O Dia Mundial de Combate à Hipertensão foi comemorado ontem com especialistas afirmando que o problema está deixando de ser uma doença exclusiva dos mais velhos. Cada vez mais pessoas jovens estão apresentado a patologia, que é uma das principais causas das doenças cardiovasculares. Para o diretor da Fundação de Cardiologia Francisco Costantini, Costantino Costantini, existem dois fatores que podem estar contribuindo para isso. Um deles seria a ida mais cedo ao consultório médico e, o outro, a alimentação incorreta aliada ao sedentarismo.

Imagine uma bomba jogando água com muita força dentro de um cano. Com o passar do tempo, o material vai sofrendo desgastes e apresentado vários problemas. O mesmo ocorre com os vasos sangüíneos, quando uma pessoa sofre de pressão alta e não se cuida. O resultado pode ser morte súbita, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral ou ainda um edema agudo de pulmão. Essas são as doenças que mais matam no País, sendo responsáveis por 65% dos óbitos entre pessoas entre 30 e 69 anos. E o principal fator de risco para o seu desenvolvimento é a hipertensão.

Dados da Federação Mundial de Cardiologia mostram que 20% da população adulta no mundo sofre de hipertensão. Para Costantino, isso ocorre porque os hábitos de vida da sociedade atual não são saudáveis. Basta comparar o nosso estilo de vida com o de nossos pais e avós para perceber a diferença. A batata-frita, o hambúrguer e os refrigerantes tomaram conta da nossa alimentação, sem falar na vida sedentária.

Costantino culpa o poder público, que não ensina a população a ter hábitos saudáveis e também não combate males como o cigarro e a bebida, causas importantes de várias doenças. “Preferem gastar dinheiro cuidando de pacientes do que prevenir o problema”, cita.

Sintomas

Segundo a coordenadora do Programa de Combate à Hipertensão e ao Diabetes, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Mônica Kastrup, a hipertensão preocupa por vários motivos. Um deles é que dificilmente apresenta sintomas. Por isso, boa parte dos pacientes não sabem que têm a doença. “É um assassino invisível. A pessoa pode morrer sem saber que estava doente”, explica. Por isso, recomenda-se um monitoramento da pressão arterial, que pode começar ainda na infância.

Mas se, por um lado, as pessoas não sabem que estão doentes, outras têm consciência da hipertensão e mesmo assim não fazem o tratamento. “Eles tomam o remédio e fazem a aferição da pressão. Se está tudo bem, param o medicamento. É um erro”, comenta Mônica. Dados deste ano da Sociedade Brasileira de Cardiologia mostram que 48,1% da população tem a pressão alta.