Uma recente pesquisa (Mosaico Brasil) apontou que a freqüência semanal com que homens e mulheres fazem sexo é semelhante na maioria das cidades brasileiras.

Homens disseram ter cerca de três relações por semana, em média, enquanto as mulheres responderam ter duas, em média.

No entanto, se dependesse só da vontade deles ou delas, a média semanal dobraria: seis vezes para os homens e quatro para as mulheres.

Mesmo assim, eles reclamam de uma súbita indiferença em relação ao sexo. Elas se sentem deprimidas por não compartilhar do entusiasmo sexual do seu parceiro.

Nunca na história da humanidade se falou tanto sobre sexo quanto hoje. As relações afetivas e sexuais passam por uma exposição diária de corpos, fetiches e atitudes que remetem à sexualidade.

 Ao contrário do que possa insinuar a pesquisa, mesmo com todos esses apelos e insinuações, os consultórios de médicos e psicólogos especializados no assunto estão sempre lotados. São homens e mulheres angustiados procurando tratamentos que indiquem o caminho para ativar ou reativar a chama desaparecida.

Pressões psicológicas

Mas por que isso acontece? Diferentemente do que muitos imaginam, a falta de desejo ou de prazer raramente tem ligação com qualquer tipo de incapacidade física. Poucos casos também se devem às causas orgânicas ou por efeitos colaterais de algum medicamento.

“Geralmente são ocasionados por pressões psicológicas, entre elas, estresse, medo, culpa e vergonha do corpo, que não permitem que o casal ou um dos parceiros desfrutem de uma vida sexual saudável”, avalia o psiquiatra André Astete. Além deles, o ato sexual pode estar prejudicado por algum tipo de disfunção, como dor na penetração ou pouca lubrificação, por exemplo.

Para os homens, até a chegada do Viagra, a principal queixa sempre foram os problemas de ereção. Por seu lado, as maiores queixas delas, sempre foram a dificuldade de chegar ao orgasmo e a falta de desejo.

Cheios de sentimentos de culpa, ambos buscam modelos de comportamento que possam ser adaptados para o seu próprio prazer. A chegada da pílula anticoncepcional, na década de 60, parecia ser a chave para abrir as portas do prazer, muitas vezes, inatingível para a maioria das mulheres.

Contudo, mais de meio século depois, se percebe que elas ainda não estão tão conectadas assim. O estudo demonstrou que, em média, pouco mais da metade das mulheres brasileiras alegam conseguir atingir o orgasmo na relação sexual. 20% delas responderam ser raro conseguir tal feito.

Bloqueios

É por isso que muitos procuram a terapia sexual, que se propõe a restituir essa função. “O primeiro passo para tratar essa disfunção é buscar auxílio médico para identificar o problema”, ressalta o especialista em sexologia Carlos Scheidemantel.

O médico explica que, em muitos casos, as disfunções sexuais podem ter suas raízes em causas superficiais mais imediatas e simples, do nosso dia-a-dia. Situações que podem alterar a resposta sexual e que devem ser combatidas.

Muitas são ligadas ao ato em si, como o estímulo inadequado, o desconforto e o desconhecimento. “Nesses casos temos que atuar direto no alvo, eliminando essas barreiras”, frisa.

De acordo com o especialista, muitos pacientes respondem rápida e favoravelmente aos métodos de tratamento planejados, eliminando os obstáculos ao funcionamento sexual normal e prazeroso.

Os casos identificados como intermediários, ligados ao relacionamento do casal, no entender de Scheidemantel, têm na terapia a sua principal escolha. “São bloqueios causados por discussões, mágoas ou hostilidades que necessitam da participação do casal para ser transpostos”, enfatiza.

As situações mais complicadas são ligadas à educação sexual, questões traumáticas, como violência ou abuso sexual, necessitando de tratamento mais demorado, mas passível de ser revertido.

Conhecer-se bem, conversar abertamente com o parceiro sobre sexo e consult,ar um especialista são atitudes que ajudam a garantir uma vida sexual plena. O importante é não se deixar levar por preconceitos e buscar a satisfação com o próprio corpo.