A incontinência urinária é uma condição multifatorial
que afeta muitas pessoas, em diferentes faixas etárias.

A pessoa que sofre de incontinência urinária e não trata vive uma vida pela metade. Para manter uma vida social normal, precisa se arriscar a passar algum aperto até encontrar um banheiro por perto. Ou, então, se privar de passeios, shows ou outros programas que demandem mais tempo. Tudo para não ter que passar pelo incômodo de sentir uma vontade incontrolável de fazer xixi. Os números não são oficiais, mas estima-se que afete cerca de 12 milhões de brasileiros.

?Um levantamento realizado em Curitiba detectou que 50% dos idosos entre 65 e 75 anos sofrem do distúrbio?, comenta a fisioterapeuta Maura Regina Seleme, coordenadora do curso de especialização em uroginecologia do CBES – Colégio Brasileiro de Estudos Sistêmicos, números que, segundo a especialista, correspondem aos encontrados em estudos internacionais.

O desconforto é tanto, que a maioria dos pacientes nem procura ajuda médica por acreditar que isso é ?coisa da idade?. Contrário à crença popular, a incontinência urinária não é uma conseqüência normal da idade, embora os músculos do trato urinário possam perder algum tônus quando se envelhece. Sem contar o constrangimento e o tabu que o assunto aflige. No entanto, existem tratamentos que controlam o problema com eficácia, chegando muitas vezes a curar o distúrbio. O índice de sucesso nos tratamentos chega quase a 90%, de acordo com especialistas.

Assoalho pélvico

Conforme a médica, existe um programa de exercícios que ajuda a fortalecer os músculos do assoalho pélvico, que revestem a parte inferior do osso da bacia, região onde se localizam os órgãos genitais e a bexiga. Nas mulheres, em decorrência de lesões produzidas em virtude dos partos, é comum o mau funcionamento (disfunção) desses músculos. Esses exercícios ajudam a controlar e até curar a incontinência. ?Até mesmo as mulheres de mais idade, que sofrem a mais tempo da doença, podem se beneficiar com esse tipo de tratamento?, ressalta.

A causa da incontinência pode estar tanto na bexiga quanto no músculo que controla a uretra, canal encarregado de expelir a urina. Em outros casos, pode estar no próprio assoalho pélvico. O especialista em urologia Marcelo Horta Furtado explica que a incontinência por esforço ocorre quase sempre em mulheres, num momento de esforço físico: tosse, espirros, riso, ao levantar peso ou, mesmo, ao subir escadas. ?Geralmente, em decorrência do enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, fazendo com que qualquer pressão exercida sobre a bexiga faça a urina escapar?, esclarece. Já a incontinência de urgência, em ambos os sexos, acontece pela incapacidade de ?segurar? a urina.

Tratamentos

Dependendo do caso, os especialistas recomendam que os exercícios sejam associados a recursos, entre eles, a eletroestimulação (emissões de ondas que estimulam a musculatura), o uso de modernos medicamentos e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos. ?Os recursos são inúmeros, basta o(a) paciente estar disposto(a) a se tratar?, lembra Maura Seleme, salientando que, em qualquer um deles, quanto mais precocemente for iniciada a fisioterapia, melhor será o resultado, independente de o distúrbio ser leve, moderado ou severo.

Existem muitas opções diferentes disponíveis para tratar a incontinência urinária, que deve ser orientado por um especialista que vai definir qual a opção mais adequada para as necessidades de cada paciente. Alguns dos tratamentos disponíveis incluem: medicações, mudanças de comportamento ou estilo de vida, exercícios para musculatura pélvica e perineal e os procedimentos cirúrgicos, para os casos mais graves de incontinência.

Se os tratamentos médicos ou cirúrgicos falham, há alternativas para assegurar bem-estar e conforto para o paciente. Entre as alternativas, estão o uso de absorventes (fraldas descartáveis), inserção de um pequeno tubo (cateter) para drenar a urina da bexiga, e uso de equipamentos externos para coletar urina.

Alguns conselhos

* Procure beber entre seis e oito copos de líquidos por dia

* Evite cafeína e álcool

* Não tenha pressa ao urinar e espere a bexiga esvaziar completamente

* Mantenha bons hábitos intestinais

* Controlar o peso

* Longos períodos sem urinar podem significar que você está ingerindo pouco líquido e aumentam o risco de infecções urinárias

* A ingestão de grande volume de líquidos em pouco tempo faz a bexiga encher mais depressa e causa a urgência para urinar 

Principais causas

A eliminação da urina pode ser comprometida nas seguintes situações:

* Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico

* Gravidez e parto

* Tumores malignos ou benignos

* Doenças que comprimem a bexiga

* Sobrepeso

* Bexigas hiperativas