Na avaliação do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde, as mortes de animais ocorridas até o dia 4 de setembro nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte estão abaixo do previsto na literatura internacional. A preocupação faz sentido já que a letalidade da doença é próxima de 100%. A raiva é uma doença viral transmitida ao homem quando um animal infectado o morde, lambe ou arranha.

Os primeiros sintomas se confundem com alguns tipos de desconfortos, como febre, enjôo e mal-estar. Na progressão da doença, se identificam quadros de ansiedade, delírios, contrações musculares e convulsões. O tempo médio para surgimento dos sintomas é de 45 dias.

Os principais transmissores são os cães, gatos, saguis e morcegos. Como não é possível imunizar animais que vivem na natureza, a campanha de vacinação de cães e gatos é a principal forma de prevenir os casos da doença em humanos. A vacina, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é obtida a partir de cultivo celular e confere imunidade de um ano aos animais.

Vacinação mantida

No começo deste mês, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS) foi notificada do primeiro caso suspeito de raiva humana após ataque de cão, em 2010.

O caso foi confirmado por exame laboratorial dois dias depois. O paciente foi atacado há cerca de três meses, no município de Chaval (CE). Imediatamente, a Secretaria Estadual de Saúde foi orientada para iniciar o Protocolo de Tratamento de Raiva Humana, o mesmo aplicado em 2008 em um paciente de Floresta (PE), que se tornou o terceiro caso no mundo a sobreviver.

Até junho de 2010, um caso de raiva humana havia sido registrado, no Rio Grande do Norte, após ataque de morcego. O paciente morreu. De 1990 a 2009, o número de casos de raiva humana, considerando todas as espécies agressoras, caiu drasticamente de 73 para um. A partir de 2005, a intensificação das ações de vigilância permitiu uma redução ainda mais acentuada.

Das 79 mortes informadas ao MS pelas Secretarias Estaduais de Saúde do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Norte, 41 foram em cães, 25 em gatos e 13 em animais não especificados. Todos ainda estão sob investigação.

“Com base nas informações que temos disponíveis até o momento, não há evidências suficientes para interromper a campanha de vacinação antirrábica”, avalia o diretor de vigilância epidemiológica, Eduardo Hage. Em todos os casos, os animais começaram a manifestar reações adversas em até 72 horas após a vacinação.

Por isso, os casos estão possivelmente associados à imunização e permanecem em investigação pelos órgãos de vigilância. Segundo a literatura internacional, as taxas encontradas estão abaixo do esperado para as duas espécies.

A vacina

A vacina utilizada pela rede pública é a mesma utilizada em clínicas veterinárias privadas. A diferença é que são utilizados frascos com 25 doses, enquanto na rede particular são frascos de dose única.

Segundo o laboratório produtor, os componentes das duas apresentações da vacina são idênticos. Até 4 de setembro, as secretarias de Saúde dos 17 estados e do Distrito Federal haviam informado um total de 1.377.921 animais vacinados, considerando as duas vacinas.

A ocorrência de eventos adversos pode estar relacionada não apenas à vacina, mas também a fatores como a resposta individual de cada animal, o armazenamento e a administração do produto.

Os sintomas de reações adversas a vacinas são extremamente variáveis. Podem surgir desde sinais leves, como dor e pequeno inchaço no local da aplicação, até manifestações, como letargia, febre e sonolência horas após a vacinação. Para animais, são consideradas reações graves a anafilaxia (reação sist&e,circ;mica à vacina) e a morte.

O que fazer

Ao identificar que cães e gatos estão com suspeita de raiva, os donos devem isolar os animais e chamar ajuda especializada, que pode ser a de técnicos do centro de controle de zoonoses local ou a de um veterinário para que as providências adequadas sejam adotadas.

Se a pessoa for agredida por qualquer animal, deve-se lavar imediatamente a ferida com água e sabão e procurar um profissional de saúde para obter orientações sobre indicação de profilaxia antirrábica (vacina e/ou soro).

Quando a agressão for por cães ou gatos, os animais deverão ser confinados por dez dias após a agressão, para observação de sintomas da doença e, se o animal morrer, deve-se informar o departamento de zoonoses imediatamente.

Os números da vacinação no Brasil

* 30,9 milhões doses de vacina adquiridas
* 24,5 milhões de reais investidos
* 17,1 milhões de reais repassados aos estados para operacionalizar a campanha
* 28,5 milhões de cães e gatos é a previsão de animais a serem vacinados
* Em 2009, foram vacinados pouco mais de 23 milhões de cães e gatos

Primeiros sinais

* Febre
* Dor de cabeça
* Mal-estar
* Dor de garganta
* Falta de apetite
* Enjôos
* Irritação
* Ansiedade
* Mudanças de comportamento