Uma campanha mundial contra a dor de cabeça, um mal muito difundido na população de todo o mundo mas com tratamento insuficiente, foi lançada em Copenhague pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e três ONGs, sob o lema “uma cefaléia não tratada custa muito mais que uma cefaléia curada”.

Enxaquecas e cefaléias, frisaram os responsáveis pela campanha, constituem, em escala mundial, um problema “catastrófico” de saúde pública. No entanto, em muitos países nem sequer constam da lista de doenças que devem ser tratadas.

“Em qualquer lugar”, disse o doutor Peer Tfelt-Hansen, presidente da Sociedade Internacional da Dor de Cabeça (IHS), “quando chega o momento de destinar recursos à saúde, a prioridade nunca é para enxaquecas e cefaléias”. O resultado é que a formação é inadequada e não se oferecem bons tratamentos. A má gestão do problema piora as coisas: por exemplo, o uso excessivo de medicamentos não apropriados é a causa das dores de cabeça cotidianas sofridas por muitos adultos e crianças.

Há razões mais que convincentes, humanitárias e também econômicas, para dar ao problema alta prioridade: basta pensar nas horas de trabalho e na produtividade perdida devido a uma doença muito debilitante, que tem efeitos devastadores em quem a sofre, tanto no ambiente familiar como no trabalho.

“Enxaquecas e cefaléias são afecções neurológicas que respondem ao tratamento”, explicou o doutor Fred Sheftell, fundador e presidente da Aliança Mundial contra a Dor de Cabeça (WHA), “mas lamentavelmente muitas pessoas não recebem a ajuda de que necessitam”.

A campanha “Aliviar o fardo”, promovida por IHS e WHA, junto com a Federação Européia para a Dor de Cabeça (EHF) e o apoio da OMS, visa à educação para o melhor tratamento e alívio das cefaléias. Trata-se de estabelecer prioridades e encontrar, gradualmente, por áreas geográficas, soluções “eficazes e práticas” que favoreçam o recurso a melhores tratamentos.

Com amplitude mundial, a campanha dará prioridade aos países em desenvolvimento, cujas necessidades são maiores, apesar de que em todos os lugares, insistem seus promotores, existe um abismo entre as necessidades e os serviços de saúde oferecidos às pessoas que sofrem com enxaquecas e cefaléias. O principal objetivo é sensibilizar a opinião pública e agentes de saúde sobre a dimensão do problema, a exigência de um diagnóstico preciso e as eventuais modificações do estilo de vida, assim como o uso correto de tratamentos farmacológicos de comprovada eficácia.