Estudo inédito mapeou a qualidade nutricional da alimentação de mais de três mil crianças em idade pré-escolar em nove cidades do país. Mais de um quarto das crianças brasileiras tem excesso de peso e uma em cada dez está obesa – e dessas, 4,3% tem obesidade mórbida. Os dados, apresentados no XII Congresso Brasileiro de Nutrologia, fazem parte do estudo Nutri-Brasil, que envolveu 12 instituições de ensino e de pesquisa junto a 3.111 crianças entre 2 e 6 anos, em 9 cidades brasileiras.

O trabalho inédito, apresentado pelo Dr. Mauro Fisberg, da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) com apoio da Danone Research, mostrou que grande parte das crianças em idade pré-escolar tem algum tipo de inadequação nutricional na alimentação, seja de nutrientes em excesso ou em falta. A ingestão de fibras, por exemplo, é deficiente em 95% das crianças de 4 a 6 anos. Essa mesma faixa apresenta, por outro lado, uma ingestão de sal (sódio) seis vezes maior do que a quantidade recomendada pelos médicos e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Nível de renda influencia na obesidade

De acordo com o estudo, escolas particulares apresentam taxas maiores de crianças com excesso de peso e obesidade do que escolas da rede pública de ensino. Nas particulares, a média é de 33% de crianças acima do peso ideal, incidência maior que os 27% nas escolas públicas. Segundo o Dr. Mauro Fisberg, o consumo de frutas e legumes por crianças pré-escolares é baixíssimo, o que implica também na baixa ingestão de vitaminas.

Para o Dr. Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), a obesidade na infância tornou-se comum e é uma preocupação constante nos consultórios dos médicos nutrólogos. “O cardápio deve ser balanceado, assim como o valor nutricional da alimentação escolar”, salienta.

De acordo com o cálculo recomendado pela OMS, a alimentação durante o recreio é fundamental para 15% das crianças com permanência de 4 horas/dia e para 66% das crianças com permanência de 8 horas/dia na escola. “O segredo está nas combinações feitas entre as variedades dos alimentos”, explica o médico nutrólogo.

O XXII Congresso Brasileiro de Nutrologia acontece no Maksoud Plaza, em São Paulo, até sexta-feira, 5 de setembro. Mais informações pelo site www.abran.org.br/congresso.

Sobre a ABRAN

A Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) é uma entidade médica científica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Fundada em 1973, dedica-se ao estudo de nutrientes dos alimentos, decisivos na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da maior parte das doenças que afetam o ser humano, a maior parte de origem nutricional. Reúne 3.200 associados: médicos nutrólogos, cientistas, pesquisadores e profissionais na área de nutrição, que atuam no desenvolvimento e atualização científica em prol do bem estar nutricional, físico, social e mental da população.

Para contribuir ainda mais com a manutenção da saúde da sociedade brasileira, a Associação criou o Selo de Aprovação ABRAN, que atende às exigências do consumidor com relação à qualidade e segurança dos alimentos. Somente recebem o Selo de Aprovação ABRAN produtos que foram submetidos a critérios rigorosos de aprovação, encontrando-se de acordo com protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde/ Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pelo Ministério de Estado da Agricultura.