O nome pode parecer estranho: melasma, mas, certamente, a maioria das pessoas já viu ou conhece algum portador da doença. É o caso da dona de casa Maria de Fátima Siqueira, que apresenta diversas manchas de cor castanha nas bochechas, em volta dos olhos e na testa, característica principal do melasma, conhecido popularmente com ?máscara da gravidez?. Ela não sabe direito quando essas manchas começaram a aparecer, no entanto especialistas afirmam que a doença é mesmo mais comum nas gestantes. Pesquisas apontam que 75% delas sofrem do problema na gravidez.

Conforme o dermatologista Mauricio Martins, a principal causa do melasma é a exposição solar associada às variações hormonais decorrentes da gestação, mas que podem ocorrer em qualquer fase da vida, afetando também, em menores índices, os homens. De acordo com o médico, a doença não é grave, mas seu efeito psicológico não deve ser subestimado, já que afeta mulheres que podem estar experimentando outras sensações como estresse e distúrbios hormonais. ?As manchas do melasma podem abalar a autoconfiança e a auto-estima nesse importante momento da vida?, ressalta.

Protetor solar

Conforme a dermatologista Karime Hassun, é importante lembrar que o melasma está sempre relacionado à exposição ao sol e não tem cura definitiva, podendo, no entanto, com o uso de medicamentos apropriados, ter uma diminuição satisfatória ou eliminação temporária. ?Para isso é necessário evitar a exposição prolongada ao sol e fazer uso diário, por tempo indeterminado, de um protetor solar com FPS mínimo de 30?, observa, salientando que qualquer descuido pode fazer com que as manchas voltem a aparecer.

Mauricio Martins frisa que o distúrbio aumenta quando a pessoa se expõe à luz solar ou radiações UVA e UVB artificiais, como as produzidas por cabines de bronzeamento. ?Por outro lado, as alterações pigmentares são menos comuns nos meses de inverno?, explica. O médico observa que os pacientes têm uma dificuldade considerável de tratar o melasma, por conhecerem pouco a doença e os tratamentos disponíveis. Conforme os especialistas, a maneira mais indicada para tratar o problema, além da proteção solar, é o uso de clareadores, prescritos por um médico especializado.

Tratamento prolongado

Nos Estados Unidos, onde as pesquisas são mais freqüentes, estima-se que de cinco a seis milhões de mulheres possuam melasma, no entanto são registradas apenas 500 mil consultas por ano. No Brasil, a situação tende a seguir as mesmas proporções. Novos remédios para combater a doença estão disponíveis no mercado. Esses medicamentos reúnem diferentes componentes que removem as manchas, clareiam a pele e minimizam os efeitos de ressecamento e irritação.

A dermatologista Denise Steiner explica que o tratamento do melasma é prolongado, a resposta somente inicia após cerca de 45 dias, e o sol precisa ser controlado e por essa razão o entendimento e a participação do paciente é importante. ?Mesmo sendo difícil, se conseguem respostas muito adequadas?, garante a médica. Geralmente, as pacientes estão sujeitas a recidiva da doença, principalmente quando desprezam os cuidados e não evitam a exposição ao sol. Está comprovado que a radiação solar induz a melanogênese. ?A área pigmentada escurece mais do que a área normal devido a hiperatividade do melanócito local?, esclarece Denise Steiner.

"As manchas características do melasma não aparecem em todas as mulheres que engravidam. O melasma é um distúrbio multifatorial, envolvendo principalmente: a exposição solar/ radiação UV, alterações hormonais e predisposição genética."

É bom evitar

A etapa mais importante na prevenção do aumento das manchas no melasma é evitar a exposição ao sol e a outras radiações ultravioleta (UV). Existem dois tipos principais de radiação ultravioleta: a UVA e a UVB. A principal fonte de UVA é a luz solar. Confira, também, as fontes de UVA que devem ser evitadas ao máximo, pois podem exacerbar ou promover o aumento da pigmentação em pacientes com melasma.

* Lâmpadas fluorescentes

* Fotocopiadoras

* Bronzeamento artificial

* Clarões e faíscas de solda

* Exposição prolongada a monitores de computador