O ambiente das Unidades de Terapia Intensiva não é mais o mesmo. Os hospitais estão deixando para trás aquela sala coletiva, fria, repleta de equipamentos e desesperança. ?Aqueles locais fechados que isolavam os doentes com risco de morte, atendidos por um pessoal sem qualquer treinamento humanitário está com os dias contados?, resume o especialista em Medicina Intensiva, Álvaro Réa Neto. As mudanças fazem parte de um esforço das instituições de saúde para tornar o ambiente da UTI mais humano.

As modificações incorporadas na UTI não dizem respeito somente a decoração, que muitas vezes segue uma tendência livre: em uma foi instalado um aquário gigante, outra é voltada para a janela e contém fotos de parentes dos enfermos e de paisagens relaxantes. A psicóloga Raquel Pusch de Souza, do Centro de Estudos e Pesquisas de Terapia Intensiva diz que é importante trazer para o ambiente, elementos pessoais e diferenciados, mas que, um aspecto importante a ser ressaltado é a integração entre os intensivistas, os familiares do doente e o próprio paciente. ?Percebendo esta interação o paciente participa mais do tratamento, fato que contribui decisivamente na sua recuperação?, frisa.

Sensação de isolamento

Neste sentido, Réa destaca também que os familiares se tornam importantes coadjuvantes no tratamento. Eles devem ser informados sobre o quadro clínico do paciente e devem ter conhecimento sobre as condutas médicas escolhidas para tal. O médico explica que os pacientes internados na UTI, são, em sua maioria, dependentes e se sentem impotentes com a falta de autonomia e controle de si mesmo. Normalmente, a rotina da equipe de intensivistas é muito estressante e, muitas vezes, o doente parece ser ignorado por ela. ?Essa sensação de isolamento, que independente do seu estado de vigilância, contribui para o agravamento da saúde do paciente?, constata. Ao contrário, quando tratado de forma humanizada, um paciente de UTI consegue garantir índices surpreendentes de recuperação. Resultados mostram que com este apoio, somado à especialização da equipe multidisciplinar e com os avanços da tecnologia, mais de 80% dos pacientes saem com vida de uma UTI.

Em seus 20 anos no setor, a enfermeira Glaci conta que é comum o profissional de saúde introduzir uma agulha, ou uma sonda, em um paciente consciente sem qualquer aviso. ?Ele só percebe quando sente a dor, e leva um tremendo susto?, diz. Não dá para negar que numa unidade que se destina a atender casos de alta gravidade, os pacientes que estão conscientes acabam sendo tratados do mesmo modo que os outros, afirma a enfermeira. ?Os próprios profissionais têm entre si problemas que não são resolvidos, por excesso de trabalho e falta de tempo, e isso repercute no estado do paciente?, presume.

A proposta básica destas adaptações, segundo Raquel Pusch, é melhorar o cuidado intensivo, não só no aspecto técnico, mas no sentido de tornar menos traumática a estadia do paciente. Os profissionais, por sua vez, devem atuar no sentido de transformar a UTI num ambiente agradável. Porque sabem que o paciente percebe as coisas que acontecem à sua volta e sabem, por mais fragilizado que seja seu quadro clínico, se está sendo bem tratado ou não. ?Tratar o paciente como você gostaria de ser tratado é o preceito básico?, resume.

Na humanização total em uma UTI, três diferentes aspectos devem ser considerados:

* modo de cuidar do paciente e seus familiares

* a interação entre os profissionais da equipe

* ambiente físico