Em nível global, há uma estimativa de 285 milhões de casos de diabetes. A previsão aponta que esse expressivo número suba a 438 milhões em 2030.

São dados alarmantes que representam mais do que 10 vezes o número de pessoas que vivem com o vírus HIV no mundo, em 2008. No Brasil, a incidência entre a população é de 6,4%. Em nosso País, estamos testemunhando um aumento nas taxas de diabetes e outras doenças crônicas não-transmissíveis.

“O rápido crescimento econômico e o aumento da urbanização, enquanto que aumentam os padrões de vida em geral, também implicam uma série de hábitos de estilo de vida indesejáveis, tais como alimentação pouco saudável, redução da atividade física, tabagismo e abuso de bebidas alcoólicas, que todos contribuem para o risco das doenças crônicas não-transmissíveis”, comenta José Gomes Temporão, Ministro da Saúde.

Para o ministro, o impacto dessas mudanças no continente sul-americano não pode ser subestimado tanto pela perspectiva da saúde pública quanto pelos custos financeiros do tratamento e pela perda de produtividade devido à invalidez e óbitos prematuros.

“A ameaça à prosperidade econômica é grave e aumentará, criando quedas significativas nas rendas nacionais, marginalizando as famílias e as crianças numa espiral decrescente de pobreza”, alerta Temporão, salientando que devem ser estabelecidas estratégias para a detecção precoce, prevenção e gerenciamento do diabetes e de outras doenças crônicas não-transmissíveis, além do desenvolvimento de sistemas de saúde que sejam capazes de lidar com o problema.

Tratamento não oneroso

O diabetes é um problema em crescimento na América Latina e Caribe. Em 2010, a estimativa é que haverá 18 milhões de pessoas (6,3% dos adultos) na região convivendo com a doença e espera-se que este número aumente em 65%, para quase 30 milhões, nos próximos 20 anos.

O diabetes é responsável por 9% de todos os óbitos da região. O número preocupa, já que aponta para a morte de mais de aproximadamente 300 mil pessoas por complicações derivadas da doença.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças crônicas estão entre a maioria das causas dos 35 milhões de óbitos a cada ano – ou 60% de todos as mortes em nível mundial – dos quais 80% ocorrem em países de renda baixa ou média.

Em 2015, a OMS estima que as quedas líquidas no produto interno bruto (PIB) devidas ao diabetes e às doenças cardiovasculares aumentarão dramaticamente no Brasil.

A prevenção eficiente e as estratégias de tratamento do diabetes não são onerosas e poderão, de modo eficaz, reduzir os custos inerentes a outras doenças crônicas não-transmissíveis relacionadas com o diabetes.

“Chegou a hora de todos os parceiros e governos reconhecerem as doenças crônicas não-transmissíveis como estreitamente ligadas ao desenvolvimento sócio-econômico, não se devendo considerar as consequências para a saúde como dispendiosos e também perpetuar a pobreza crônica” comenta Mirta Roses Periago, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde.

Complicações associadas

Nenhuma outra doença comum ou não-transmissível tem tantas complicações e comorbidades associadas como o diabetes, por si só, um fator de risco de várias outras doenças.

Há evidência de que mais do que 80% das doenças cardíacas precoces, AVCs e diabetes tipo 2, assim como 40% dos casos de câncer podem ser evitados, se for adotado um estilo de vida saudável, encorajado pela implementação de uma política pública inteligente.

Análises sistemáticas recentes documentam que as doenças transmissíveis e as doença,s não-transmissíveis têm um efeito mútuo, uma sobre a outra, em uma espiral negativa.

O diabetes mais do que triplica o risco de contrair tuberculose. No topo de tudo isso, a má-nutrição e as infecções durante a gestação causam um baixo peso de nascimento, o que paradoxalmente, é associado a um alto risco de desenvolver a síndrome metabólica, incluindo o diabetes no filho.

A situação é agravada ainda mais pelo fato de os riscos aos quais as mulheres e seus filhos são expostos durante a gestação aumentarem muitas vezes se a gravidez estiver associada ao diabetes – e pelo fato de um filho de uma mulher com diabetes ter um risco oito vezes mais elevado de ele próprio desenvolver o diabetes.

Estima-se que os gastos com o diabetes e suas complicações cheguem a US$ 8,1 bilhões na América Latina e, no Brasil, os custos totais (tanto indiretos como diretos) atribuídos ao diabetes atingem uma estimativa anual de US$ 23 milhões. Isso corresponde a um gasto de saúde de aproximadamente R$ 1.500,00 por pessoa.

Metas para a saúde

As Metas de Desenvolvimento do Milênio são oito objetivos a serem atingidos até o ano de 2015, que vão encarar os principais desafios de desenvolvimento do mundo.

Elas foram extraídas das ações e objetivos contidos na Declaração do Milênio que foi adotada por 189 nações e assinada por 147 chefes de estado e governos durante a Cúpula do Milênio da ONU, realizada em setembro de 2000. Dentre as oito metas, a maioria são medidas incorporadas especificamente para lidar com as doenças não-transmissíveis nos países em desenvolvimento.

* Erradicar a pobreza extrema e a fome
* Atingir o ensino primário universal
* Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres
* Reduzir a mortalidade infantil
* Melhorar a saúde materna
* Combater o HIV/Aids, malária e outras doenças
* Garantir a sustentabilidade ambiental
* Estabelecer uma parceria global para o desenvolvimento

A Fundação Mundial de Diabetes

A Fundação Mundial de Diabetes (WDF) foi estabelecida em 2002 por meio da doação de 1,2 bilhão de coroas dinamarquesas (US$ 255 milhões) a serem alocadas durante um período de 17 anos pela Novo Nordisk A/S como parte da responsabilidade social corporativa da empresa.

A entidade dedica-se a apoiar a prevenção e o tratamento do diabetes no mundo em desenvolvimento e tem por objetivo promover programas de orientação e educação no sentido de criar conscientização, cuidados e alívio para os portadores da doença.