O abandono precoce dos tratamentos, principalmente os de doenças crônicas, é um problema de saúde pública cada vez mais grave.

O perigo torna-se ainda maior quando se trata de patologias que não apresentam sintomas e têm baixo nível de risco percebido, como a osteoporose, por exemplo, pois o paciente não procura voluntariamente um médico para fazer um exame preventivo.

Por se tratar de uma doença silenciosa, com índice baixo de adesão ao tratamento e que não tem benefício percebido em curto prazo, a osteoporose pode se transformar num problema grave e com custo alto se não for tratada adequadamente e a tempo.

Para combater esse cenário foram criadas algumas ferramentas a fim de ajudar os pacientes a entender melhor a doença e perceber a importância de realizar o tratamento até o fim.

Um estudo quantitativo realizado em seis capitais brasileiras com 220 mulheres portadoras de osteoporose, com média de idade de 69 anos, apontou que as pacientes inscritas em um programa de acompanhamento tendem a seguir a prescrição e permanecer por mais tempo com a terapia.

De acordo com a pesquisa, o tempo médio de tratamento das mulheres cadastradas foi de 11 meses, enquanto que as pacientes não-inscritas seguiram a terapia por apenas quatro meses. Apenas 15% dessas mulheres concluíram o tratamento.

Adesão ao tratamento

O acesso às informações sobre a doença ajudou as pacientes inscritas a reduzir o índice de abandono da terapia. Em três meses, apenas 2% pararam com o tratamento, enquanto 60% das pacientes não-cadastradas deixaram de tomar os medicamentos. Graças à disciplina, essas pacientes obterão um maior benefício clínico e uma menor incidência de complicações.

Segundo o ortopedista e presidente da Sociedade Brasileira de Densitometria Clínica, Sérgio Ragi Eis, os benefícios vão além da eficiência do tratamento com o uso adequado.

“Medicamentos incorretamente tomados ou interrompidos precocemente geralmente levam a gastos ineficientes dos recursos disponíveis para a saúde, sem que se obtenham os possíveis benefícios esperados por eles”, reconhece, salientando que isso resulta em aumento de custos tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde pública.

Com efeito, as pessoas que submetem a um programa específico de acompanhamento conseguem obter um maior benefício clínico e uma menor incidência de complicações, como fraturas e suas preocupantes conseqüências.

“Geralmente, essas complicações implicam em internação hospitalar e poderiam levar a uma dificuldade na movimentação, dor crônica severa, deformidade e até a morte”, completa o ginecologista e especialista em osteoporose, Ben Hur Albergaria.

Doença silenciosa

A ausência de sintomas é característica comum da osteoporose, que geralmente não é percebida até que ocorra a primeira fratura. O diagnóstico é feito por meio da densitometria óssea, um exame simples e indolor que funciona como uma “radiografia” do corpo.

Com ele, é possível identificar a quantidade de mineral presente nos ossos e dar o direcionamento adequado ao tratamento, caso necessário. “As mulheres são as principais vítimas e aquelas com fatores de risco para a osteoporose devem realizar o exame preventivamente, assim que entrarem na menopausa, período em que a perda de massa óssea é mais importante”, reconhece o reumatologista Sebastião Radominski.

Para aqueles que já sabem de sua condição como portadores do distúrbio, é importante a prática regular de atividades físicas, ter uma alimentação rica em cálcio, além da exposição adequada ao sol para estimular a formação ou síntese de vitamina D.

Na terapia à base de remédios, os comprimidos que eram tomados diariamente, hoje já podem ser tomados apenas uma vez ao mês. Com os cuidados necessários é possível levar uma vida normal, sem limitações e com mais qualidade de vida.