O próximo sábado, 27 de setembro, é reconhecido com o Dia Internacional do Idoso.

Cientificamente, a pessoa entra nesta época da vida quando completa 65 anos de idade, mas muitos fatores influenciam na velocidade e na intensidade do processo de envelhecimento de cada um.

Assim, o meio ambiente, o estilo de vida, o hábito de fumar, a depressão, o estresse, a alimentação e a prática de atividade física podem fazer a diferença na hora de uma pessoa se sentir “idosa”.

Já vai longe o tempo em que ser idoso implicava em ficar fechado em casa, esperando a vida passar pela janela. Hoje em dia, e cada vez mais – já que a expectativa de vida vem aumentando seguidamente – a dita terceira idade pode e deve ser vivida com o corpo e a mente em perfeita saúde.

Quem nasceu em 2006, por exemplo, “ganhou” mais meses de vida em relação aos que nasceram em 2005. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esse indicador chegou a média de 72,3 anos, segundo a Tábua de Mortalidade de 2006 divulgada pelo instituto.

A qualidade de vida a ser vivenciada nessa fase é influenciada pelos hábitos das pessoas, já que o envelhecimento se dá ao longo de toda essa trajetória. Com o passar do tempo ocorrem várias transformações que devem ser aceitas com naturalidade, mas que implicam na adaptação das pessoas às novas situações.

Para o geriatra Gilmar Calixto, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), as principais recomendações para que a idade não interfira na qualidade de vida são manter o peso sob controle e o colesterol em níveis aceitáveis. “Além disso, consultar um médico periodicamente e realizar exames de rotina fazem parte das orientações”, comenta.

Alimentação é saúde

Uma alimentação equilibrada também influencia na manutenção da saúde, promovendo energia, vitalidade e diminuindo os riscos de aterosclerose, doenças cardiovasculares e câncer.

O geriatra sugere uma dieta rica em frutas, vegetais e cereais. “Alimentos gordurosos pedem moderação, assim como não se deve abusar de doces nem do sal”, recomenda Calixto.

Para o geriatra Luiz Bodachne, praticar atividades físicas é meio caminho andado para alcançar o bem-estar. “O exercício proporciona qualidade de vida e autonomia”, atesta. Assim, uma vida sedentária pode ser o pior inimigo da terceira idade.

O especialista alerta, no entanto, para as atividades realizadas de maneira indiscriminada e sem orientação, que podem causar danos à saúde, podendo, inclusive, levar à morte.

Outra lembrança de Bodachne enfoca o conceito de que não se pode estocar a atividade física, isso é, ao abandonar os exercícios, todo o tempo despendido com eles anteriormente perde a sua finalidade, não apresentando efeito cumulativo. “Exercício é como um investimento: quanto mais, melhor; deixou de investir, o capital vai gradativamente perdendo o valor”, compara.

É certo que o processo de envelhecimento é inevitável e que a ele surgem associadas algumas patologias. Os movimentos tornam-se mais lentos, os reflexos menos rápidos, o andar menos seguro.

A mobilidade e a flexibilidade vão sendo afetadas com o passar dos anos, uma fragilidade que permite o avançar de doenças como a osteoporose e as relacionadas com o coração.

Contudo, mesmo que envelhecer seja uma fatalidade, nada impede a busca pela qualidade de vida na terceira idade. Qualidade de vida, não no sentido econômico, mas de saúde e bem-estar.

E um dos passaportes para viver melhor a fase mais avançada da vida é a adoção de um estilo de vida saudável, o que passa também por uma alimentação equilibrada.

Nova realidade

Para a nutricionista clínica Vanessa Regina Vieira de Souza, especialista em nutrição celular e longevidade, várias causas levam o idoso à desnutrição. Entre elas, cita a fal,ta de informação sobre uma nutrição adequada, limitações financeiras, isolamento social, distúrbios mentais e, principalmente, a incapacidade física gerada pela falta de exercícios orientados.

De acordo com dados do IBGE, as condições nutricionais da população idosa brasileira são preocupantes. Estima-se que no País existam cerca de 300 mil idosos com baixo peso e a desnutrição influencia em mais de 35% nos registros de mortes de idosos brasileiros nas regiões metropolitanas. Os índices são da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Luiz Bodachne lembra que não existe um tipo de alimentação específica para a pessoa idosa. Uma alimentação equilibrada, segundo padrões internacionais, deverá ser constituída de 55% de carboidratos, 30% de lipídios e 15% de proteínas, além de vitaminas e sais minerais, variando de acordo com as peculiaridades de cada faixa etária. “Normalmente, na dieta do idoso, há uma diminuição do valor calórico total – em média, 1.600 calorias aos 65 anos”, esclarece o geriatra.

O envelhecimento populacional determina problemas de aspectos médico, social e econômico, não só nos países desenvolvidos, onde o número de pessoas idosas é significativo, como em países em desenvolvimento, como o Brasil. Para Luis Bodachne, devemos estar preparados para enfrentar uma realidade com a qual devem se familiarizar os profissionais das áreas sociais e de saúde.

Imunizar é preciso

Nos extremos da vida se encontram as pessoas com maior risco para adoecimento e também para maior gravidade dos quadros: as crianças e os idosos. Vale ressaltar que, ao prevenir uma infecção pela gripe, por exemplo, são evitadas milhares de internações, óbitos, descompensações de doenças cardíacas e pulmonares crônicas, entre outros distúrbios.

Sempre é bom verificar se o idoso tem o calendário vacinal de infância completo. Isso é importante, pois alguns deles nunca receberam vacinas ou fizeram esquemas muito simplificados.

Quanto as vacinas mais indicadas, destacam-se: a vacina contra a gripe, recomendada para todos e com necessidade de reaplicação anual; vacina contra pneumonia pneumocócia, protege contra alguns tipos de pneumonia e está indicada para todos com mais de 50 anos; e o reforço de tétano, para todos que já fizeram o esquema de vacinação contra a doença (deve ocorrer a cada dez anos).

Vale também dizer que novas vacinas estão sendo desenvolvidas e que poderão
beneficiar este grupo, algumas ainda não disponíveis no Brasil, como a vacina contra herpes zoster (cobreiro) e uma vacina de reforço contra coqueluche (tosse cumprida) especial para idosos.

Fonte: Jaime Rocha, infectologista, consultor do Diagnósticos da América (Dasa)

Alimentação

Equilibrada – Deve contemplar diversos componentes, como carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas

Reduzida – Refeições devem ser, preferencialmente, leves

Variada – Para estimular o apetite, deve-se mudar a sua apresentação

Digestiva – Escolher alimentos de fácil digestão

Moderada – Ingerir oderadamente substâncias que estimulam o sistema nervoso, como café e álcool

Fracionada – Pode-se atingir até seis refeições diárias, em pequenas quantidades

Liquida – Ingerir água em média, um litro e meio ao dia Fibrosa – As fibras ajudam a manter saudável o sistema intestinal