imagemmole020408.jpgPode até parecer o roteiro de um filme de espionagem: para detectar a gravidade ou o estadiamento de doenças, a imagem molecular utiliza rastreadores compostos por um transmissor de sinal. Eles são fixados à molécula ?de reconhecimento?, previamente especificada, considerada o agente alvo. São elas que identificam as moléculas alteradas. A partir daí, o transmissor comunica a posição dos compostos rastreados a um equipamento. Essas imagens possibilitam que o médico identifique manifestações precoces de doenças.

?A imagem molecular mudará a Medicina?, garante Ludger Dinkelborg, chefe de pesquisa em diagnósticos por imagem da Bayer Schering Pharma, de Berlim. A detecção antecipada e precisa de doenças poderá melhorar ainda mais o índice de sucesso de tratamentos, contribuir para prolongar a vida saudável e produtiva das pessoas e levar ao uso de tratamentos com menos efeitos colaterais. ?Graças à imagem molecular, o diagnóstico precoce e preciso de, por exemplo, doença de Alzheimer ou determinadas formas de câncer se tornará mais efetiva?, avalia o pesquisador, esperando que a nova tecnologia se torne um procedimento hospitalar rotineiro em menos de dez anos.

Para a radiologista Eloisa Amaral da Silva, do Instituto de Medicina Diagnóstica (IMEDI), a imagem molecular poderá contribuir para a redução de custos com saúde, pois ao diagnosticar as doenças debilitantes precocemente, permitirá a redução significativa dos custos no cuidado com os pacientes. Embora o exame de raios-X seja a técnica mais conhecida, este não é o único procedimento para avaliar o corpo humano na área de diagnósticos por imagem. De acordo com Henrique Carrete Júnior, radiologista do Departamento de Diagnósticos por Imagem da Universidade Federal de São Paulo, poucas doenças neurológicas são diagnosticadas com o uso desse aparelho. ?O grande avanço na área de diagnósticos por imagem do sistema nervoso central veio com a tomografia computadorizada e, em seguida, com a ressonância magnética?, comenta o médico. A ressonância magnética, por exemplo, consegue detectar lesões e tumores muito pequenos, em milímetros, pois a sensibilidade do equipamento é maior do que a tomografia.

Meio de contraste

Atualmente, para melhorar a qualidade da imagem e a segurança do diagnóstico são usados modernos agentes de imagem conhecidos por meios de contraste. Estas substâncias são necessárias para criar um contraste artificial entre o órgão a ser diagnosticado e o tecido ao redor. Esses agentes podem ser administrados por via oral, intravenosa, intra-arterial, uretral ou retal. A escolha da melhor forma de administração depende do exame solicitado e da região do corpo humano a ser pesquisada. Eloisa Amaral da Silva comenta que os meios de contrastes são substâncias que permitem melhorar a precisão e, principalmente, a especificidade dos diagnósticos por imagem. ?A escolha do meio de contraste adequado para cada método de imagem traz imenso benefício ao diagnóstico e, por isso, deve ser considerado em cada situação particular?, comenta a especialista.

A fluorodeoxiglicose F-18 (F18-FDG), por exemplo, é uma substância rastreadora que se comporta no corpo como uma glicose, se acumulando nas células com exigências nutricionais altas como é o caso dos tumores. Os sinais emitidos pelo rastreador são monitorados e capturados por um tipo de tomografia conhecido como PET (Tomografia por Emissão de pósitrons), que os transforma em imagens de computador. Dessa forma, as pesquisas estão direcionadas ao desenvolvimento de rastreadores mais específicos que garantam um diagnóstico mais preciso. ?Assim, o médico pode estabelecer o tratamento mais indicado a cada paciente?, reconhece a especialista.

Um aliado nos tratamentos

A doença de Alzheimer é a causa mais freqüente de demência na população acima dos 60 anos de idade. Atualmente, seu diagnóstico definitivo só pode ser feito após o óbito do paciente por um exame específico realizado na autópsia. O desenvolvimento de novas e avançadas terapias para a doença de Alzheimer pode beneficiar procedimentos de imagem in-vivo que podem identificar a doença em estágios iniciais. Com base nesses estudos, a indústria começará o desenvolvimento clínico do composto para obtenção imagens do beta-amilóide, o marco patológico da doença de Alzheimer.

A detecção dessa substância no cérebro permitirá que os médicos confirmem o diagnóstico da doença de Alzheimer mais rapidamente.

No caso do câncer, a imagem molecular poderá ajudar a melhorar o rastreamento do tumor nos diferentes órgãos, avaliar respostas ao tratamento do ponto de vista celular, monitorar o crescimento do tumor e obter, com antecedência, a identificação de metástases e eventuais recidivas nos pacientes.

“As imagens de estudo do metabolismo demonstram com alta precisão detalhes de cada órgão e ao mesmo tempo indicam o nível de atividade celular das lesões identificadas, o que permite saber o estágio, a agressividade e o tipo de tratamento mais adequado”, acrescenta o cirurgião do Serviço de Transplante de Fígado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, André Cosme de Oliveira.

Vantagens dos exames de imagem molecular

Já há alguns aparelhos de PET SCAN em funcionamento no Brasil, um deles no Cetac em Curitiba, capazes de detectar precocemente cânceres como os de próstata, mama e pulmão. De acordo com o radiologista Guilberto Minguetti, a dificuldade de popularização dos diagnósticos por imagem molecular no Brasil está ligada, na sua maioria, aos custos dos equipamentos necessários para a realização dos exames e o treinamento específico dos profissionais.

Por enquanto, os exames não são cobertos pelos planos de saúde, nem pelo SUS e o seu custo médio é de R$ 3 mil. Conheça mais vantagens do PET-SCAN:

>    Detecção precoce de doenças

>    O exame é seguro, eficaz e não invasivo

>    Um único exame mostra todos os órgãos e sistemas, mostrando a progressão da doença e avaliando a resposta ao tratamento

>    A combinação PET-CT em um único aparelho oferece imagens anatômicas associadas a informações metabólicas

>    Os exames de imagem molecular podem eliminar a necessidade de outros exames e procedimentos cirúrgicos diagnósticos

>    A avaliação reduz significativamente custos e o desconforto ao paciente