Diferente do que muitas pessoas pensam, a colocação de aparelho ortodôntico não está ligada apenas aos aspectos estéticos da face. De acordo com o cirurgião-dentista, Dr. Eurides Gurkewicz, “praticamente 100% das pessoas que têm má oclusão dentária precisam usar aparelho e fazer tratamento”. O motivo é mais sério do que se imagina. “Se não tratar na infância ou na fase adulta, na velhice as dores ocasionadas por essa disfunção, serão grandes”, avisa o especialista em Ortodontia, Periodontia e ex-presidente da Sociedade Paranaense de Prótese Dentária.

A má oclusão dentária, ou seja, dentes tortos ou a falta deles, atrapalha a função de cada um na boca, e ocasiona problemas de articulação têmporo-mandibular ? conhecida por ATM (veja ilustração), que é responsável pela mastigação e se localiza pouco à frente dos ouvidos. A ATM é protegida pelo encaixe perfeito dos dentes, mas, quando isso não ocorre, ela sofre um desgaste, podendo não suportar o peso dos movimentos da mastigação. “Não havendo o encaixe, existe o desgaste da estrutura e ela pode ser perfurada”, alerta Dr. Eurides.

O funcionamento inadequado da ATM é o responsável por dores de cabeça, enxaquecas e o trisma muscular ? popularmente chamada de queda da mandíbula. Se esse caso extremo ocorrer, orienta o Dr. Eurides, mais depressa possível deve ser acionado um dentista para a colocação da mandíbula em seu lugar natural.

Alguns sintomas podem indicar a doença, entre eles estão: estalos ao abrir e fechar a boca, dores ou cansaço no rosto após a alimentação ou após falar muito, dores acima dos olhos, na maçã do rosto e na região próxima ao ouvido, sensação de ouvido tampado, zumbidos, dores e tensão na nuca e no pescoço e diminuição da abertura bucal ou travamento.
Para saber se um paciente possui o problema, além de acompanhamento, o dentista pode pedir para que o paciente use, durante uma semana, um aparelho miorrelaxante muscular para dormir. “Se, mesmo com o uso do aparelho a dor continuar, é porque sua causa é outra, e, neste caso, orientamos a procura de um neurologista ou especialista adequado”, explica.

Tratamento Ortodôntico e seus avanços

A liberação de importação de materiais odontológicos, na década de 90, proporcionou ao Brasil grande evolução nos tratamentos da área. “Conseqüentemente, se pôde usar implantes, aparelhos e outros produtos vindos da Europa e Estados Unidos. Desta forma, a alta tecnologia ajudou a reduzir o tempo de uso de aparelho dentário”, afirma.

Com isso, nos dias atuais, o tratamento de uma criança ou adolescente dura de seis meses a dois anos. Para o adulto, que possui osso calcificado e, portanto, mais difícil para ser trabalhado, o tempo, em média, é de três anos, sendo que antigamente, o período era bem maior.

A idade mínima para o início do tratamento ortodôntico é de 8 anos e não há idade máxima. “Costumamos dizer, que o tratamento pode ser feito até o paciente viver”, brinca. Geralmente, para crianças e adolescentes é bastante indicado por razões estéticas e para recuperar a função dos dentes. Já nos adultos, além das duas primeiras, é utilizado para a colocação de implantes, próteses e prevenir ou eliminar as dores nas articulações.

“Após os 40 anos, é comum as pessoas nos procurarem falando que só agora começaram a ter dores na boca, o que antes não ocorria. Isso é natural porque após essa idade, diminui a resistência física muscular e se essa musculatura tinha um desequilíbrio, agora ela irá se acentuar”, frisa Dr. Eurides.