Um local que ninguém quer, mas pode ser que precise precisa contar, ao menos uma vez na vida, é o setor de emergência ou pronto-atendimento de um hospital.

Por isso, nada melhor do que encontrar neste local, profissionais bem treinados e equipamentos de última geração.

Afinal, é lá que são atendidos os pacientes que necessitam de tratamento imediato e não podem ter um diagnóstico equivocado nas mãos.

Para tratar sobre a importância de profissionais bem qualificados neste setor e também apresentar novidades na área, o Hospital Pilar promoveu na última sexta-feira (19), um simpósio de medicina de emergência.

Para o diretor Rodrigo Milano, a preocupação de todos os envolvidos no pronto atendimento são a eficácia e a rapidez no atendimento.

“Os pacientes que estão em uma emergência não podem sentir que apenas foram encaminhados a outros médicos, e sim, tratados já na chegada ao hospital”, reconhece.

Para o coordenador do encontro, Rodrigo Souza, chefe do pronto-atendimento do Pilar, muitos profissionais não têm a qualificação suficiente para trabalhar em tão importante setor.

“O emergencista deve ser capaz de tratar todos os tipos de pacientes em um primeiro momento, como um especialista faria”, avalia. Esse profissional passa por uma série de situações que vão depender da sua agilidade e conhecimento. “Sem qualificação e treinamento necessário, como esse médico vai tratar de fraturas, fazer massagens cardíacas e atender partos, entre muitas outras situações corriqueiras no pronto-socorro?”, questiona Souza.

De acordo com os especialistas presentes ao encontro, o Brasil é o único país sul-americano que não tem a medicina de emergência como especialidade reconhecida.

Observação clínica

Os emergencistas possuem, de acordo com o coordenador, um papel social importante, além do seu conhecimento técnico. Além de tratar os doentes graves, esse especialista precisa dar início ao tratamento dos pacientes não tão críticos e, até, orientá-los sobre a importância do abandono do tabagismo e como proceder no caso de recaídas.

Esse papel social fica ainda mais evidenciado quando os pacientes chegam com alterações psicológicas, como, por exemplo, alcoolizados ou com agitação extrema.

Conforme o diretor geral do Hospital Nossa Senhora da Luz, Dagoberto Requião há uma deficiência crônica dos hospitais no atendimento de pacientes com transtornos mentais.

“Devido ao estigma e ao preconceito que ainda existem, muitas vezes os profissionais da emergência usam sedação com drogas não apropriadas no pronto atendimento desses pacientes”, condena o diretor, salientando que os médicos devem saber que ao chegar à emergência, o paciente deve primeiramente passar por uma cuidadosa observação clínica, além de realizar exames laboratoriais.

Especialidade médica

Além de profissionais capacitados, equipamentos modernos que proporcionem um resultado rápido e preciso também são importantes no setor de emergência.

O emergencista gaúcho Márcio Rodrigues, um dos palestrantes do evento, destacou o ultra-som “point of care”, usado pelo intensivista na beira do leito em pacientes graves.

“Apesar do baixo custo, a maioria dos hospitais ainda não disponibiliza o equipamento nas emergências”, estranhou o médico.

Para ele, o aparelho de ultra-som se constitui em uma verdadeira extensão dos olhos do médico, que, devidamente treinado, pode executar manobras salvadoras da vida.

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) Luiz Alexandre Borges observou que a boa evolução do paciente dentro do hospital, com menor risco de morbidade e menor tempo de internação começa com um atendimento seguro e qualificado na emergência.

“Hoje, no Brasil, vivemos um momento de reconhecimento da emergência como especialidade médica e a Abramede vem se empenhando cada vez ,mais para termos em todos os pronto-atendimentos profissionais formados, qualificados e titulados em Medicina de Emergência”, ressaltou.

De acordo com a instituição, essa formação se faz por meio de Residência Médica, por enquanto, disponíveis somente em Porto Alegre e Fortaleza. Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro terão suas residências em breve.

Pronto-socorro não é para todos

Muitas pessoas, inadvertidamente, confundem pronto-socorro com pronto-atendimento. O que para elas pode ser um fato sem importância é motivo de muito contratempo para os médicos e outros profissionais de saúde. A função do pronto-socorro é atender pessoas que correm risco iminente de vida.

Segundo o cirurgião Ricardo Rydygier, as pessoas acham que a unidade é um ambulatório sem hora marcada e sobrecarregam a utilização dos equipamentos, de material e de pessoal.

“Quando chega alguém com um problema mais grave como um infarto, por exemplo, é comum o médico estar ocupado atendendo uma queixa de dor de barriga”, relata o médico. As estatísticas apontam que >> >> pouco mais de 15% do movimento de um pronto-socorro são de pessoas que realmente precisavam ser atendidas com urgência.

O restante das pessoas que procuram o pronto-atendimento pode esperar por uma consulta especializada ou recorrer ao posto de saúde mais perto da sua casa. Lá receberiam um atendimento mais adequado e, se fosse necessário, daí, sim, seriam encaminhados ao pronto-socorro.

Conforme Ricardo Rydygier, problemas de menor complexidade como crise asmática, cólicas renais e pressão alta, entre outros, podem ser resolvidos nesses postos.

Se a pessoa optar por um pronto-socorro, provavelmente, não receberá o atendimento esperado e, com certeza, sairá reclamando de tudo e de todos. Para ele, a regra é simples: pronto-socorro é um lugar para pacientes com traumas externos, como acidentes, afogamentos ou quedas, além de algumas formas de intoxicação e casos clínicos mais graves.

Como proceder

Ao se deparar com uma emergência médica, ligue urgente para 192, passando informações precisas sobre:

* O tipo de emergência verificada (doença, acidente, parto, etc.)
* O número de telefone do qual está ligando
* A localização exata do local do acidente, se possível, com pontos de referência
* O sexo e a idade aparente da pessoa que necessita de socorro
* As principais queixas da vítima e as alterações que podem ser observadas
* A existência de qualquer situação que exija outros cuidados, como, por exemplo, vazamento de gases, perigo de incêndio, etc.
* Sinalize o local para evitar a ocorrência de novos acidentes
* Só remova a vítima em caso de absoluta necessidade
* Utilize luvas descartáveis, para evitar contato direto com sangue ou outras secreções