Quase dez milhões de italianos sofreram de depressão nos últimos dez anos, e uma das principais causas é a chamada “síndrome do anonimato”, que afeta uma em cada três vítimas do distúrbio (32%). Esta é a conclusão de um estudo realizado com 850 pessoas entre 18 e 66 anos, publicado na mais recente edição da revista “Riza Psicosomatica”.

O primeiro posto entre as causas da depressão é ocupado pelo drama de não se sentir realizado na vida privada ou nas ambições profissionais (29%), um problema que provoca mais sofrimento que a solidão (27%). Mas o anonimato, com 18%, ocupou o terceiro lugar entre os motivos de estados depressivos, acima da vida muito rotineira (14%) ou mesmo das desilusões no campo amoroso, fonte de depressão em apenas 8% dos casos.

“Se não sou famoso, sou um fracassado”, é o pensamento que aflige as vítimas de uma sociedade onde a fama está intimamente associada ao bem-estar pessoal. Um em cada três italianos entrevistados não se sente realizado porque acha que tudo depende da fama e da notoriedade, sofrendo quando se encontra sozinho e desconhecido entre as pessoas.

“Antes, a síndrome do anonimato atingia apenas pessoas que ficavam famosas por um curto espaço de tempo. Agora, no entanto, contagia justamente as pessoas comuns, sobretudo entre os mais jovens, para os quais a realidade acaba às vezes se confundindo com um ?reality show?”, diz a revista.

Os momentos nos quais a síndrome de anonimato parece se tornar mais aguda são quando se está entre outras pessoas (62%), assistindo na televisão personagens que conquistaram a fama (55%), sozinhos em casa (43%) ou quando se sai com os amigos (30%).

De acordo com o estudo, sete em cada dez italianos (68%) consideram que felicidade rima com notoriedade, enquanto para 25% a felicidade é realizar os próprios sonhos, para 18% estar com os amigos, para 14% fazer carreira e para apenas 6% estar bem em família.