A paisagem das grandes cidades já é mais tão cinza porque junto com carros, ônibus e prédios, há pessoas praticando atividades físicas, e em número cada vez maior.

Estima-se que, atualmente, pelo menos 100 corridas de ruas sejam organizadas por ano no Brasil.

Só em São Paulo, em 2010 estão previstas mais de 30 até o fim do ano. Em Curitiba, oficialmente, estão previstas mais de dez. Assim como o número de inscritos, o número de mulheres atletas também aumentou consideravelmente. Na capital paranaense, 30% dos participantes são do sexo feminino.

Segundo o IGBE, a estimativa é de que, em 20 anos, tenhamos um total de mais de 1,9 milhão de mulheres correndo. Em função disso, muitos problemas específicos ao sexo têm aparecido, entre eles está a tríade da mulher atleta: distúrbios alimentares, distúrbios hormonais e osteoporose.

De acordo com o médico do esporte Páblius Staduto Braga, as expectativas e resultados podem ser excelentes, se a mulher respeitar os seus limites. “É preciso ter uma preocupação maior com as técnicas de treinamento, nutrição adequada, gerenciamento de estresse, qualidade do sono e metas de condicionamento físico”, avalia o médico.

Isso tudo para evitar problemas, como sobrecarga excessiva de treinamento aeróbico (quando a corrida causa diminuição excessiva de percentual de gordura, acima do saudável), possibilidade de distúrbios hormonais, lesões musculoesqueléticas, como ruptura muscular, fraturas de estresse e predisposição à osteoporose.

Orientação personalizada

Aliás, a atividade física pode ser usada na prevenção e tratamento desta doença silenciosa e que acomete mais a mulher na pós-menopausa, desde que as cargas de esforço sejam adequadas e o ritmo de treinamento personalizado. Outra especificidade é que a mulher atleta também pode ser mãe.

“Durante a gestação, os limites dos exercícios físicos devem ser rigorosamente monitorados, mas sempre com estímulo da movimentação física”, comenta o especialista.

Um estudo com quase 10 mil mulheres revela que uma associação de fatores faz com que o desempenho desportivo seja 6% a 15% menor nas mulheres em comparação com os homens, embora a capacidade de adaptação ao treinamento seja semelhante.

Em suma, a mulher atleta ou a que pratica exercícios físicos regularmente, deve contar com acompanhamento médico para obter orientação para a prática saudável e personalizada da atividade, orientação para consciência corporal e dos limites físicos para o treinamento.

Outro aspecto muito importante é a prevenção de lesões relacionadas ao esporte e a prática de exercícios físicos, já que cerca de 80% das lesões relacionadas ao esporte ocorrem por sobrecarga ou erros de estratégia.

Incontinência urinária

Além da educação para a saúde, a Medicina Esportiva atua no diagnóstico, tratamento clínico e reabilitação de lesões. Também pode realizar procedimentos pós-cirúrgicos de recuperação de lesões para o retorno ao esporte ou atividade física.

“Orientar o tratamento da lesão não é o mais complicado, o importante é criar mecanismos e estratégias para que o atleta não se lesione novamente”, alerta Páblius.

Bastante complexo e polêmico, um dos problemas causados pela sobrecarga de treinos, compondo a tríade da mulher atleta, é a incontinência urinária. Trata-se da perda de urina involuntária que pode ocorrer com frequência na mulher atleta.

Para se ter uma idéia da gravidade do problema, estudos revelam que mais da metade das mulheres apresenta o episódio de incontinência em algum momento de suas vidas e que 50% a 70% delas não procuram médicos porque acreditam que não haja cura para o problema.

Para completar o quadro, 12% das pacientes apresentam dor pélvica recorrente. Existem alguns fatores relacionados como causadores desta patologia: distúrbio,s alimentares, diminuição de hormônios femininos pela sobrecarga de exercícios, e, até mesmo, pelo aumento da pressão intra-abdominal no impacto excessivo de alguns esportes (saltadora de trampolim, por exemplo).

“Para o tratamento, é necessária a diminuição da sobrecarga e exercícios localizados para a região pélvica, musculatura envolvida nesse sintoma e prevenção”, completa o médico.

Fatos relevantes

* O número de mulheres atletas aumentou 600% nos últimos 20 anos alcançando um total de mais de 1,9 milhão de mulheres.

* A Medicina do Esporte possui profissionais especializados em educação para a saúde da mulher, diagnóstico, tratamento clínico e procedimentos pós-cirúrgicos de recuperação de lesões.

* Uma das preocupações na prática de esporte é respeitar os limites do organismo.

* Estima-se que existam mais de 30 milhões de mulheres que sofrem de incontinência urinária só nos Estados Unidos por diversos motivos, entre os quais a sobrecarga de treino.

* A atividade física estimula o corpo a melhorar seu tecido ósseo ajudando na prevenção e tratamento da osteoporose.