A clonagem com fins terapêuticos
é permitida na Grã-Bretanha desde 2001.

A Grã-Bretanha autorizará nos próximos dias a primeira clonagem no país de um embrião humano com fins terapêuticos, considerada muito importante nas pesquisas biológicas pelos médicos, mas muito criticada por grupos religiosos e antiabortistas.

Segundo informou o jornal “The Observer”, a Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA, sigla em inglês) dará uma licença para a clonagem a uma equipe de cientistas da Universidade de Newcastle (norte da Inglaterra) e anunciará publicamente sua decisão em julho próximo.

O doutor Miodrag Stojkovic, líder desse grupo de especialistas, apresentou um projeto para usar a mesma técnica usada na criação da famosa ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado.

O jornal de Londres informou que, inicialmente, os embriões serão utilizados como fontes de células-mãe para o tratamento de pacientes que sofrem de diabetes.

As células-mãe têm grande valor terapêutico, pois podem ser cultivadas e transformadas em tecidos de todo tipo, o que pode representar um grande progresso para a realização de transplantes e a cura de doenças.

Stojkovic comentou que essa licença governamental “é uma grande oportunidade”, pois o grupo poderá desenvolver seus estudos sobre a diabetes.

“Acreditamos que nosso trabalho pode conduzir à cura de outras doenças, como os males de Parkinson e Alzheimer. Nossa intenção não é criar seres humanos, mas salvar vidas”, disse o médico.

Apesar da decisão da HFEA ser considerada fundamental para as pesquisas biológicas pelos médicos, conta com forte oposição de grupos religiosos e antiabortistas.

A clonagem de embriões humanos com fins terapêuticos é legal na Grã-Bretanha desde janeiro de 2001, quando se introduziu uma revisão na Lei de Embriologia Humana do país, mas está proibida aquela voltada à reprodução humana, com penas de até 10 anos de detenção.