Perfuração inadequada e o constante
tirar e colocar o piercing são os
grandes responsáveis pelas infecções.

A estudante Carolina Brasil, de 14 anos, quer colocar piercing no umbigo, na sobrancelha e na língua. Ela pediu à mãe a autorização para furar os locais e colocar o acessório, mas somente conseguiu convencê-la sobre o umbigo. O colégio onde estuda não permite piercing na sobrancelha. Na língua, local onde Carolina mais desejava o piercing, a mãe não deixou.

Mas antes de partir para a colocação, é preciso procurar locais que fazem esse tipo de serviço com uma boa higienização e aparelhos esterilizados. Segundo o cirurgião plástico Rogério Scheibe, o grande risco do piercing é a infecção. “Ela pode ocorrer por bactérias simples ou mesmo por doenças mais graves, como aids e hepatite”, alerta o médico.

Para ele, o problema está na colocação em áreas de cartilagem, como a parte superior da orelha e o nariz. “Nunca se deveria perfurar a cartilagem. Uma infecção nesse local é difícil de combater. A estrutura da cartilagem não tem circulação própria, tornando-se dependente da membrana que a reveste para isso”, explica Scheibe. A infecção pode causar atrofia da orelha e de parte do nariz. Cirurgias plásticas são capazes de reconstituir a forma, mas sem perfeição. “No caso da orelha, a pessoa pode perder toda a estrutura e ficar somente o lóbulo”, acrescenta o médico.

O método inadequado de perfuração e o constante tirar e colocar o piercing são os grandes responsáveis pelas infecções. “Mais dia ou menos dia, isso vai acabar acontecendo”, esclarece Scheibe. Ele desaconselha colocar acessórios nas genitais, na língua e nos locais com cartilagem. “Nos primeiros, o alerta está ligado à higiene. Na boca, existem bactérias que podem provocar graves infecções, além de correr o risco do piercing se soltar e ser engolido, podendo parar no sistema digestivo”, aponta.

Scheibe comenta que o piercing já virou questão de conceito de beleza, mas a pessoa deve saber que ficará para sempre com uma cicatriz. “Ele é usado há muito tempo pela humanidade. O brinco no lóbulo da orelha nada mais é que um piercing. Mas é preciso tomar cuidado”, orienta o cirurgião, lembrando que é necessária a autorização dos pais para menores de 18 anos.

Carolina já sabe qual modelo de piercing vai colocar no umbigo, provavelmente mês que vem. Depois de conseguir a autorização da mãe, só falta convencê-la a fazer o acompanhamento até o local onde será feita a perfuração. “Hoje é muito comum o piercing nos adolescentes”, diz a estudante. O pai dela, o coronel do Exército Francisco Brasil, apóia a decisão da filha. “Concordo com isso, desde que seja algo equilibrado e que não permita se arrepender mais tarde. O piercing tem a ver com a liberdade que os jovens buscam e os modismos também fazem parte desta transição”, considera.