Apesar de ser menos frequente em pacientes com idade inferior a 40 anos, a incidência do câncer de mama em mulheres jovens vem crescendo nos últimos anos.

Esta comprovação se dá pela análise do dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) que mostram que o diagnóstico em pacientes com idade inferior a 40 anos subiu de 3% para 17% do total de casos nos últimos anos.

Dados alarmantes que inspiram cuidados e preocupam especialistas da área, já que a mulher jovem – por ter mais tempo de vida pela frente – acaba sofrendo mais com os efeitos colaterais do tratamento da doença.

O oncologista Fernando Medina da Cunha lembra que o câncer de mama mexe com aspecto emocional e abala a autoestima feminina, principalmente quando é necessária uma mastectomia, que é a retirada da mama, um dos tratamentos mais utilizados nos casos de câncer de mama.

“Em nossa sociedade a mulher se destaca como um ícone de beleza, e a mama feminina simboliza toda a sensualidade e feminilidade, por isso, qualquer alteração na sua imagem acarretará modificações no seu dia a dia”, reconhece o médico.

Sem causa comprovada

Conforme o especialista, o momento mais difícil enfrentado pelas mulheres ainda é a quimioterapia, não só pelo sofrimento físico com os efeitos colaterais, mas também pelo impacto psicológico.

“É o momento em que a mulher realmente demonstra estar doente, muito mais do que depois da cirurgia”, avalia. A queda dos cabelos, tão importantes na vaidade feminina, afeta seriamente a autoestima. Além disso, a quimioterapia provoca a diminuição da libido, o ressecamento vaginal e a interrupção da menstruação.

A doença é a principal causa mundial de morte por câncer da população feminina entre 39 e 58 anos de idade. No Brasil, o número de casos novos de câncer de mama esperados para 2010 será de 49.240, com um risco de 49 casos a cada 100 mil mulheres, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde já existe uma concentração maior de diagnósticos da doença.

Segundo Medina, esse tipo de câncer não possui ainda uma causa definida, mas alguns fatores de risco são conhecidos, como histórico familiar (mãe ou irmã com esse tipo de tumor na pré-menopausa), presença de alterações genéticas (modificações nos genes associados à doença), além do ritmo de vida acelerado vivenciado hoje por grande parte das mulheres.

A crescente incidência em mulheres jovens se dá por alguns hábitos comuns à maioria delas, como fumar com mais fequencia, trabalhar mais, estando sujeitas ao estresse e utilizar anticoncepcionais por tempo indeterminado. “É importante dizer que mudanças de hábitos, como a prática de atividades físicas regularmente, ter uma alimentação saudável e parar de fumar, ajudam a prevenir o câncer, tanto o de mama quanto outros que atingem as mulheres”, ressalta o oncologista.

Estágios avançados

O autoexame, conhecido como exame de toque, é o método mais antigo e o mais fácil para detecção precoce da doença. No entanto, dependendo da maneira como é feito, se torna ineficaz para identificação do tumor.

É importante que a mulher fique atenta ao período em que é feito, devendo ser realizado mensalmente sete dias após o início da menstruação quando as mamas não estão mais inchadas, o que facilita a percepção de quaisquer alterações, entre elas, pequenos nódulos nas mamas e axilas, saída de secreções pelos mamilos, mudança de cor da pele e retrações, entre outras.

Aproximadamente 80% dos tumores são descobertos pela própria mulher ao palpar suas mamas. Porém, um dos fatores que dificultam o tratamento é o estágio avançado em que a doença é descoberta.

Cerca de 50% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, gerando tratamentos muitas vezes mutilantes e que causam maior sofrimento. Medina afirma que pelo menos um terço dos casos novos de câncer poderiam ser prevenidos, caso houvesse uma cu,ltura de prevenção entre as mulheres.

“Por isso, é tão importante fazer o autoexame das mamas mensalmente, adquirir hábitos saudáveis no dia a dia e passar por consultas periódicas com especialistas”, recomenda.

No caso de pacientes jovens, não é indicada a mamografia sem recomendação médica. É preciso lembrar que o exame inclui a emissão de radiação ionizante que, quando aplicada de forma excessiva, pode ser nociva à saúde. Por isso, não se deve antecipar a inclusão da mamografia no cotidiano de uma mulher precocemente. “A não ser que ela tenha histórico familiar ou alterações genéticas que justifiquem o exame completa”, completa o especialista.

Exames frequentes

Para Selmo Minucelli, oncologista do Frischmann Aisengart, os principais fatores de risco para o câncer de mama estão relacionados à vida reprodutiva da mulher – primeira menstruação precoce, idade acima de 30 anos no primeiro parto, mulher que ainda não teve parto ou filhos, obesidade, consumo excessivo de álcool, uso de contraceptivo oral e terapia de reposição hormonal.

A história familiar de parentesco de primeiro grau torna-se um risco ainda maior para mulheres com um ou mais parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com câncer de mama antes dos 50 anos.

O Ministério da Saúde recomenda como principais estratégias de rastreamento da população um exame mamográfico a cada dois anos, para mulheres entre 50 a 69 anos. Para mulheres com idade entre 40 a 49 anos, o exame clínico anual das mamas.

Este deve ser realizado em todas as mulheres que procuram o serviço de saúde, independentemente da faixa etária, como parte do atendimento à saúde da mulher.

Sinais e sintomas

* Nódulo endurecido indolor na mama
* Nódulos nas axilas
* Dor
* Secreção mamilar
* Erosão
* Retração da pele
* Prurido
* Vermelhidão