O diagnóstico é feito, primeiramente, com um exame de sangue para conhecer os níveis de ácido úrico na circulação.

Caso o índice esteja acima do normal, é necessário um exame de urina, que indica qual a dosagem eliminada durante o dia.

A partir da comparação desses dois resultados o médico indica o tratamento mais adequado para cada caso, uma vez que existem remédios tanto para inibir a produção como para aumentar a excreção do ácido úrico. Em linguagem simplificada, é assim que se diagnostica a gota, uma doença inflamatória e metabólica, que ocorre em decorrência do aumento de ácido úrico no sangue e resulta na formação de cristais desse composto orgânico nas articulações e nos tecidos.

“É uma patologia implacável que não tem cura, mas tem controle e suas crises dolorosas podem ser evitadas, desde que a pessoa não descuide do tratamento”, enfatiza a reumatologista Evelin Goldenberg.

Intervalos diminuem

A especialista conta que, em geral, a doença afeta, primeiro, as articulações dos membros inferiores e depois as dos membros superiores, ocasionando avermelhamento, calor e inchação local.

A dor articular é o principal sintoma dessa enfermidade cujas crises, em geral, se agravam à noite. Descrita desde a Antiguidade, estima-se que a gota acometa 1% da população adulta, na proporção de nove homens para cada mulher, principalmente, por volta dos 40 anos.

A reumatologista Márcia Veloso Kuahara explica que a gota é extremamente dolorosa, de início agudo e se dá em crises. Em geral, acomete primeiro o dedão do pé ou algumas articulações dos membros inferiores do corpo humano.

“Isso pode acontecer, por exemplo, após uma partida de futebol, em que a pessoa nem percebe que se trata do indício de uma doença crônica”, alerta. Invariavelmente, essa primeira crise dura, em média, de três a sete dias antes de desaparecer.

Após um período de seis meses a dois anos, o paciente volta a apresentar o mesmo quadro, constituindo-se em uma situação que se perdura de forma sucessiva. A qualidade de vida é agravada, já que os intervalos entre as crises começam a diminuir e a duração de cada uma delas a aumentar.

Crise controlada

“No estágio final, o paciente sente dores contínuas e apresenta deformidades nas juntas, o que o leva ao uso de uma cadeira de rodas” adverte Márcia Kuahara, lembrando ainda, que pode ser constatada a presença de cálculos renais (pedras nos rins) e de insuficiência renal (falha no funcionamento dos órgãos).

A primeira descrição da doença foi feita por um médico inglês que sofria desse mal, em 1683. Há relatos de que o presidente norte-americano Franklin Roosevelt, o pintor Michelangelo e o físico Isaac Newton sofriam do mal. Depois de uma crise de gota é preciso buscar tratamento. Quando os índices se normalizam, não significa que o individuo está curado.

No entanto, depois de controlada a crise e estabelecidos índices aceitáveis de ácido úrico no sangue, minimiza-se a chance de novas crises e complicações. Evelin Goldenberg realça que a pessoa que já tem esse problema precisa se acostumar a ter uma vida mais saudável com uma alimentação de baixas calorias. “Deve, também, controlar o peso e verificar sempre a pressão arterial – até para contribuir para a prevenção dos problemas coronarianos”, finaliza.

Para fugir das crises

* Evitar se alimentar em excesso de crustáceos (camarão, lula, siri e lagosta)
* Evitar também o repolho, carnes tenras (vitela, frango) e carnes exóticas (javali, rã, jacaré)
* Evitar bebida alcoólica fermentadas
* Controlar o peso corporal, em caso de obesidade