A disputa contra o excesso de peso não é uma corrida de 100 metros. É necessária certa cadência para se alcançar os objetivos de forma saudável, ao longo dos anos.

Se o assunto é atletismo, podemos comparar a luta contra o sobrepeso pode ser comparado a uma maratona.

É o que diz a maioria dos médicos que não acreditam em fórmulas mágicas que prometem e, quase sempre, não cumprem o prometido.

Já vai longe o tempo em que a máxima “gordura é sinal de saúde e formosura” andava de boca em boca, sem qualquer tipo de constrangimento para os mais bem-nutridos.

Hoje em dia a face visível de quem vende saúde está nos corpos mais magros, mas não, necessariamente, “sarados”. Com efeito, a preocupação com o excesso de peso é assunto de destaque em qualquer bate-papo.

A obesidade, verdadeira epidemia dos novos tempos, é acusada pelos médicos de se tornar uma causa importante para um sem-número de doenças. Das doenças cardiovasculares ao câncer. Do diabetes às varizes. Da hipertensão arterial às doenças pulmonares.

Esforço e comprometimento

Os especialistas são unânimes em afirmar que o sucesso de qualquer dieta para perda de peso passa por uma reeducação alimentar. De acordo com o endocrinologista Henrique de Lacerda Suplicy, professor de Endocrinologia da UFPR e médico responsável pelo Ambulatório de Obesidade do Hospital de Clínicas, o primeiro passo para se obter sucesso na reeducação alimentar é o paciente passar por uma avaliação nutricional e, depois, seguir à risca um planejamento alimentar que leve em conta atingir objetivos em longo prazo.

“Dieta cujo sinônimo é sacrifício está fadada ao fracasso”, adverte. Para Suplicy, convém desconfiar das dietas milagrosas, pois elas podem mascarar um emagrecimento descontrolado e trazer ainda mais prejuízos à saúde.

Os especialistas também comparam o ritual que visa ao emagrecimento como a busca por um emprego. A pessoa não pode dormir até tarde senão nunca vai conseguir. Esforço e comprometimento são imprescindíveis para a perda de peso.

Assim, o ato de prescrever uma dieta deve ser a última atitude do médico ao receber um paciente que precisa perder peso.

De acordo com o psicólogo clínico Marco Antônio de Tommaso, fatores genéticos ou biológicos estão relacionados a apenas 3 a 5% dos casos de obesidade.

Conclusão: a maioria tem ligação com fatores psicológicos. Dessa maneira, é preciso perceber primeiro a razão do excesso de peso e fazer uma avaliação que determine quais os desequilíbrios e insuficiências existentes no organismo.

A reação a uma contrariedade excessiva, por exemplo, pode fazer com que a pessoa busque compensação na comida e se torne um fator desencadeante da obesidade.

Reeducação alimentar

Uma conclusão é inevitável: a saúde e o aspecto que vamos ter daqui a cinco ou dez anos são construídos no dia-a-dia, por meio do nosso estilo de vida e dos hábitos alimentares.

Para que essa trajetória só traga benefícios, Henrique Suplicy alerta que se torna prioritário adotar uma alimentação saudável. Defensor de que a palavra dieta, pela angústia que causa, deve ser banida do vocabulário de quem decide emagrecer, o endocrinologista realça o dito popular “café da manhã de um rei, almoço de um príncipe e jantar de um mendigo”.

Nesse contexto, entra o papel fundamental da reeducação alimentar, conceito abrangente, cuja base se assenta na combinação dos alimentos de forma correta e personalizada.

A nutricionista Flávia Ferreira Sguario explica que as pessoas devem conhecer os grupos alimentares, quais as suas funções, a equivalência de cada alimento, quais as substituições possíveis.

Assim, os especialistas calculam quanto o paciente pode comer em cada refeiç&at,ilde;o, em quais horários e os alimentos que podem ser trocados na falta de um dos itens propostos.

Uma alimentação saudável deve abranger de forma equilibrada os três grupos alimentares: alimentos construtores (proteínas), um pouco dos alimentos energéticos (gorduras, carboidratos) e os alimentos reguladores (frutas, verduras, hortaliças). “A escolha dos alimentos deve ficar ao livre-arbítrio da pessoa, pois as dietas radicais são as responsáveis pelo efeito-sanfona”, completa.

Causas complexas

Conheça, abaixo, alguns motivos que podem levar a um quadro de obesidade:
* Predisposição genética
* Alterações emocionais
* Estilo de vida
* Sedentarismo
* Aspectos culturais
* Hábitos alimentares
* Quadros depressivos

ROTEIRO PARA UMA DIETA SAUDÁVEL

No café da manhã – Privilegie frutas, iogurte e cereais integrais, de preferência fibras. No meio da manhã, se ficar com fome opte por uma torrada ou uma fruta.

Almoço – Pode-se optar por peixe ou carne magra (frango ou peru), legumes cozidos, salada e arroz ou massa (em pequena quantidade).

No lanche da tarde – Dê preferência novamente às frutas e ao iogurte. Um sanduíche de pão integral com alface, tomate e carne de peru é uma combinação ideal.

Jantar – Aconselha-se um cardápio bastante leve. Pode ser uma sopa de legumes, duas torradas integrais com queijo fresco/requeijão ou, então, uma salada de alface, tomate, cebola, cenoura, milho – pode ser incrementada com requeijão, ovo cozido, atum ou sardinhas, à vontade.

Não esquecer de evitar, ao máximo, gorduras, refrigerantes, álcool, açúcares, pão e doces.

OBESIDADE INFANTIL

Efeito “orloff”

Cientistas ingleses afirmam ter identificado oito principais causas da obesidade infantil.

Entre elas se destacam: ver televisão em excesso, dormir pouco e ter pais obesos.

O estudo envolveu 9 mil crianças e foi publicado no British Medical Journal. Segundo os pesquisadores, as crianças de três anos que vêem mais de oito horas de TV por dia têm alto risco de se tornarem obesas.

Segundo os cientistas, a pesquisa reforça a teoria de que o ambiente nos primeiros anos de vida pode se tornar fator preponderante para determinar o risco de obesidade. Ou seja é a confirmação do “efeito orloff”: pais com sobrepeso, filhos, também.

De acordo com o estudo, a forma pela qual esses fatores aumentam o risco é complexa. A obesidade dos pais, por exemplo, pode significar um risco genético ou uma preocupação, já que a criança compartilha a experiência familiar de comer muito.

Outra constatação é de que ver TV aos três anos – embora o risco possa atingir outras idades no início da vida – pode ter efeito sobre a obesidade, porque a criança não faz exercícios ou porque come mais.