Passar horas na mesma posição em frente ao computados, exagerar na hora de levantar pesos, acordar com dores por todo o corpo depois de uma noite mal dormidas.

Praticamente todas as pessoas já passaram por essas sensações de dor e desconforto. Nada que um descanso ou um simples analgésico não dê jeito.

Porém, quando esse desconforto não passa e a dor se mostra constante é sinal de que algo está errado e que, provavelmente, um especialista deva ser consultado para diagnosticar a causa do problema.

São poucos aqueles que nunca reclamaram de dores em várias partes do corpo. Nos consultórios médicos, a cena é corriqueira.

São pessoas que dizem não aguentar mais tanto sofrimento. Os sintomas podem indicar diversas doenças, uma delas é a fibromialgia, um transtorno muitas vezes incapacitante. A primeira pergunta do especialista é se o paciente tem dor crônica.

“Se você não tem dor, não tem fibromialgia”, enfatiza o reumatologista Eduardo Paiva, responsável pelo ambulatório de Fibromialgia do Hospital de Clínicas da UFPR. O especialista define essa síndrome dolorosa crônica como uma “dor no corpo todo, gerada pelo próprio sistema nervoso central, medula e nervos”.

Além da dor, a doença se caracteriza por fadiga, alteração do sono, intolerância ao exercício e, nos casos mais graves, depressão. “Esse acúmulo de sintomas e sinais justifica a existência de uma síndrome fibromiálgica”, constata.

Fadiga crônica

Mais de 4 milhões de brasileiros, especialmente mulheres, são vítimas de dores insuportáveis, “queimações” e “pontadas” de difícil diagnóstico provocadas pela doença. Acredita-se que cerca de 3% da população mundial conviva com o distúrbio.

Os portadores relatam que convivem com essas queixas inexplicáveis e intensas durante muito tempo. Isso porque, em muitos casos os pacientes que deveriam ser diagnosticados com fibromialgia por muitos anos são tratados e medicados como se fossem portadores de outras doenças.

Essas manifestações variam de acordo com o horário do dia, intensidade dos esforços realizados, condições climáticas, aspectos emocionais e ligados ao padrão do sono.

A exata causa da fibromialgia ainda é desconhecida. A dor pode ser contínua ou se agravar em certos períodos, principalmente à noite. Pontos dolorosos na região da nuca, na musculatura próxima aos ombros, na junção da costela com o esterno, em áreas do cotovelo, junto à musculatura da nádega, nas inserções do fêmur e joelhos.

Esses seriam os chamados pontos de dor mais intensa. Segundo o reumatologista Roberto Carneiro, o paciente que sofre da síndrome tem muita dificuldade em conciliar o sono, agravado pelo estresse do dia a dia. “Ele acorda várias vezes à noite e tem dificuldade de voltar a dormir”, destaca.

O especialista alerta, ainda, que a sensação de fadiga crônica pode ser confundida com os distúrbios que acompanham os quadros depressivos, já que o portador de fibromialgia desperta pela manhã com sinais de cansaço, muitas vezes, querendo ficar mais tempo na cama, não estando preparado para enfrentar com desenvoltura suas atividades diárias.

Difícil diagnóstico

Pelo desconhecimento das suas causas, a inexistência de sintomas visíveis e o difícil diagnóstico, os doentes são frequentemente desacreditados. “Até mesmo muitos médicos não reconhecem a doença prontamente”, realça Eduardo Paiva. Por isso, consultar vários clínicos até encontrar alguém que se mostre sensível à doença é uma prática frequente entre os fibromiálgicos.

O tratamento da fibromialgia compreende a realização de exercícios físicos, tratamento do sono e da dor. A atividade física regular é o único meio capaz de a pessoa reconquistar uma vida normal.

Por isso, todos os outros passos devem ter somente um objetivo: deixar a pessoa mais disposta para fazer atividade física. Tratar, a dor é igualmente importante, pois a redução dos sintomas da doença permitirá ao paciente suportar maior carga de exercícios físicos e possibilitará uma maior qualidade de vida.

A campanha

“A Dor que Não Passa!” é o mote de campanha nacional de conscientização sobre a doença idealizada pelo Grupo de Apoio aos Pacientes com Fibromialgia de Curitiba (FibroCuritiba), grupo criado para dar suporte às pessoas sem conhecimento sobre o diagnóstico e sobre como tratar a doença.

A instituição tem por objetivo também atuar no esclarecimento para impedir o preconceito e o estigma pelo qual o portador de fibromialgia é vítima, principalmente, no ambiente de trabalho. O projeto tem o apoio da indústria farmacêutica Eli Lilly.

Para conscientizar a população e parte dos próprios profissionais da área da saúde a respeito da importância da informação sobre fibromialgia, nesta semana, médicos e voluntários orientaram as pessoas na Rua das Flores.

No dia 15 (sábado), Dia Mundial de Conscientização sobre a Fibromialgia, os voluntários organizarão uma caminhada. Eles pretendem provar que portadores de fibromialgia podem melhorar a sua qualidade de vida, por meio do exercício físico bem orientado e constante, além da medicação.

Convivência complicada

* Dores pelo corpo todo
* Fadiga
* Distúrbios do sono
* Indisposição
* Imobilidade
* Falta de concentração
* Nas mulheres, alterações no ciclo menstrual
* Depressão
* uAnsiedade