De cada três postos de trabalho criados no mundo, a partir da década de 1970, dois são ocupados por mulheres.

Em algumas economias, elas já representam mais da metade da mão-de-obra empregada.

Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, sua participação no mercado passa de 60%.

No Brasil, os dados apontam que a presença feminina já equivale à dos homens.

No alto escalão das empresas, elas ainda são minoria, mas as estatísticas mostram que estão ocupando mais postos na hierarquia.

O avanço feminino nas empresas vem acompanhado de uma evidente contradição: elas estão menos satisfeitas do que seus colegas do sexo masculino. Além da não equiparação salarial, o ambiente de trabalho ainda não contempla as necessidades da mulher.

“A maior pressão sentida hoje pela mulher não é a de provar sua competência, mas sim o próprio desejo de conciliar o trabalho com a família”, reconhece o ginecologista Joji Ueno. O difícil balanço entre a vida profissional e a pessoal está na raiz de grande parte da insatisfação manifestada pelas mulheres no mercado de trabalho.

Maternidade

Estudos mostram, por exemplo, que a maternidade pode causar grandes prejuízos à vida profissional feminina. Quando a gravidez acontece no início da carreira é o principal fator de desigualdade salarial entre homens e mulheres, segundo pesquisa do instituto inglês Women and Work Commission.

No ano em que sai de licença-maternidade é praticamente certo que a executiva não receba aumento por mérito. Mulheres que decidem deixar o trabalho por mais tempo para cuidar dos bebês, por um ou dois anos, sofrem penalidades ainda maiores. Nestes casos, a perda salarial é, em média, de 28%.

Não importa se homem ou mulher, quem deixa o mercado de trabalho encontra dificuldades quase intransponíveis para voltar a ocupar o mesmo posto. Isso porque, assim como o relógio biológico, o relógio de ponto também anda acelerado.

“Adiar o primeiro filho é uma tendência mundial, estimulada pelas aspirações profissionais e propiciada pela medicina, que, hoje, dá a mulheres de quase 40 anos a oportunidade de se tornarem mães”, ressalta Ueno.

Entre as americanas, estima-se que duas, em cada dez, deixam para ter o primeiro filho depois dos 35 anos. O IBGE revela que o número de mães com mais de 40 anos no Brasil cresceu 27% entre 1991 e 2000.

O especialista explica que, aos 40 anos, a mulher precisa saber que a natureza joga contra. Sem ela, resta a ajuda da ciência. Uma das técnicas de reprodução assistida mais simples, utilizada quando a mulher não ovula regularmente, consiste em administrar hormônios para superestimular os ovários.

“Normalmente, a mulher produz um óvulo por ciclo menstrual. Com o medicamento, pode liberar até cinco. O método funciona em 10% dos casos indicados”, avalia o ginecologista.

Relógio biológico

Situações mais complicadas exigem a inseminação artificial. Os espermatozóides do marido ou de um doador são recolhidos, assim como os óvulos, e a fecundação é feita “artificialmente”, fora do corpo.

A chance de sucesso é de 30%, dependendo da paciente. Após, no máximo, três tentativas, a probabilidade de gravidez para uma mulher de 35 anos pode aumentar em até 50%.

Além de difícil, adiar o nascimento do primeiro filho pode ser arriscado. Doenças crônicas, como diabetes, obesidade e hipertensão podem provocar a interrupção da gestação.

Outra preocupação é o aumento do risco de anomalias genéticas. O risco de uma mulher de 35 anos em ter um filho com síndrome de Down é de um, em 360, quatro vezes mais do que uma grávida de 25 anos.

Estudo da Universidade Estadual de Ohio, em Columbus, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres com mais de 50 anos, mães depois dos 35, costumam ter taxas mais elevadas de infarto, risco de hipertensão e diabetes. O coração sofre com o encargo de ter de bombear cerca de 1 litro de ,sangue extra para o bebê. Mulheres maduras, profissionais responsáveis, podem ignorar o relógio de ponto no escritório, por um tempo, mas o relógio biológico não para.

Dor de cabeça é com elas

Recente pesquisa sobre os impactos da cefaléia no ambiente corporativo aponta que 65% das pessoas sofrem com a dor de cabeça no trabalho. Realizada com apoio da Sociedade Brasileira de Cefaléia, o estudo revelou o grupo feminino como o mais atingido por esse tipo de dor: 60% das mulheres e 43% dos homens relataram ter episódios de cefaléia no período de um ano.

Segundo um dos responsáveis pelo estudo, o neurologista e cefaliatra Ariovaldo Alberto Silva Jr., além da ansiedade e estresse, flutuações no nível de estrógeno figuram entre os principais fatores ligados à elevada incidência de dor de cabeça, sobretudo a enxaqueca.

“O maior impacto da cefaléia em mulheres deve-se à alta frequência com que são afligidas. A cefaléia chega a afetar 99% das mulheres ao longo da vida”. Muitas vezes ligada ao ciclo menstrual, a enxaqueca configura a modalidade de cefaléia mais impactante.

Segundo o neurologista, 60% das mulheres sofrem crises de enxaqueca durante a menstruação. Ele aponta, ainda, que essas crises são mais duradouras, severas e resistentes ao tratamento medicamentoso. Em alguns casos, recomenda-se não usar anticoncepcionais, em outros, o seu uso contínuo.

“Existem medicamentos que são usados profilaticamente para reduzir o impacto das enxaquecas menstruais, mas, de modo geral, o tratamento da enxaqueca menstrual costuma ser difícil”, reconhece o médico.

Exames de rotina

O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar chances de cura de doenças que atingem particularmente as mulheres. Abaixo, alguns exames para que elas não sejam pegas de surpresa.

Exames ginecológicos

Existem dois tipos de exames capazes de detectar não só células malignas, mas infecções vaginais e doenças sexualmente transmissíveis: o exame pélvico e o papanicolaou.

Auto-exame da mama e mamografia

O auto-exame deve ser feito uma vez por mês, de preferência na hora do banho e após o período da menstruação. A mamografia é uma radiografia dos seios que, embora um pouco desconfortável, é o melhor exame para detectar câncer de mama.

Pressão arterial

A preocupação com a pressão arterial deve começar a partir dos 30 anos de idade. Mulheres acima do peso ideal e com história familiar de pressão alta não devem se descuidar.

Colesterol e triglicérides

AVC e infartos podem ser causados por altos níveis de colesterol e triglicérides. É preciso, portanto, que a mulher pratique, regularmente, exercícios físicos adequados à sua idade, mantenha uma dieta alimentar baixa em gorduras e carboidratos e passe por exames periódicos.

Coração

Mulheres com história familiar de doenças cardíacas, pressão alta, obesas ou sedentárias podem ser obrigadas a realização de testes mais específicos.

Diabetes

Mulheres hipertensas, com colesterol alto, assim como as que estão acima do peso, devem procurar o médico e solicitar exame de glicemia para medir a taxa de açúcar no sangue.

Densitometria óssea

Um exame simples e indolor, que detecta o nível de descalcificação dos ossos, permitindo ao médico estabilizar a perda, por meio de medicamentos. Deve ser feito a partir dos 40 anos.