As férias de julho terão um sabor especial para aqueles que pretendem juntar a família e desfrutar o merecido descanso em lugares distantes como montanhas, praias, estações climáticas ou até visitar outros países.

No entanto, antes e durante a viagem, é preciso tomar alguns cuidados para não estragar o passeio com problemas de saúde.

Segundo a Enciclopédia Médica, as diarréias que representam entre 50% e 68% desses transtornos, seguidos das infecções respiratórias (14 a 31%) e a febre (12 a 15%) são as moléstias a serem combatidas nesta época. Além de manter em dia o calendário vacinal, o turista que não quiser ter surpresas desagradáveis durante o passeio pode se informar sobre as medidas preventivas que precisa adotar de acordo com o roteiro planejado, a duração da estadia e as atividades programadas.

Mesmo quem vai para a Europa deve ficar atento com as doenças transmissíveis. “Na Alemanha, houve recentemente um surto de sarampo – doença considerada controlada no Brasil desde 2000, e o Reino Unido registrou um surto de caxumba”, informa o infectologista Rodrigo Angerami.

Tudo em dia

O primeiro passo para uma viagem saudável é estar com a vacinação em dia. As crianças já são imunizadas pelo calendário oficial contra várias doenças, entre elas, o sarampo, a caxumba e a rubéola.

Muitas pessoas chegaram à fase adulta desprotegidas, porque há pouco mais de 20 anos não existia vacina contra essas doenças. Por isso, jovens e adultos precisam receber a tríplice viral.

Para as famílias com destino a áreas com altas taxas de sarampo, recomenda-se antecipar a imunização das crianças. A partir dos seis meses de idade, o bebê pode receber a vacina monovalente e a tríplice a partir dos 12 meses.

Ao seguir o calendário básico, é preciso não esquecer das doses de reforço. Para crianças entre quatro e seis anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a segunda dose de reforço de vacinas contra difteria, tétano, coqueluche e poliomielite. A pediatra Lucia Bricks lembra que muitos pais tendem a se descuidar da vacinação das crianças em idade escolar.

“Algumas perdem o segundo reforço que, na rede pública, é dado até os sete anos de idade”, adverte. Nesses casos, uma opção de reforço pode ser administrada para crianças e adolescentes entre cinco a 13 anos.

Inverno

Com a queda da temperatura, cresce a necessidade da vacina contra as gripes sazonal e pandêmica. Já, os pacientes crônicos, fumantes e asmáticos com mais de 19 anos precisam de uma proteção a mais contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida por pneumococo, responsável por até 30% das pneumonias decorrentes da influenza.

“A gripe aumenta o risco das infecções bacterianas, principalmente as causadas pelo pneumococo, que atinge justamente as pessoas mais vulneráveis”, reconhece Angerami.

O CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos recomenda a vacina polissacarídica 23-valente aos doentes crônicos, cardiopatas, diabéticos, imuno-comprometidos, maiores de 65 anos, asmáticos e fumantes maiores de 19 anos.

Mesmo as crianças maiores de dois anos – que já tomaram as vacinas conjugadas contra o pneumococo – devem receber essa vacina que previne os sorotipos causadores das infecções graves.

A vacina polissacarídica, conhecida internacionalmente por Pneumo 23, contém 23 dos 90 sorotipos conhecidos do pneumococo, propiciando a cobertura contra 90% dos sorotipos mais agressivos.

Ela é oferecida gratuitamente aos portadores de doenças crônicas, maiores de dois anos nos CRIES – Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais do Ministério da Saúde. Em Curitiba, à rua Barão do Rio Branco, 465 e, em Londrina, no Ambulatório do Hospital das Clínicas.

Exposição e proteção

Como boa parte do território nacional é considerada área de risco para a febre amarela, os turistas precisam se informar se o destino da viagem est&aacute,; incluído nessas regiões. Em caso positivo, devem tomar a vacina nos postos de saúde ou nas clínicas particulares. A dose de reforço é necessária a cada dez anos.

Tomar a vacina contra a raiva antes de viajar é uma boa medida preventiva para os praticantes de ecoturismo, que vão fazer atividades em regiões silvestres, rurais e em cavernas. A raiva é transmitida pela mordida e arranhadura de um animal infectado. Pode ser silvestre (morcegos e macacos) ou não (bois, cavalos, cães, gatos).

Quando o incidente ocorre, a pessoa precisa passar por uma avaliação médica e, se for o caso, tomar três doses da vacina. “O risco para o ecoturista é ser mordido ou arranhado por um animal infectado quando está em um lugar distante e demorar muito a chegar a um local adequado de atendimento”, alerta Rodrigo Angerami.

Adolescentes e adultos devem se proteger contra a hepatite B, que é transmitida principalmente por contatos sexuais, uso compartilhado de seringas, injeções e transfusões de sangue contaminado e objetos cortantes (alicates de unha, lâminas usadas por barbeiros, tatuagens, piercings). “Quem não se imunizou, precisa se vacinar, e aqueles que começaram, devem completar o esquema de vacinação”, lembra a pediatra Lucia Bricks.

Água e alimentos

Quando está fora de sua cidade, o turista deve evitar o consumo de alimentos crus, vendidos por ambulantes e de procedência duvidosa. Uma dica preciosa é trocar o consumo de água de torneira pela água mineral e evitar bebidas com gelo.

Outra doença oriunda do consumo de alimentos e água contaminados, que pode ser prevenida por vacina, é a hepatite A. De transmissão fecal-oral, esta infecção no fígado é comum em locais com saneamento básico precário – praias desertas, matas, vilarejos. Quanto maior a idade em que essa doença é adquirida, maior é a gravidade do quadro.

Água e alimentos

O website www.viagemcomsaude.com.br traz informações sobre como prevenir doenças com vacinas, evitar riscos à saúde durante a viagem, enfrentar problemas jet lag, enjôos marítimos e falta de ar em grandes altitudes e se proteger contra o sol intenso, baixas temperaturas e picadas de insetos. A página eletrônica fornece dados sobre 223 destinos nos cinco continentes, notícias e links úteis.