Muita gente confunde queda de cabelo com calvície. A queda de cabelo pode ser um problema momentâneo, devido a algum fator passageiro, como estresse, distúrbios hormonais e carência de determinados nutrientes, vitaminas e minerais na alimentação.

A calvície, cujo termo médico é alopecia androgenética (AAG), é resultado da queda constante de cabelos, o que pode deixar a pessoa total ou parcialmente careca. Trata-se de doença muito frequente, especialmente em homens, e geralmente causada por um problema hereditário.

É um processo crônico, quando ocorre a miniaturização progressiva dos fios, ou seja, a transformação de fios grossos (chamados pelos terminais) em fios finos e cada vez mais curtos (chamados de velos ou penugem).

Na evolução do processo observa-se a mesma quantidade de raízes vivas, porém essas geram fios menores e mais fracos. Geralmente é nessa fase em que os portadores da calvície percebem que estão com menos cabelos.

De acordo com a dermatologista Alessandra Nogueira, a AAG é o tipo mais comum de queda de cabelo, principalmente induzida por hereditariedade e pelos hormônios masculinos.

A doença tem prevalência de 50% na população masculina até os 50 anos e ainda maior para homens idosos. “Em mulheres, a prevalência é de 8% a 12% quando estão em idade reprodutiva e maior que 10% no período pós-menopausa”, ressalta a especialista.

O último lançamento de medicamentos para o tratamento da AAG foi o alfaestradiol. Para os dermatologistas, a solução capilar contendo a substância normaliza o ciclo de crescimento do cabelo, sem causar efeitos colaterais sistêmicos e com um excelente perfil de segurança para uso em longo prazo tanto em homens quanto em mulheres.

Cuidados precoces

Conforme especialistas, o alfaestradiol age diretamente na causa do problema, atingindo o processo de miniaturização dos fios. “Na prática, isso significa que pode diminuir a perda do cabelo, principalmente nos casos em que a AAG é diagnosticada precocemente e, quando ainda existem folículos saudáveis”, observa a dermatologista.  

A AAG está associada ao processo natural de envelhecimento. Os primeiros sinais aparecem nos homens ainda jovens, geralmente a partir dos 20 anos. Estima-se que 30% deles terão sido afetados por volta dos 30 anos e 50% aos 50 anos. Nas mulheres, a queda de cabelos é observada, quase sempre, a partir dos 40 anos.

Alessandra Nogueira lembra que a queda de cabelo também pode ser causada pelo uso de medicamentos contraceptivos, infecções, inflamações, distúrbios de tireoide, contato com substâncias venosas e, também, em períodos como a gravidez e a menopausa.

Devem ser realizados exames adequados caso haja suspeita de qualquer uma dessas possíveis causas de queda de cabelos. Alguns contraceptivos orais têm alguma ação androgênica e podem aumentar a queda de cabelos pelo seu consumo.

Mitos e verdades

Como toda doença popular, que atinge grande fatia da população, a alopecia androgenética é cercada de mitos. Esclarecer as verdades é importante para prevenir o problema e encontrar o tratamento adequado. Confira se você já conhece tudo sobre o assunto.

Estresse provoca queda de cabelos.

Verdade: O estresse provoca alterações hormonais que podem levar à queda dos fios. Muitos são os motivos que podem causar estresse, como: estresse físico – cirurgias, doenças, anemia, rápida mudança de peso – e estresse emocional – doenças mentais, morte de um membro da família.

Lavar os cabelos diariamente aumenta a queda.

Mito: As substâncias encontradas noxampu podem ressecar os fios, mas jamais levar à queda.

O que leva à p,erda de cabelo é o excesso de testosterona, logo os carecas são mais potentes.

Mito: Infelizmente para os calvos, a perda de cabelo não é provocada por um aumento na produção de hormônios masculinos, mas sim pela quantidade maior da enzima 5-alfa-redutase, que é determinada geneticamente. Não tem nada a ver com virilidade

Cabelo cai mais no inverno.

Verdade: O frio diminui o estímulo da divisão celular, o que gera um número menor de fios e ainda enfraquece a raiz. O resultado: além de os fios caírem mais rápido, eles também nascem mais devagar. É também nessa época de mudanças climáticas que aumenta a incidência de dermatite seborréica – a caspa.

Secador e uso de “chapinha” aumentam a queda.

Mito: A queda de cabelo está relacionada a problemas no couro cabeludo. O que pode acontecer é a quebra do fio devido à alta temperatura dos aparelhos.

A caspa favorece a queda.

Mito: Ela pode ser um coadjuvante da queda, mas não a desencadeadora. A confusão se dá porque cerca de 70% dos calvos têm dermatite seborréica.

Cortar os cabelos interfere na queda dos fios.

Mito: Cortar o fio do cabelo não interfere em nada com o seu crescimento nem provoca a sua alteração. As causas de queda de cabelo de origem hormonal ou hereditária abrangem apenas a parte das raízes, onde o cabeleireiro não exerce influência.

Usar boné faz cair os cabelos.

Mito: O uso do boné não faz cair os cabelos, mas pode, em algumas pessoas que não tiram o boné da cabeça por muito tempo, agravar doenças como a dermatite seborréica, que pode ser um coadjuvante da queda.

Os cabelos caem mais após o parto.

Verdade: Cerca de quatro meses após o parto (ou outro tipo de estresse físico ou emocional), muitos fios de cabelo podem entrar prematuramente na fase de queda, levando à perda de mais fios por dia do que o normal. Chama-se eflúvio telógeno e estes pelos voltarão a crescer normalmente depois de algum tempo.

Cortar os cabelos na lua crescente os faz ganhar força.

Mito: O fato de cortar o fio do cabelo não interfere em seu bulbo capilar, responsável por seu crescimento.

Calvície tem tratamento.

Verdade: Quanto mais cedo começar o tratamento contra calvície, melhor. Fale com o dermatologista e ele saberá prescrever o tratamento mais adequado.