A incontinência urinária masculina ainda é um assunto pouco discutido, contudo, afeta mais de dois milhões de homens no Brasil.

O desconforto é tanto que eles não querem nem ouvir falar: um número muito grande – estima-se que 40% dos homens com mais de 40 anos apresenta um distúrbio desagradável, chamado de incontinência urinária (IU). Muitos não procuram ajuda médica, pois acham que a ?torneira aberta? é um fato normal da idade. Outros não buscam auxílio porque se sentem constrangidos com o problema. Entretanto, o constrangimento é maior quando as perdas de urina ocorrem em grande quantidade, podendo muitas vezes limitar a vida social da pessoa.

?Muitas vezes, o auxílio da fisioterapia traz resultados positivos e pode eliminar a necessidade de uma cirurgia?, diz a fisioterapeuta especialista em fisioterapia uroginecológica Cibele Rocha Maróstica. Conforme a especialista, existem basicamente dois tipos de IU, a de esforço e a de urgência. Essa última é também definida como bexiga hiperativa, em que o paciente tem uma vontade incontrolável de urinar, muitas vezes, com perda de urina. Na incontinência por esforço a perda se dá por algum tipo de atividade, como levantar algum objeto pesado, tossir, espirrar ou até mesmo gargalhar.

Atuação precoce

Para o tratamento ser bem sucedido é necessária uma avaliação bem minuciosa. Cibele explica que a atuação fisioterapêutica se dá pela reeducação do assoalho pélvico, que tem como função melhorar a força de contração das fibras musculares. ?Os exercícios de reforço muscular podem ajudar a fortalecer os músculos necessários para manter a continência da bexiga?, salienta. Por isso, quem sofre da doença e não procura ajuda, muitas vezes acaba se isolando com vergonha do problema, que na maioria dos casos é de fácil resolução.

Além de exercícios para fortalecer o assoalho pélvico, as sessões de fisioterapia incluem técnicas como eletroestimulação (aplicação de corrente elétrica para fortalecimento muscular). A modificação comportamental por meio do controle dos horários de urinar e de ingerir líquido também é uma parte importante do tratamento. A incontinência que ocorre após uma cirurgia prostática (cerca de 90%) pode ser temporária ou persistente; esta última necessita de tratamento. "Quanto mais precocemente for iniciada a fisioterapia, melhor será o resultado, independente de a IU ser leve, moderada ou severa", afirma Cibele Maróstica.

Por falta de informação, a maioria dos pacientes incontinentes leva muito tempo após a cirurgia para procurar pelo tratamento, se tornando dependentes de fraldas ou submetidos a cirurgias, situações, muitas vezes, descartadas com a adoção de um programa fisioterápico ? inclusive de caráter preventivo. "No pós-operatório de uma cirurgia da próstata (prostatectomia radical), o paciente precisa utilizar uma sonda por pelo menos dez dias. Durante esse período já poderia começar a trabalhar a musculatura, para que quando a sonda for retirada, o paciente já saiba como conter a urina", completa.

Principais causas de IU nos homens

* Acidente vascular cerebral (derrame).

* Traumatismos medulares.

* Doença de Parkinson.

* Cirurgias prostáticas (prostatectomia radical).