Uma das maiores dificuldades no tratamento de pessoas que passam por terapias venosas de média e longa duração, aquelas indesejadas picadas para ?achar uma veia?, está deixando de existir graças a uma técnica que começa a ser difundida em Curitiba, o uso do cateter central de inserção periférica (PICC, sigla em inglês). De acordo com orientação médica, pacientes submetidos à quimioterapia e antibioticoterapia, entre outros procedimentos, além daqueles que necessitam receber alimentação, sangue e hemoderivados já não precisam mais passar por tal sofrimento, nem ficar sendo ?furados? constantemente, por médicos ou enfermeiros.

O advento do PICC trouxe maior segurança e proporcionou maior qualidade de vida a tais pacientes. De acordo com Edinaldo Silva de Oliveira, responsável pelo setor de enfermagem da UTI do Hospital Pilar, de Curitiba (um dos pioneiros na utilização do PICC), as vantagens da técnica sobre os procedimentos até então utilizados são inúmeras. ?As principais são a preservação da rede vascular desses pacientes e a minimização dos riscos potenciais que existem no outro método, o de inserção central feita no tórax do paciente, local em que se encontram órgãos vitais?, ressalta.

Menos infecções

Na inserção periférica é implantado um cateter na veia do braço que se estende até outras veias de grosso calibre, chegando até a veia cava superior. O cateter passa a ser monitorado diariamente e pode permanecer até por 180 dias. Nesse período, ele é utilizado nas ações de suporte, como a administração de medicamentos, sangue e nutrientes. ?Assim, se evitam as seguidas manipulações na rede vascular periférica?, explica Edinaldo, lembrando que nos procedimentos normais, a rede de veias dos pacientes submetidos às terapias endovenosas prolongadas não agüenta mais do que 15 dias de picadas e infusões.

Além de facilitar tais procedimentos, o uso do PICC consegue reduzir significativamente os riscos de o paciente sofrer de uma série de infecções, devido às complicações no trato e a dificuldade de higienização do local infiltrado. Médicos comprovam que, muitas das infecções, comuns em hospital, estão associadas à utilização dos cateteres centrais comumente utilizados (pneumotórax e hemotórax). Também enfatizam os riscos de infecções em órgãos vitais provenientes de tais procedimentos.

Embora em uso na prática médica há mais de 20 anos, só agora algumas resistências ao uso do PICC vêm sendo quebradas, isso porque alguns cuidados no seu manuseio são de real importância. Médicos e enfermeiros são obrigados a observar algumas normas técnicas que garantem a utilização eficaz desse tipo de cateter. Esses cuidados vão desde a escolha do equipamento a instalar, até os cuidados básicos para manter sua permeabilidade e eficiência, devendo, também, ser monitorado por meio de exames radiológicos freqüentes.

Vantagens no uso do PICC

*  Evitar danos ou riscos de acidentes no sistema venoso do paciente.

*  Garantir um acesso seguro a vasos de grande calibre, de forma intermitente ou contínua, em períodos prolongados, para administração de drogas.

*  Facilita a coleta de amostras sanguíneas ou tratamento de suporte.

*  Traz menos riscos aos órgãos vitais.

*  Diminui os casos de infecções hospitalares.