Paulo César é o pioneiro na intervenção não invasiva de aneurisma cerebral.

Dez anos após realizar o primeiro tratamento não invasivo de aneurisma cerebral do país por cateterismo, Curitiba continua ocupando posição de destaque no cenário nacional com mais de 500 cirurgias realizadas, e índices de sucesso semelhantes aos dos principais centros médicos mundiais. A informação é de um dos maiores especialistas da área no país, o neuroradiologista Paulo César de Souza, responsável pela intervenção pioneira.

Ele é também o introdutor de técnicas cada vez mais modernas, eficientes e seguras para os pacientes, que contribuíram para reduzir os riscos do tratamento. ?É importante que as pessoas conheçam esta forma de tratar aneurismas, que é muito mais segura e confortável do que as cirurgias comuns. Utilizando este método, o paciente pode receber alta até 48 horas depois da cirurgia, que elimina também a necessidade de anestesia geral?, explica o médico.

A ruptura, popularmente conhecida como derrame, dos aneurismas intracranianos ? dilatações anormais de artérias cerebrais ? atinge cerca de 6% da população mundial e causa morte ou seqüelas como hemiplegia (perda de movimentos de um dos lados do corpo) em cerca de um terço dos casos, índice que chega à 50% quando associado a hemorragias significativas. Os aneurismas são especialmente perigosos por serem assintomáticos até o momento de sua ruptura, muitas vezes não sendo detectados com a devida antecedência. Muitos deles são congênitos, mas a maioria surge com o passar dos anos em decorrência de fatores como hipertensão arterial, níveis de colesterol alto, diabetes e fumo.

Desde que foram identificados, o tratamento comum dos aneurismas era a cirurgia, com abertura da caixa craniana e remoção do ?saco” aneurismático. Embora eficiente, o procedimento é de grande risco e altamente invasivo, além de exigir um longo período de reestabelecimento. A evolução dos tratamentos endovasculares ? que utilizam as próprias artérias como via de acesso aos aneurismas ? largamente utilizados para doenças cardíacas, trouxe novas opções de intervenção para os médicos. As primeiras experiências de utilização da técnica para o tratamento dos aneurismas cerebrais data do início dos anos 90, e chegaram ao Brasil, pelas mãos de Souza, em 1994. ?Estudei a técnica no Hospital Lariboisiere (Paris IV), com o seu idealizador, o professor Jacques Moret, em 91 e depois me especializei no tratamento de aneurisma em 94. Por isso fui o pioneiro aqui no Brasil?, explica, citando a primeira operação realizada na Cedip ? Clínica de Diagnóstico por Imagem do Paraná.

O tratamento consiste na introdução, via artéria femural (pela coxa do paciente) de uma pequena mola espiral ou esférica que é levada até o local do aneurisma. Ao se expandir, ela preenche a cavidade e impede a passagem do sangue, evitando o derrame. As molas hoje são tratadas com um polímero que acelera a trombose (preenchimento dos vasos com tecido epitelial) e diminui os índices de recanalização do aneurisma. Nos últimos anos a técnica ganhou ainda mais segurança com a utilização de pequenos balões de proteção e stents auto-expansivos que são colocados na entrada dos aneurismas, dando mais eficácia ao tratamento.

O sucesso da técnica, que vêm desde a primeira intervenção de dez anos atrás, motivou o crescimento de sua utilização ? inclusive como procedimento autorizado pelo Sistema Único de Saúde, realizado nos hospitais de Clínicas e Angelina Caron ? e gerou sucessivas evoluções dos aparelhos e equipamentos utilizados. ?Além da adoção de stents de proteção, houve uma significativa evolução das molas utilizadas para o tratamento do aneurisma. Hoje, elas são bio-revestidas e melhoraram o índice de sucesso da operação?, conclui.