A participação de mulheres em competições esportivas ou programas de atividade física adquiriu importância crescente nas últimas décadas.

O número de mulheres atletas em academias e clubes tem aumentado consideravelmente.

Há trabalhos que indicam um crescimento de 600% na participação feminina em esportes.

No entanto, todos sabem que malhar desordenadamente ou praticar esportes sem o devido acompanhamento médico traz riscos a qualquer pessoa.

No organismo feminino, então, as consequências são ainda maiores. As doenças mais freqüentes entre as atletas são a osteoporose (enfraquecimento ósseo), amenorréia (distúrbios da menstruação) e transtornos alimentares, como anorexia e bulimia. O conjunto desses sintomas compõe uma síndrome conhecida na medicina esportiva como Tríade da Mulher Atleta.

O médico fisiologista da Universidade Federal de São Paulo Turíbio Leite de Barros Neto afirma que a doença é pouco conhecida pelos clínicos, de maneira geral, por isso a importância do conhecimento dos sintomas é fundamental para o tratamento.

“Os distúrbios atingem não só as profissionais esportistas, mas principalmente as freqüentadoras de academias de ginástica que não têm um acompanhamento médico e nutricional”, conclui o especialista.

Fatores psicológicos

Com efeito, seja para emagrecer, buscar o corpo ideal ou alcançar melhor desempenho em competições, muitas mulheres exageram nos exercícios ou não percebem os sinais dos danos causados ao seu corpo.

Diversos aspectos relacionados ao ambiente esportivo podem ser responsáveis pelo surgimento ou pelo desenvolvimento de dessas doenças em atletas predispostas.

“Os fatores psicológicos relacionados com a prática de uma determinada modalidade também contribuem par o surgimento dessas doenças”, reconhece o mestre em ciências biomédicas Hélio Antônio Correa de Souza.

As cobranças exercidas pelos treinadores, patrocinadores e familiares também são muito grandes. Os treinos e os níveis de rendimento esportivo exigidos muitas vezes são muito elevados, obrigando as atletas a treinarem muitas horas por dia, praticamente durante todos os dias da semana.

O médico Marcelo Leitão, da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, explica que a prática de atividade física regular e sem excessos, associada à alimentação adequada, não interfere na função hormonal e constitui um importante instrumento para ganho de massa óssea, capaz de prevenir a osteoporose.

Valorizar os sintomas

“A prevenção e o tratamento desses distúrbios passa pela redução das cargas de treinamento e pelo aumento da ingestão calórica diária das atletas”, garante Hélio de Souza.

Em alguns casos mais severos o médico pode recorrer a uma terapia de substituição hormonal, com a indicação estrogeno e progesterona em baixas doses, com vista a prevenir a desmineralização óssea. “A suplementação de cálcio também é fundamental no tratamento dessas situações”, completa.

O problema, segundo Marcelo Leitão, as freqüentadoras assíduas de academias e atletas de final de semana realizam suas atividades sem um acompanhamento médico e nutricional.

O tratamento da tríade requer uma equipe multidisciplinar, que reúna médicos, nutricionistas, psicólogos e, eventualmente, psiquiatras. Por isso, é importante que treinadores, personal trainers e professores de educação física que atuem junto a academias observem a manifestação de possíveis sintomas da síndrome.

Segundo o especialista, muitas vezes os sintomas que levam à tríade são pouco valorizados. “Se a mulher notar que seus ciclos menstruais estão ficando cada vez mais espaçados ou que a perda de peso se torna muito acentuada, é um bom motivo para uma investiga&cced,il;ão mais apurada”, orienta o médico do esporte. Os exames complementares de densitometria óssea e de dosagens hormonais podem comprovar a manifestação do distúrbio.

Para evitar a tríade da mulher atleta

* Exercícios sem exageros
* Dieta bem equilibrada e nutritiva
* Comer em quantidades moderadas
* Converse com seu médico sobre qualquer mudança no seu período menstrual