Márcia Assis, especialista
em distúrbios do sono.

Dormir bem é essencial para o desenvolvimento de uma vida saudável. Porém, para muitas pessoas, conseguir relaxar e fechar os olhos durante a noite não é uma tarefa fácil. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada no decorrer do ano 2000, revela que cerca de 54% dos brasileiros adultos têm alguma dificuldade para dormir.

Entre os principais distúrbios de sono estão: apnéia (quando a pessoa pára de respirar por alguns segundos), ronco intenso, insônia, sonambulismo, pesadelos e bruxismo (ranger de dentes). Segundo a neurologista Márcia Assis, especialista em distúrbios do sono, as causas dos problemas são bastante variadas, podendo ser físicas ou psíquicas.

“Os distúrbios podem ser causados por hábitos de vida incorretos, alimentação pesada durante à noite, prática de exercícios físicos exagerados antes de dormir, problemas psicológicos, uso de remédios que tiram o sono ou mesmo doenças físicas”, afirma. “O maior erro que as pessoas cometem é não procurar um médico e tomar, por conta própria, medicamentos para dormir. Assim, elas não identificam a causa do problema, que acaba não sendo resolvido.”

A má qualidade do sono acaba interferindo na qualidade de vida. Quem tem o problema acaba se sentindo sonolento durante o dia, tem o raciocínio prejudicado, não consegue se relacionar socialmente, tem tendência a desenvolver depressão, tem problemas de concentração e está sempre sujeito a acidentes.

“É um problema sério, que muitas vezes acaba tendo conseqüências graves”, conta a médica. “É muito comum, por exemplo, que pessoas com distúrbio de sono se envolvam em acidentes de trânsito ou mesmo acidentes domésticos.”

As maiores vítimas costumam ser os idosos, pessoas obesas e mulheres na menopausa, porém os problemas são identificados até em crianças. Nelas, os distúrbios mais comuns costumam ser o sonambulismo e o sonilóquio (quando se fala muito durante o sono). O tratamento pode ser baseado tanto na mudança de hábitos de vida quanto no uso de medicamentos. Pode envolver a participação de psicólogos, dentistas, otorrinolaringologistas, psiquiatras, entre outros profissionais.

“Quando o paciente procura o médico, passa por uma entrevista para que as causas reais dos distúrbios sejam descobertas”, explica Márcia. Segundo ela, muitas vezes a pessoa precisa passar uma noite no laboratório para que seu sono seja avaliado. Nestes casos, é medida a atividade elétrica cerebral, a respiração, a oxigenação sangüínea e a freqüência cardíaca. “Geralmente o paciente é filmado e, depois que as causas são identificadas, começa a se submeter a um tratamento específico”, conta a neurologista.

Paciente

Quem enfrenta o problema garante que procurar um médico é a melhor alternativa. Depois da morte de três pessoas da família, a dona-de-casa Ester Klettenberg, de 69 anos, começou a sentir dificuldades para dormir. “Eu tinha muita insônia e quando fechava os olhos tinha pesadelos”, conta. “Durante o dia, ficava irritada e mal humorada. Achava que ia enlouquecer por não conseguir dormir.”

Ester passou cinco meses nessa situação. Depois de procurar um especialista, voltou a dormir normalmente em menos de duas semanas. “Meu tratamento foi à base de medicamentos e demonstrou bastante eficiência”, garante. “Hoje, me sinto muito mais tranqüila e desenvolvo minhas atividades diárias normalmente.”

Veja como dormir melhor

? Evite fumar.

? Evite bebidas com álcool e cafeína.

? Não tome remédios sem orientação médica.

? Não faça exercícios físicos em horários próximos ao horário de se deitar.

? Procure dormir em ambientes sem grande luminosidade, sem ruídos e com temperatura agradável.

? Mantenha horários regulares para deitar e levantar.

? Evite ler, estudar, comer e trabalhar na cama.

? À noite, faça refeições leves.

? Deixe as preocupações longe da cama.

Fonte: Roche