Sentir dores na hora de urinar ou frequentar diversas vezes o banheiro diariamente são sintomas que afligem muitos homens a partir dos 40 anos e podem estar associados a uma doença não valorizada que ataca a próstata: a hiperplasia benigna prostática (HPB), em que a próstata aumenta em torno da uretra – principal rota dos líquidos dos órgãos internos para o mundo externo.

Além disso, estudos apontam uma relação estreita de alguns sintomas da doença com casos de disfunções eréteis.

Com a hiperplasia, a próstata começa a comprimir a uretra, como se estivéssemos apertando os dedos contra um canudinho, prejudicando o fluxo normal de algum líquido.

Com a progressão da doença, a dificuldade aumenta – a pessoa nunca consegue esvaziar completamente a bexiga. Mesmo assim, o melhor a fazer é continuar frequentando o toalete, mesmo que muitas vezes, para que o rim não seja prejudicado.

Avaliações individuais

Pesquisas indicam que depois dos 50 anos, entre 40% e 50% dos homens sofrerão de hiperplasia, destas a maioria não precisa ser tratada. Na mesma faixa etária, perto de 10% deles serão vítimas do câncer de próstata.

Os índices da HPB aumentam na medida em que a idade avança: aos 70 anos de idade, mais de 80% dos homens sofrerão com o distúrbio, podendo necessitar de tratamentos que vão desde observação periódica ao uso de medicamentos e, até mesmo, procedimentos cirúrgicos.

Os fatores que definem o tipo de tratamento de problemas da próstata são definidos por meio de avaliações individuais. Alguns cirurgiões escolhem terapias agressivas que retiram parte da próstata em torno da uretra, enquanto outros médicos optam por abordagens mais conservadoras, com a indicação de medicamentos e terapias alternativas que reduzem o edema e ajudam a relaxar o músculo que obstrui a uretra. A HPB pode ser controlada.

À medida que progride, aumentam as situações potencialmente incômodas e desagradáveis que a doença traz, prejudicando a qualidade de vida do paciente e comprometendo suas atividades diárias.

Coberta pelo convênio

Segundo o urologista, Francisco Pegoretto, um dos responsáveis pelo Centro Avançado de Urologia do Hospital Santa Cruz, a chegada das novas técnicas de tratamento das doenças da próstata trazem importantes benefícios aos pacientes.

Recentemente, a equipe médica do Centro de Urologia esteve em Houston, nos Estados Unidos, em treinamento para a capacitação na realização de cirurgia para o tratamento da HPB, utilizando o equipamento Greenlight Laser recém instalado.

O aparelho é considerado a terceira geração de laser para uso na próstata, e promove a vaporização da glândula, evitando cirurgias mais agressivas, usualmente utilizadas.

O novo equipamento teve sua eficácia e segurança comprovadas pelas principais instituições de saúde americanas, com mais de 500 mil procedimentos já realizados.

“Os resultados demonstrados comprovam a segurança do método, o rápido retorno dos pacientes às suas atividades e principalmente à melhora na qualidade de vida”, comenta o urologista. A técnica está incluída dentre os procedimentos cobertos pelos planos de saúde.

Alta em 24 horas

Dentre as suas principais vantagens estão a possibilidade de cirurgias minimamente invasivas, sem sangramento, com baixo índice de complicações, menor tempo de internação e rápido retorno às atividades profissionais.

“Os pacientes permanecem menos de 24 horas internados e recebem alta sem necessidade do uso de sondas”, destaca o especialista. Por ser um método cirúrgico sem sangramento, a terapia pode ser realizada com segurança em pessoas que fazem uso continuo de anticoagulantes, seja por comprometimentos cardiológicos ou neurológicos.

De acordo com Pegoretto, o método é indicado para os homens que apresentem sintomatologia urinária moderada ou sev,era, ou que não possam fazer uso de terapia medicamentosa convencional, pelos efeitos colaterais relacionados.

Siga o fluxo

A próstata regula o fluxo de urina e do sêmen para o pênis. Se o tecido no interior da próstata crescer demasiadamente (hipertrofia), o caminho, já estreito, torna-se ainda mais imprensado, dificultando a manutenção do fluxo urinário. Quando isso acontece a bexiga não se esvazia totalmente, por isso (nos casos mais graves) pode voltar para os rins, causando infecções e lesões.

Alguns homens experimentam sintomas do trato urinário inferior, mesmo na ausência de crescimento prostático. Da mesma forma, pacientes com significativo aumento do volume prostático podem ser assintomáticos ou apresentar sintomatologia leve, sem impacto em sua qualidade de vida.

Sintomas ligados à hiperplasia

* Jato urinário cada vez mais fraco
* Dificuldade ou demora em iniciar a micção
* Necessidade frequente de urinar, principalmente, à noite
* Intermitência do jato urinário de forma involuntária
* Dor e sensação de queimação no ato de urinar
* Urgência de urinar
* Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga