Tido como grande vilão da saúde no mundo moderno, embora exista desde a idade da Pedra, o estresse emocional, em determinadas circunstâncias, pode ser benéfico para as pessoas, ajudando a impulsionar a vida para frente, nos dando força e energia para alcançamos nossos objetivos.

Consiste em uma reação natural do organismo a uma determinada situação, seja ela positiva, portanto, agradável, e prazerosa, chama de eustresse, ou adversa, prejudicial à saúde, chamada de distresse.

Fisiologicamente, as respostas do organismo são idênticas, com aumento da pressão arterial, taquicardia, sudorese, respiração rápida, tensão muscular, entre outras. Em ambos os casos, são necessárias para a sobrevivência dos seres vivos, fazendo parte da nossa vida estimulando e motivando as pessoas.

Alguns procuram o estresse e o usam em benefício próprio, como os desafios e as emoções fortes, enquanto outros não o toleram. A adaptação fisiológica do organismo ao estresse é feita por meio do eixo hipotálamo – hipófise – supra renais com a liberação de hormônios ACTH (hormônio adrenocorticotrófico hipofisário), cortisol e substâncias, como adrenalina e noradrenalina, permitindo à pessoa elaborar reações adequadas para alcançar o equilíbrio satisfatório.

Frente a um agente estressante, seja ele positivo ou negativo, este eixo é ativado, os hormônios são liberados, o mesmo ocorrendo com a adrenalina pelas supra-renais, e o organismo reage. Esta resposta em grau moderado permite ao organismo equilibrar seus mecanismos de respostas indispensável para a manutenção da saúde, tanto física como mental. Quando esta situação se mantém por longo tempo, grandes quantidades de cortisol e adrenalina são liberadas, bloqueando as defesas imunológicas, tornando a pessoa vulnerável ao aparecimento de doenças, tanto físicas como mentais.

A partir do momento em que o estresse passa a interferir no bem-estar da vida da pessoa, medidas preventivas devem ser adotadas, procurando-se manter o equilíbrio entre o corpo e a mente. Como a vida seria impossível sem uma certa carga de estresse, importante é saber dosá-lo. A capacidade de adaptação é individual, depende da natureza do agente estressante, físico, emocional ou ambiental, tempo de exposição agudo ou crônico, positivo ou negativo, na dependência das circunstâncias e na capacidade de reação do organismo.

Algumas pessoas sabem administrá-lo bem e transformá-lo em algo positivo, outras não conseguem fazê-lo. O que é estressante para um pode ser prazeroso para outro e pode não significar nada para um terceiro. O estresse é o que você faz dele, sendo diferente para cada pessoa.

Luiz Bodachne

é médico geriatra do Hospital Universitário Cajuru da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.