Repleto de aparelhos, o consultório dentário é um ambiente que causa desconforto e ansiedade em muitas pessoas. Décadas atrás, quem freqüentava o dentista se assustava com o tamanho das agulhas que, além do mais, não eram descartáveis. Sem contar o barulho angustiante dos equipamentos. Embora hoje a tecnologia odontológica seja voltada para o conforto do paciente, é comum associar o tratamento dentário a um método sofrível, principalmente devido a traumas de experiências ou bloqueios anteriores. Não existem estudos que confirmem, mas estima-se que cerca de 15% da população evita o tratamento dentário por medo de ir ao consultório.

E o que é pior: pessoas com esse tipo de fobia preferem se automedicar com analgésicos para suportar a dor causada por um dente ?estragado?, ao invés de procurar um tratamento eficaz. Quase sempre, quem age dessa maneira só tem a perder. ?Com o descaso pode haver um agravamento do problema pela ação do tempo, resultando na necessidade de intervenções mais delicadas para sua correção no futuro?, salienta a odontóloga Ana Paula Falcão. Segundo a especialista, vale tudo para acalmar seus pacientes, desde uma explicação minuciosa sobre todas as etapas do tratamento até a sedação.

Fundo psicológico

Para a cirurgiã-dentista Tatiana Roncaglia, o medo que o paciente demonstra durante o tratamento pode até intensificar a dor. Por isso o profissional deve sempre passar tranqüilidade, segurança, compreensão e confiança. Dessa forma, ele se sentirá melhor antes mesmo de se sentar na ?temida? cadeira. "A dor, muitas vezes, pode ter um fundo psicológico e, ainda, ser aumentada pelo estresse da situação?, observa. Hoje estão à disposição medicamentos e anestésicos que podem garantir a ausência total de sensibilidade ou desconforto. Além disso, de acordo com a especialista, os procedimentos estão mais rápidos e menos destrutivos.

A questão do medo envolve muitos fatores, entre eles os acontecimentos e traumas anteriores, além das condições atuais de saúde. As experiências anteriores é que deixam marcas conscientes e bem reais. Para curá-las é preciso que o profissional transmita tranqüilidade, segurança e confiança ao paciente, para só depois iniciar o tratamento. "O paciente deve ser visto com um ser humano completo e não mais uma boca ambulante cheia de buracos nos dentes precisando ser tampados", observa a cirurgiã.

Dentes saudáveis, hálito puro

O mau hálito é definido pelos profissionais de saúde como halitose. O portador do problema passa por situações de inibições e complexos, em muitos casos até pelo constrangimento de ser avisado por uma outra pessoa de que tem um hálito impuro. Em 90% dos casos a origem da halitose está na língua. Ela aparece quando a produção de saliva não é suficiente para a higiene natural da boca, provocando uma cobertura branca ou amarelada na língua. Para a cirurgiã dentista Elenice A. Nogueira Gonçalves, existem muitos fatores que prejudicam o processo de higienização bucal, como a falta de uma orientação básica para garantir a limpeza dos dentes.

A origem não patológica do mau hálito é o estresse e a agitação do dia-a-dia. Segundo a odontóloga, a correria na semana causa um aumento substancial de adrenalina no sangue, provocando inibição na produção de saliva. Então, quando você sentir aquele ?gosto de cabo de guarda-chuva? na boca, saiba que a limpeza bucal precisa ser revista e melhorada. Os procedimentos para ter um hálito apurado também estão relacionados com a alimentação, que deve privilegiar verduras e frutas. Já o cigarro, as bebidas e alguns medicamentos podem inibir a saliva, provocando o mal-estar. A freqüência das escovações, o uso do fio dental e antissépticos, além de consultas regulares ao dentista, são dicas básicas de como manter a dentição saudável, causando uma sensação de hálito puro e um sorriso saudável.