fa,miliares, bem como afastamento de fatores desencadeantes e agravantes são essenciais para o controle adequado da doença.

A dermatologista Lílian Nishino recomenda que os pacientes evitem coçar para não machucar a pele. “Não tem como prevenir a doença, mas sim, as suas manifestações”, comenta, salientando que, para se conseguir um diagnóstico preciso da doença, é necessário procurar ajuda médica especializada.

Preste atenção aos sintomas

>    Ressecamento intenso
>    Inflamação
>    Lesões simétricas de eczemas
>    Coceira nas áreas mais afetadas
>    Pele extremamente seca, com descamação contínua
 
Fique longe do eczema

>    Procurar manter a pele hidratada
>    Evitar banhos prolongados com água muito quente
>    Não coçar
>    Evitar tapetes, cortinas, bichos de pelúcia
>    Não brincar com areia ou terra
>    Evitar o contato com pêlos de animais
>    Manter a casa limpa e arejada