Só 7,1% das mulheres curitibanas estão satisfeitas com a sua vida sexual. Talvez seja porque o homem curitibano seja o que menos faz sexo no País, cerca de 2,7 vezes por semana.

Pelo menos é o que apontou o Mosaico Brasil, a maior pesquisa sobre sexo e afeto já realizada no País.

Conduzido pela professora Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com o apoio da Pfizer.

O estudo ouviu 8.237 homens e mulheres com mais de 18 anos em 10 capitais brasileiras.

A pesquisa revelou, por exemplo, que o carioca não é tão fogoso quanto reza a lenda nem que o mineiro é tão quietinho assim.

Em Belo Horizonte, por exemplo, os homens fazem mais sexo por semana do que no Rio de Janeiro (4 contra 3 vezes) e a média de relações por encontro também é maior (3 vezes para os mineiros e 2 para os cariocas). Outro ponto “a favor” dos mineiros é de que 41,5% dos entrevistados responderam ter mais de um encontro sexual por dia.

Sexo e afeto

Apesar dos números pouco expressivos, a opinião quase unânime dos entrevistados do Mosaico Brasil – mais de 95% das mulheres e dos homens -, é de que o sexo é importante ou muito importante para a harmonia do casal, sendo que mais da metade dos brasileiros faz distinção entre vida afetiva e vida sexual.

Isso só não acontece para boa parte das curitibanas. Cerca de 44% delas, alegaram não conseguir separar uma coisa da outra. Por outro lado, elas são mais participativas quando o tema é incentivar o parceiro a procurar ajuda para resolver problemas de ereção.

“O Mosaico Brasil mapeia o comportamento afetivo-sexual do brasileiro 10 anos após o advento de Viagra”, afirma João Fittipaldi, diretor médico da Pfizer. Conforme o dirigente, a pesquisa mostra as semelhanças e as diferenças de opiniões entre homens e mulheres sobre sexo e afeto, em um País marcado pela diversidade de hábitos e costumes regionais.

Segundo dados da pesquisa, atualmente as conversas sobre sexo com a família são mais abertas e freqüentes para 57,9% dos homens e 60,6% das mulheres participantes do estudo. Homens de Curitiba (66,1%) e mulheres de Manaus (68,1%) são os que mais debatem o assunto em família.

O estudo também concluiu que 45% dos brasileiros estão realizados tanto na vida sexual como na afetiva. Ao avaliar sexo e afeto separadamente, quase 30% de homens e mulheres disseram estar realizados só afetivamente.

Contudo, quanto à realização exclusivamente na cama, a diferença de opiniões entre homens e mulheres é expressiva: quase o dobro dos homens (15,8%) versus 8,7% das mulheres estão realizados no sexo.

Regionalmente, os índices mais baixos quanto à realização sexual foram encontrados entre os homens de Manaus (10,7%) e as mulheres de Curitiba (7,1%). Os mais realizados sexualmente são os homens de Porto Alegre (18,4%) e as mulheres de Fortaleza (10,7%).

Disfunção erétil

Metade dos homens de Curitiba tem algum grau de disfunção erétil (incapacidade de atingir e/ou manter uma ereção suficiente para um desempenho sexual), entre leve e completa.

“Foi muito interessante avaliar por essas respostas que os índices de homens que referiram dificuldade de ereção coincidem com os já divulgados por nós em estudos anteriores”, aponta Carmita Abdo. Segundo a pesquisa, a insegurança costuma ser fator freqüente para a disfunção em homens mais jovens.

Com mais idade, é comum o homem apresentar dificuldades de ereção por razões de origem orgânica, por causa de problemas como pressão alta, diabetes e problemas cardíacos.

Na média nacional, 42,9% dos homens perceberam uma piora na qualidade de ereção com o passar dos anos. Os paulistanos foram os que mais referiram essa piora (47,4%), enquanto os cuiabanos referiram o menor índice (35,9%).

Para melhorar a ereção, o u,so de medicamentos costuma ser aceito pelas mulheres: apenas 6,7% das curitibanas declararam ser totalmente contra. No entanto, apesar dos 10 anos do Viagra, em torno de 40% das mulheres entrevistadas revelaram não saber se o homem deve ou não usar o medicamento.

O Mosaico Brasil também questionou os participantes se, para os homens, a satisfação sexual depende da capacidade do homem de não falhar. Eles (63,5%) e elas (78,1%) concordaram.

“Um fato interessante observado nessa questão é que, homens e mulheres têm quase as mesmas impressões com relação às reações ante a falha de ereção”, constata a especialista, completando que isso significa um comportamento amadurecido no relacionamento, inclusive no sexo.

Quem participou da pesquisa

O Mosaico Brasil entrevistou 4.206 homens e 4.031 mulheres de 10 capitais brasileiras. A faixa etária entre 18 e 50 anos agrupou 83,4% dos homens e 86,2% das mulheres. A pesquisa é nacional e mapeou, ao longo deste ano, o comportamento afetivo-sexual do brasileiro.

A maioria dos homens (74,8%) e das mulheres (70,3%) pesquisados tem um relacionamento estável atualmente. Quanto à orientação sexual, 89,6% dos homens e 93,7% das mulheres declararam-se heterossexuais. Os homens homossexuais brasileiros somaram 7,8% e as mulheres, 4,9%. Declararam-se bissexuais 2,6% dos homens e 1,4% das mulheres.

Curiosidades da pesquisa

Sempre usam preservativos
Homens – 32,2%
Mulheres – 32,8%

Iniciaram vida sexual
com namorado(a)
Homens – 36,7%
Mulheres – 89,3%

Distinguem vida afetiva
de vida sexual
Homens – 61,6%
Mulheres – 51,4%

Não viveria com parceiro sem fazer sexo
Homens – 42,8%
Mulheres – 34,3%

Se preocupa com desempenho sexual
Homens – 60,9%
Mulheres – 48,3%

Uma hora é o tempo ideal entre um ato sexual e outro
Homens – 78,8%
Mulheres – 73,4%

Notaram piora da qualidade de ereção
Homens – 42,9%

Têm orgasmo freqüentemente
Mulheres – 76,5%